Sandra Barbosa de Oliveira

O homem de Istambul

Tarde da noite.
Eu em sonho a andar pelas ruas da cidade pra lá da ponte. E eis que avisto um alguém, num certo destino, caminhando também. Mãos nos bolsos, passos largos, sombra esguia, esse é o homem.

As luzes da ponte refletem seus olhos no brilho do azul… que ilumina a cidade com suas torres ostentadas para o céu…

e em meu coração rebate.

Meu pensar atravessa as paisagens escuras das ruas boêmias com gente bebendo e cantando, nas calçadas felizes.

Seu movimento me faz crer uma dança e eu me entrego em seus braços, sorrindo e girando num passo de valsa… como ao sopro do vento… que me traz seu perfume em fragrâncias de madeira e almíscar… e me embreaga o sono.

Este ser na cidade é o que eu tanto procuro na história do sonho. E eu o sigo buscando, mesmo tarde da noite.

*
sandra barbosa de oliveira

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Sandra Barbosa de Oliveira

O menino do sonho

Eu sonho com um menino todas as noites. Ele me estende a mão e me chama pra correr por entre colinas e entre os carros nas avenidas largas. Ele vai à minha frente, me puxando pela mão até uma esquina, a partir da qual não se enxerga mais nada. E ali fica parado minutos a fio. A neblina é muito densa. Mas ouvimos crianças cantando cantigas de roda não muito distantes. A vida dessas crianças é um mistério. Ele está querendo me mostrar alguma coisa que eu não consigo ver.
Dá pra sentir os aromas da terra que chegam de lá, eu me encanto com a imensidão do nevoeiro mas não consigo atravessar. Minha perna estremece e o menino me leva de volta pra casa.
Todas as noites ele vem me visitar e fazemos o mesmo trajeto até a esquina sombria. No caminho de volta, o menino cresce e me entrega uma flor. Ao chegarmos à porta, ele se despede e despeja elegância até se perder de vista. E todas as noites ele canta pra mim, me faz serenatas, me encanta e me beija. E me leva pra casa, depois dos minutos na esquina vazia. E todas as noites ele chega na porta, vai entrando sem bater e não me leva à esquina. E não me traz mais de volta, e não me deixa sentir os aromas da terra, e não corremos mais por entre as colinas, e dos carros eu só ouço as buzinas do lado de fora. E todas as noites eu sonho com ele, que chuta minha porta, que eu me tranco no quarto, que só escuto seus gritos. Se despiu da elegância, se entregou pra bebida mergulhando em perfumes das outras mulheres. E o menino que cresce, envelhece em meu sonho, e eu o levo pra rua, e por entre as colinas eu esqueço o seu nome, e por entre as calçadas não lembro mais nada. E ao chegarmos na esquina, peço a ele que vá. E por entre a neblina, e as cantigas de roda, e os aromas da terra, e as crianças brincando, ele se esvai na densidade da névoa e meu dia amanhece.
*
sandra barbosa de oliveira

Sandra Barbosa de Oliveira

Backpacking – Barcelona

Viajar é uma das coisas mais maravilhosas da vida. E viajar sozinho é um encontro consigo mesmo, coisa inigualável, principalmente depois de certa idade.

Muitos desencontros me fizeram adiar meus sonhos, mas o mundo dá voltas, retorce realidades e acaba por fazer justiça. Tornei-me merecedora de carteirinha.

Tudo o que precisamos para começar é de uma mochila nas costas, porque nunca devemos levar o que não conseguimos carregar.

E foi mochilando que eu descobri o que eu quero fazer da vida, que apesar da minha idade eu sou uma mulher de espírito jovem e é assim que vou agraciando a minha autoestima.

Tive um reencontro com a minha meninice, com meu passado… com tudo aquilo que eu havia deixado pra trás… me encontrei. Foi realmente fascinante, uma libertação.

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Barcelona

Depois de desembarcar em Barcelona, meu primeiro chão na Europa, sozinha aos 58 anos… explorei a cidade, mergulhei nos encantos da obra de Gaudí, caminhei pelas ruas lotadas de turistas, andei por cantos com escolas, mercadinhos e lojas onde só mesmo os moradores conseguem frequentar.

Vislumbrei as belezas, os monumentos, as construções medievais e a arquitetura modernista. A praia, o Mediterrâneo, a arte, a gastronomia e principalmente, os aromas.

