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Desalento

1 junho, 2014

Estar-te longe
longamente
noite estejas

Na tua voz eu ouço
a rouca Insensatez
e reconheço

Ao por do sol
Arpoador
em dor
só pensamento

Ao te perder
da vista
um mar em desencanto

Num canto escuro
eu conto um pouco
e um tanto assim
um desencontro

As águas a subir
e o sol se esconde
é noite em ti
em mim só um lamento

E eu aqui
poder sonhar
enquanto cantas

Um desalento.

(Desalento – Sandra Barbosa de Oliveira)

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* mostrando a cara do Brasil

1 junho, 2014

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Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer sim

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

(Cazuza)

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o poeta em mim

24 maio, 2014

*

Abro janelas e portas em mim

e me espio e saio e me tranco

 

Trancafiar-me em minhas razões

me dói mais do que não tê-las

 

As trancas e as trincas de mim

me apertam e me dilatam

 

Se me tranco eu não sei

se estou dentro 

ou se estou fora.

 

(Sandra Barbosa de Oliveira)

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31 março, 2014

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Malu na pracinha

16 março, 2014

Pois então
Que a Malu chegou…

E mamou
E dormiu
E arrotou
E chorou

E fez xixi e coco
Tomou banho
De ofurô

E tanto leite
No peito da mãe dela…

Que já hoje
Já toda sirigaita
Juntinho da mãe
E do pai dela

Corujão
Babão
Bobão
Gordão feito um balão

De tão apaixonado
Que está por ela

Bem…
Mas bem juntinhos
Com ela
Foram passear na pracinha.

Que delícia essa Malu! …

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És tu – contemporâneo

10 março, 2014

 

Como se às vezes
tua voz me chegasse aos ouvidos
coisas a dizer
gostei da tua mão

Verso moderno
não vale um tostão
maldigo teu olhar
da cor do Arpoador
à beira-mar

Cantar em Bossa Nova
Toms e cifrão
musicalidade
e disso eu entendo

Poesia
a pós-modernidade
te delicia com desilusão
leminskiana

Se me ligares
vais ganhar algodão doce
similares açucares
por uma doçura tua
Bala de mel ou Jintan

Fragilidade
agora não
somos adultos
na busca das palavras
em que se encaixem rimas

Tu poeta
eu abstrato

Eu poeta
te espero…

*

(Sandra Barbosa de Oliveira …
em Elemento Língua – janeiro, 2014)

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“Conversa com o lixeiro – Carlos Drummond de Andrade” no YouTube

9 março, 2014