Conversei em espanhol e até em língua Catalã com lojistas, atendentes e visitantes de todas as partes do mundo porque havia me preparado um pouco pra isso apesar de não ter domínio nenhum sobre o idioma. Barcelona é uma cidade acolhedora, que te deixa com vontade de ficar.

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IMG_20170611_043937_881 El Prat – Barcelona  – 17 de outubro de 2016

*

Primeiro dia

Deixei o El Prat, (vindo do Brasil num voo da Latam – Múltiplos fidelidade e logo que peguei a bagagem, um Aerobús (o ônibus que faz a linha do aeroporto ao centro), que já estava estacionado no terminal logo ao lado, me deixou no centro da cidade.

20170812_130914 Aerobús – mais informações

Poderia ter escolhido ir de trem ou taxi mas preferi o ônibus para já ir me ambientando ao movimento, acompanhando pela janela os caminhos, entre as ruas e avenidas, e de um percurso que durou 20 minutos, desci finalmente na Plaça de Catalunya, onde me senti meio perdida e rodei a praça em seus 360°.

Afinal, havia chegado depois de uma viagem de dez horas e apesar do voo ter sido direto e super tranquilo, aquela zonzeira que misturava os horários ainda habitava em mim.

Finalmente, me pus no caminho do hostel, que ficava bem próximo à praça e cheguei diante de uma porta enorme de ferro e vidro que já devia datar de pelo menos um século.

Entrei no prédio junto com um morador e logo me deparei com um pitoresco elevador também de ferro, com porta manual, lindo demais.

Subi.

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O hostel escolhido, depois de muito pesquisar e reservar com alguns meses de antecedência pelo Booking.com, foi o Somnio Hostels Barcelona , na Rua Diputacio, 251, 2, Eixample, Barcelona uma excelente localização, ao lado do Passeig de Gràcia onde ficam os mais famosos palacetes que relatam, com sua arquitetura modernista, a glamorosa vida catalã no início do século XX.

Um hostel simples e acolhedor que, apesar de não ter área de convívio, foi uma excelente opção. Meu quarto era individual, pequeno mas confortável o suficiente, com banheiro compartilhado espaçoso e muito limpo. Mas o seu ponto alto mesmo é a localização.

Assim que cheguei me forneceram todas as chaves o que me deu liberdade de entrar e sair nos horários que escolhi para os passeios, alguns com tickets comprados pela internet, outros comprados direto nos guichês. Tudo perfeito.

É importante saber quais atrações são as mais concorridas para providenciar os tickets pela internet para evitar as filas. Eu não peguei fila nenhuma. Atentem-se para os sites oficiais: Park Güell , Sagrada Família , Casa Batlló e Casa Milá – La Pedrera . É importante comprar com alguma antecedência e fazer a reserva de horários.

*

Bem…

Recém chegada ao hostel, tomei um banho e caí pra rua. Devia ser umas cinco da tarde, o céu estava nebuloso e eu fui direto ao Passeig de Gràcia ver de perto a fachada da Casa Batlló. Sentei-me num banco e passei a observar cada caquinho do grande mosaico de sua fachada, estruturados ali meticulosamente, como no conjunto todo da obra do arquiteto.

20161112_103736 (1)Casa Batlló – Gaudí – Passeig de Gràcia, 43

Já estava com destino certo para saborear um Crema de Catalunya da tradicional Granja M. Viader … uma chocolateria fundada em 1870, que já percorreu 5 gerações de uma familia catalã, localizada muito próxima à La Rambla, umas das principais ruas da cidade, embora o lugar seja meio chatinho de achar, pesquise no Google Maps antes de sair de casa.

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20170731_175540.jpgGranja M. Viader – Carrer d’en Xuclà, 4/6

O próximo passo foi vasculiar cada cantinho da Plaça de Catalunya, após subir a La Rambla em meio a um montão de turistas desgovernados como formigas sem rumo, e ir “pra casa” descansar para o novo dia.

*

Segundo dia

Com o ticket já comprado e com reserva de horário feitos pela internet, o passeio principal do dia ficou por conta do palacete do Passeig de Gràcia, uma das principais obras do arquiteto catalão Gaudí, a Casa Batlló.

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Como o horário reservado para a visita era na parte da tarde, investi todo o dia para fazer um reconhecimento do centro histórico da cidade, começando pela Catedral Medieval.

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Com a fachada  neogótica  redefinida no século XIX, a Catedral em estilo gótico, foi construída entre os séculos XIII e XV sobre a antiga catedral românica que, por sua vez, já estava edificada sobre uma igreja da época visigoda  e esta precedeu a uma basílica paleocristã, cujos restos podem ser vistos no subsolo do Museu de História da Cidade  , ligado subterrâneamente ao prédio principal da Catedral. Abra os links se quiser se aprofundar na história dela.

O Museu de História da Cidade merece ser visitado, pois que eu …

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… infelizmente, não consegui fazer a visita completa, razão pela qual terei que voltar. 😂

Saindo da Catedral, me aprofundei no Barrio Gótico onde fica situada a juderia, com muitas lojinhas e bares dos comerciantes mais antigos do lugar, com seus prédios muito juntinhos, característico dos bairros judeus dos tempos da invasão islâmica em território Ibérico, no início do século VIII.

 

Eis que de repente, meu primeiro susto. A Igreja Santa Maria do Mar , magistralmente surge no meio dos pequenos prédios e com seu estilo medieval me tomou de assombro ao entrar, foi quase como retornar no tempo. Escura e sombria, guarda em sua arquitetura o ruído de sua época, de dominação cristã no apogeu da Idade Média, no século XIV.

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Igreja Santa Maria do Mar – Plaça de Santa Maria, 1 – Bairro da Ribeira – Barcelona

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Casa Batlló

Com hora marcada e ticket comprado, cheguei ao Passeig de Grácia pontualmente às 16:30h e entrei, apesar da pequena fila que já estava formada lá fora. Peguei o equipamento de audiovisual que já estava reservado no ingresso e comecei a minha jornada de arte, design e arquitetura que me aguardava a cada porta que se abria, a cada degrau que eu subia. A casa é realmente genial, e pra quem quiser saber um pouquinho sobre ela, o link está em azul no nome dela ali em cima. Gaudí deixou sua marca em todos os detalhes do palacete, e esse audiovisual que eles fornecem na entrada ajuda muito no entendimento da obra, mesmo estando em espanhol ou inglês. Há gravações em outros idiomas mas infelizmente não tem em português. Compre os ingressos no site oficial.

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Terceiro dia

O terceiro dia foi muito bem aproveitado, mas um pouco corrido. Acordei bem cedo pois concentrei duas das atividades com hora marcada, uma de manhã e outra à tarde, com um intervalo entre as duas para dar tempo de visitar uma terceira pelo caminho.

Peguei o metrô às 9h no Passeig de Gràcia, a poucos quarteirões do hostel e desci na Sagrada Família. Meu horário era 10:30h e eu não podia me atrasar.

Cheguei um pouco mais cedo e pude aproveitar o jardim em frente ao monumento. Sim, o Templo é um verdadeiro monumento.

A luz natural desse templo é algo indescritível, seus vitrais do lado do sol nascente são azuis e amarelos pra simbolizar as manhãs com o nascer do sol e do lado do sol poente são vermelhos e alaranjados e simbolizam o pôr do sol. Sendo assim, conforme o sol se movimenta do lado de fora os vidros refletem para dentro a cor do dia. É lindo demais. Existe um vão aberto acima da nave principal que deixa um facho de luz natural entrar para iluminar o Jesus crucificado que a adorna no exato centro do tempo. Suas colunas, que simbolizam as árvores gigantescas de uma floresta, são feitas com mármores de diferentes cores, que partem de várias nuances de cinzas até um vinho acinzentado e aos pares arregimentam suas simbologias.

Templo Espiatório da Sagrada Família

Em obras desde 1882, o templo foi a menina dos olhos de Gaudí que dedicou seus últimos 40 anos de vida a ela, onde fixou residência para poder respirá-la em sua integralidade. A deixou inacabada mas com a promessa de que a construção continuaria ininterruptamente, após a sua morte, com dinheiro de doações privadas e pela arrecadação da visitação pública.

E assim está sendo feito desde o atropelamento que o levou da vida, em 1926. A data estabelecida para a conclusão da obra é 2026, por ocasião do centenário da sua morte. Compre os ingressos no site oficial.

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Acabada a visita à Sagrada Família, para a qual devemos reservar um período aproximado de 2 horas, segui caminhando para mais uma atração mas eu não consegui comprar o ticket, pois estava esgotado. Deixei pra última hora e dancei. Mesmo assim, o prédio visto de fora é bem bonito. O Hospital de La Santa Creu i Sant Pau fica a 15 min de caminhada ao norte do templo e é considerado uma pérola do modernismo catalão. Tombado pelo Patrimônio Histórico da Unesco, está aberto à visitação e é menos assediado pelos turistas, mas como só tem visita guiada são colocados poucos convites à venda que é feita só pela internet e o Park Güell, meu segundo passeio com hora marcada do dia, fica ali perto, a poucos minutos de taxi. Apesar de o hospital não fazer parte do complexo das obras de Gaudí, vale muito a pena agendar a visita com alguma antecedência. Compre o ticket no site oficial.

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Partiu Park Güell. Bora pegar um taxi? …

*

Park Güell

Cheguei ao Park Güell meia hora antes do horário marcado. Como a entrada respeita um horário rigoroso, me sentei no jardim que o rodeia e comi meu lanchinho de baguete com jamón e salada que comprei na padaria perto do hostel, com suco de laranja. uma delícia… jamón de manhã, à tarde e à noite. 😂

Ao entrar no parque me encantei com a imensidão da obra de Gaudí mas ela é bem diferente do que eu esperava. Avistei dali o Mediterrâneo que eu ainda não conhecia. E dá pra ver também quase toda a cidade.

São milhões de caquinhos de porcelana revestindo dezenas de colunas brancas enormes e muros, e a escadaria superlotada de turistas traz um guardião, um calango gigante, tudo em mosaicos coloridos, característico de sua obra.

As duas casas muito fofas que deveriam servir para a administração e para a segurança no projeto inicial mais parecem casinhas de duentes, e acabaram livres para a visitação, são elas que adornam a saída do parque.

A obra de Gaudí tem como característica fundamental a arte de imitar a natureza. Assim como a inspiração para a Casa Batlló é o oceano, a Sagrada Família se inspira na selva, e o Park Güell, em sua parte mais rústica traz a inspiração em troncos e raízes.

O Park Güell nasceu pra ser um condomínio de luxo, de casas diferenciadas, no início do século XX. Mas após a construção de sua área externa, o projeto desandou porque as pessoas abastadas o achavam distante demais da cidade.

Alguns anos mais tarde, o dono da área resolveu doar o espaço para a cidade, para uso público. Nele foi construída uma escola que funciona até os dias atuais.

No parque também encontra-se a casa onde Gaudí foi morar por ocasião da construção e o seu atelier. Hoje essa casa é habitada pelo Museu Gaudí e é aberta para visitação. O ticket de visita ao parque não dá direito a visitar o Museu. Então lembre-se, se quiser visitar o Museu Gaudí você deve comprar os dois tickets. Compre os dois no site oficial.

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Então…

… mesmo com uma leve garoa, saí do parque e resolvi descer em caminhada para a cidade. Meu terceiro dia estava acabando, já era final de tarde e o melhor que tinha a fazer era sentir o aroma da cidade, por ruas e alamedas nada turísticas, fui sentindo como vivem as pessoas, nesta cidade onde se respira arte, num clima cosmopolita, onde o vai e vem de uma multidão de estrangeiros vai se misturando aos moradores, que também podem ter vindo de fora pra desfrutar da qualidade de vida invejável que se tem nesse lugar.

E eu descendo pelas ruas da Gràcia e pensando… – são múltiplos os idiomas e as nacionalidades que a cidade acolhe, como se nascesse para ser anfitriã.

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Cheguei finalmente ao Passeig de Gràcia. Mortinha… parei no botecão Tapas e Tapas pedi uma cerveja com as tais tapas 😆, e para minha alegria era quarta-feira e o Barça estava jogando contra o Manchester, um jogão pelo campeonato europeu e eu ali, em meio aos torcedores fechei o meu dia com chave de ouro: gool do Neymar.

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Quarto dia

Depois de uma manhã de descanso, pois o dia anterior havia sido intenso, e apesar de a quinta-feira amanhecer um pouco chuvosa eu tirei o dia para fazer os passeios de CityTour.

Saí do hostel por volta da hora do almoço e fui direto ao Mercado da Boqueria, um mercado que se tornou um ponto turístico tradicional onde você pode degustar pratos sofisticados de maneira infornal, num espaço que espelha um pouco da rotina da cidade.

Paella vegetariana – La Boqueria

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O CityTour é um passeio imperdível, que normalmente deve ser feito logo no primeiro dia, pois ajuda na exploração da cidade e de seus principais pontos turísticos.

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No sistema hop on – hop off, faz com que a gente possa descer nas paradas para fazer o reconhecimento do lugar ou mesmo antecipar alguma visita a algum ponto turístico mais distante da cidade, e subir no próximo, desde que respeitando os pontos de parada e os dias de validade. O ticket vale por um ou dois dias, a escolha é sua na hora de comprar. Se tiver tempo, pode comprar pra dois dias. Fazer os percursos completos no primeiro dia escolhendo os pontos de interesse e, no segundo, fazer o tour parando para visitar as atrações escolhidas. Importante ressaltar que uma viagem de poucos dias nunca será suficiente para conhecer tudo, é preciso ter em mente as prioridades. Não há necessidade de comprar com antecedência, mas isto é possível e sempre recomendo escolher o site oficial.

Passei um dia muito agradável, visualizando vários lugares que eu não iria visitar desta vez, e que são lugares lindos e que valem cada ponto do passeio.

20170812_162307Museu Fundação Joan Miró

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20170812_164516Prédio do Correio

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Terminado os passeios de CityTour, mesmo com a temperatura baixa e a leve garoa que surpreendia de tempo em tempo, e de volta ao Passeig de Gràcia, resolvi dar uma olhada na Fachada da Casa Milà para fazer umas fotos, já que não havia comprado ticket antecipado para a visitação. Já era final de tarde, a garoa havia dado uma trégua, e ao chegar em frente à atração, percebi que não havia filas, e consegui comprar para as 18h direto na bilheteria.

Subi para o restaurante que funciona ali ao lado e fiz um lanchinho delicioso para esperar o horário da visita.

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Casa Milà – La Pedrera

Chegando a hora reservada, desci para a rua ao lado e entrei no prédio da Casa Milà que, das obras de Gaudí, foi a que mais me impressionou, depois da Sagrada Família.

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Antes de começar a falar sobre o quinto dia eu preciso fazer um adendo sobre como o Universo conspira para grandes encontros.

Poucos dias antes do embarque descobri que duas primas queridas estariam percorrendo, coincidentemente, o mesmo roteiro que eu, e que percorreriam de carro, na costa sul da Espanha, os chamados Pueblos Blancos, lugares que eu não conseguiria chegar de trem.

E acabamos por adaptar parte dos nossos roteiros para fazer desse trecho, uma convivência que não tínhamos desde crianças.

Tirei do meu plano de viagem minha estada em Córdoba e uma noite em Granada, e elas adicionaram no delas um bate e volta de Sevilla a Córdoba para visitarmos a Mesquita.

E nos dias que me sobraram com esse corte, viajamos juntas para Nerja e Marbella, de passagem, Vejer de la Frontera numa parada com pernoite inesquecível, e Cádiz, antes de chegarmos a Sevilla.

Elas chegariam em Barcelona dois dias após a minha chegada mas só nos encontrarímos no último dia antes da partida para Madrid.

E foi.

*

Quinto dia

Pela manhã, arrumei a mochila e já deixei tudo meio ajeitado pois esse seria meu último dia na cidade.

Ainda faltava muita coisa pra ser visto mas eu teria que ser seletiva pois o tempo estava acabando. Eu ainda tinha que visitar o Museu Picasso e o Palau de la Música Catalã, duas das atrações imperdíveis de Barcelona e eu teria que me apressar.

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Palau de la Música Catalã

Segui para o Palau de la Música Catalã e comprei o ticket da visita guiada para as 13:30h direto na bilheteria. Por sorte, consegui horário sem fazer reserva antecipada.

Almocei ali mesmo, enquanto aguardava pois o restaurante era bem agradável e fazia parte do prédio do palácio que é simplesmente de tirar o fôlego.

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Às 13:30h em ponto eu entrei. Difícil é explicar como ele é. A sala de espetáculos é lindíssima, minuciosamente detalhada, com vitrais, esculturas e muita simbologia nas paredes, nos adornos e nas colunas.

 

O projeto, concebido por Montaner, traz algumas semalhanças com Gaudí, pois que os dois, grandes arquitetos catalães além de contemporâneos marcaram, no estilo modernista, as suas obras.

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No final da tarde, me encontraria com minhas primas no hotel onde já se hospedavam há alguns dias e precisavamos acertar os detalhes da viagem a Madrid que, por coincidência, havíamos marcado para o mesmo dia.

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Museu Picasso

Da saída do Palau de la Música Catalã, tive um pouco de dificuldade para encontrar o Museu Picasso. Não é muito longe mas as ruas do Barrio Gótico são muito parecidas e eu estava sem o mapa no celular. Havia visualizado o caminho antes de sair do hostel mas acabei fotografando muito no Palácio da Música, que acabei ficando com pouquíssima bateria no celular. Desci em direção à praia, passei da rua, fui parar na avenida beira mar, subi, demorei pra encontrar, a bateria do celular acabou e quando encontrei, havia uma fila considerável para entrar no museu mas encarei.

A visitação foi complicada, o museu estava cheio, a sexta-feira já se esvaia, meu tempo estava esgotando, minha programação para ele foi nenhuma, não consegui fotografar, nem ver nada direito. Fiquei um pouco fóbica lá dentro,  apesar do museu ser bem clean, mas eu já estava com síndrome da viagem do dia seguinte, ainda precisava decidir o horário do trem e reservar a passagem pelo Rail Europe,    minhas primas já estariam me esperando para nosso encontro do final da tarde e eu não queria admitir que estava me sentindo mal; resolvi ir embora. Reservarei um tempo maior para ele na minha próxima ida à cidade, uma boa razão pra voltar.

Com isso eu aprendi que, numa viagem longa, nem tudo é como programamos. Que imprevistos acontecem e que nosso corpo precisa de descanso. O Museu Picasso é bem bonito, vale a pena ser visitado, pois as obras desse grande mestre espanhol não podem ficar de fora de roteiro algum.

Picasso e Miró ficaram para a próxima, quando pretendo incluir um bate e volta à cidade de Figueres, uma hora de trem de Barcelona, para conhecer o Museu Dalí. Para conhecer um pouco da história do museu basta clicar .

Por fim… ponto pra Gaudí.

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Essas são as minhas primas… Cádiz – 30 de outubro de 2016. Carmen e Soninha …

Daqui pra frente esta história será contada no plural, porque essa parte da viagem foi plural. Apesar de sermos muito amigas desde sempre, nunca tínhamos tido uma experiência tão íntima, uma convivência tão próxima, de dias tão divertidos. Essa foto diz tudo… mas essa é uma outra história.

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Fui ao encontro de minhas primas no hotel onde já estavam à minha espera. Desci pela Barceloneta e segui acompanhando o Mediterrâneo algumas quadras até encontrar o endereço. As duas, Carmen e Sonia me aguardavam no lounge tomando um drink e logo fomos para a rua.

Encontrá-las foi uma delicia depois desses meus dias solitários em contato apenas com a cidade e sua arte.

Fizemos um passeio pelo cais, região ainda inexplorada desse meu roteiro, que eu já não sabia mais dizer se estava por terminar ou apenas começando. Barcelona já me deixava uma grande saudade antes mesmo da nossa partida.

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Carmen, Sonia e eu – 21 de outubro de 2016

(ps: a Carmen é a fotógrafa oficial, por isso aparece menos).

De regresso ao hotel, subimos ao apartamento, brindamos com Campari ao nosso encontro, descemos para o bar para “unas tapas con jamón e cerveza” e para dar início à traquinagem, fomos chamadas ao pequeno palco para dar sotaque brasileiro à “Garota de Ipanema” que seria cantada pela banda em nossa homenagem. (Não temos imagens, ainda bem!)

Marcamos as passagens, subimos por La Rambla até a Plaça de Catalunya, elas desceram de volta e eu segui para o meu hostel, a me despedir das ruas e calçadas que tão bem me receberam feito Cinderela, pois já era meia-noite e o trem partiria às 11 da manhã.

Deixei em Barcelona um pedacinho de mim…

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(Eu estava por terminar esta edição quando algo terrível aconteceu em Barcelona, tive que parar o trabalho por uns dias porque a emoção me impediu de continuar, deixo aqui o meu coração cheio de amor a essa cidade que tanto me encantou e que hoje sofre a dor do terror sem fronteiras).

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Próxima parada:

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Sandra Barbosa de Oliveira

Infinite Blue

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The ambience is dark, half lights lighten the tables around. A woman’s voice sings a beautiful song where people dance. They are dining, the place is extremely nice. Some of them are toasting and there’s my hero standing on his back, looking at the dance floor and following the music in a gentle swing. I move there, I can feel his loneliness again among the many people, the movement of his body causes me heat and I, levitating to meet him, I can imagine his perfume. The environment is bluish and reminds me of the sky, as if he were the only angel, exhaling the aroma of wood and musk that makes me serious. And I lose my mind. This man is everything, on the island of Mykonos, in Greece, as a god! …

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O ambiente é escuro, meias luzes clareiam as mesas ao redor. Uma voz de mulher canta uma música linda onde as pessoas dançam. Eles estão jantando, o lugar é extremamente agradável. Alguns deles estão brindando e ali está o meu herói, em pé, de costas, olhando pra pista de dança e acompanhando a música num suave balanço. Eu me transporto até lá, posso sentir novamente a sua solidão entre as tantas pessoas, o movimento do corpo me causa calor e eu, levitando ao seu encontro, fico a imaginar seu perfume. O ambiente é azulado e me faz lembrar o céu, como se ele fosse o único anjo, a exalar o aroma de madeira e almiscar que me tira do sério. E eu perco a cabeça. Esse homem é tudo, na Ilha de Mikonos, na Grécia, como um deus! …

(sandra barbosa de oliveira)

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Engin Akyürek

Arte, beleza, Contos, Contos e crônicas, crônica, Crônicas, Cultura, Educação, Literatura, Sandra Barbosa de Oliveira

Fotografia de Coimbra

(José Luís Peixoto)

“Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde. Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra. Coimbra são fotografias reveladas de um rolo antigo, esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos, Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater, e esse é um milagre de deus que transcende deus.”

(Fotografia de Coimbra – Gaveta de Papéis)

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https://go.hotmart.com/B6166112W

Arte, beleza, Cultura, Educação, fotografia, momentos, Sandra Barbosa de Oliveira

infinita impossibilidade

(Sandra Barbosa de Oliveira)

o poeta encanta
enquanto canta
mantra
em versos
canto escuro como um manto

encantado o véu assim
no entardecer do céu
do sol se pôr
por tanto
azul a iluminar minar
da água azul também
fazer brilhar

o poeta enquanto canta
o mantra em céu
a escoar da chuva
em pleno pôr do sol
no entardecer
lilás molhado
o santo manto
azul transformado
mina também
no anoitecer do seu canto
triste algum lugar
escuro azul

e o poeta canta
encanta estrela em verso
eterno amor
infinita impossibilidade
do canto triste
a desvendar caminho
como seguir seu sonho
a naufragar poemas

*

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Cuca Roseta – Igreja Santa Maria de Óbidos

Óbidos é a sede do município de mesmo nome, situado no distrito de Leiria, região central de Portugal. Sua grande atração é a Vila Medieval, que conta com cerca de 2200 habitantes e é hoje importante polo turístico da região.

Seus primeiros achados datam da Invasão Romana na península Ibérica, em tempos de César Augusto, no século I a.C., com referências bibliográficas remetidas ao século I, na obra “Naturalis Historia” de Plínio, o velho, onde foi citada.

Seu nome deriva do termo latino “ópido”, que significa cidadela. E é conceituada como a cidade literária.

Reza a lenda que a Igreja Santa Maria de Óbidos tenha sido construída no período visigótico e, depois de ser transformada em mesquita no período de dominação mulçumana, voltou ao poder da Igreja Romana, em 1148, pelas mão de D. Afonso Henriques.

Aos finais do século XV, ela passou por uma reedificação, pois que apresentava-se em completa ruína, promovida, quem sabe, por um possível terremoto, anterior ao de 1755 que devastou Lisboa e toda a região sul de Portugal.

E foi na Igreja Santa Maria de Óbidos, que no sábado, 03 de junho último, a maior cantora de fado da atualidade, Cuca Roseta, subiu ao altar em seu tradicionalíssimo casamento, e nos presenteou com essa interpretação impecável de Ave Maria, que fica aqui para celebrar o que é Portugal.

Conhecer Óbidos é paragem obrigatória para quem visita Portugal. Simplesmente inesquecível.

Portugal, minha paixão!

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