Sandra Barbosa de Oliveira

O homem de Istambul

Tarde da noite.
Eu em sonho a andar pelas ruas da cidade pra lá da ponte. E eis que avisto um alguém, num certo destino, caminhando também. Mãos nos bolsos, passos largos, sombra esguia, esse é o homem.

As luzes da ponte refletem seus olhos no brilho do azul… que ilumina a cidade com suas torres ostentadas para o c√©u… e em meu cora√ß√£o rebate.

Meu pensar atravessa as paisagens escuras das ruas boêmias com gente bebendo e cantando, nas calçadas felizes.

Seu movimento me faz crer uma dan√ßa e eu me entrego em seus bra√ßos, sorrindo e girando num passo de valsa… como ao sopro do vento… que me traz seu perfume em fragr√Ęncias de madeira e alm√≠scar… e me embreaga o sono.

Este ser na cidade é o que eu tanto procuro na história do sonho. E eu o sigo buscando, mesmo tarde da noite.

*

Late night.

In my dreams, I walk the streets of the city beyond the bridge. And then I see a person in a certain destination, walking as well.

Hands in pockets, long footsteps, slender shadow, that’s the man.

The lights of the bridge reflect in his eyes a glint of blue, which illuminates the city with its towers to the sky, and in my heart rebates.

My thoughts traverse the dark landscapes of the bohemian streets with people drinking and singing on the happy sidewalks.

The movement makes me suppose in dance and I surrender in his arms, smiling and spinning, as in the waltz step. And the breath of the wind brings me his scent of wood and musk that destroys my sleep.

I’m looking at the history of dream. And I search for him until late at night.

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sandra barbosa de oliveira

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Sandra Barbosa de Oliveira

O menino do sonho

Eu sonho com um menino todas as noites. Ele me estende a mão e me chama pra correr por entre colinas e entre os carros nas avenidas largas. Ele vai à minha frente, me puxando pela mão até uma esquina, a partir da qual não se enxerga mais nada. E ali fica parado minutos a fio. A neblina é muito densa. Mas ouvimos crianças cantando cantigas de roda não muito distantes. A vida dessas crianças é um mistério. Ele está querendo me mostrar alguma coisa que eu não consigo ver.
D√° pra sentir os aromas da terra que chegam de l√°, eu me encanto com a imensid√£o do nevoeiro mas n√£o consigo atravessar. Minha perna estremece e o menino me leva de volta pra casa.
Todas as noites ele vem me visitar e fazemos o mesmo trajeto at√© a esquina sombria. No caminho de volta, o menino cresce e me entrega uma flor. Ao chegarmos √† porta, ele se despede e despeja eleg√Ęncia at√© se perder de vista. E todas as noites ele canta pra mim, me faz serenatas, me encanta e me beija. E me leva pra casa, depois dos minutos na esquina vazia. E todas as noites ele chega na porta, vai entrando sem bater e n√£o me leva √† esquina. E n√£o me traz mais de volta, e n√£o me deixa sentir os aromas da terra, e n√£o corremos mais por entre as colinas, e dos carros eu s√≥ ou√ßo as buzinas do lado de fora. E todas as noites eu sonho com ele, que chuta minha porta, que eu me tranco no quarto, que s√≥ escuto seus gritos. Se despiu da eleg√Ęncia, se entregou pra bebida mergulhando em perfumes das outras mulheres. E o menino que cresce, envelhece em meu sonho, e eu o levo pra rua, e por entre as colinas eu esque√ßo o seu nome, e por entre as cal√ßadas n√£o lembro mais nada. E ao chegarmos na esquina, pe√ßo a ele que v√°. E por entre a neblina, e as cantigas de roda, e os aromas da terra, e as crian√ßas brincando, ele se esvai na densidade da n√©voa e meu dia amanhece.
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sandra barbosa de oliveira

Sandra Barbosa de Oliveira

Backpacking – Barcelona

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Viajar é uma das coisas mais maravilhosas da vida. E viajar sozinho é um encontro consigo mesmo, coisa inigualável, principalmente depois de certa idade.

Muitos desencontros me fizeram adiar meus sonhos, mas o mundo dá voltas, retorce realidades e acaba por fazer justiça. Tornei-me merecedora de carteirinha.

Tudo o que precisamos para começar é de uma mochila nas costas, porque nunca devemos levar o que não conseguimos carregar.

E foi mochilando que eu descobri o que eu quero fazer da vida, que apesar da minha idade eu sou uma mulher de espírito jovem e é assim que vou agraciando a minha autoestima.

Tive um reencontro com a minha meninice, com meu passado… com tudo aquilo que eu havia deixado pra tr√°s… me encontrei. Foi realmente fascinante, uma liberta√ß√£o.

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Barcelona

Depois de desembarcar em Barcelona, meu primeiro ch√£o na Europa, sozinha aos 58 anos… explorei a cidade, mergulhei nos encantos da obra de Gaud√≠, caminhei pelas ruas lotadas de turistas, andei por cantos com escolas, mercadinhos e lojas onde s√≥ mesmo os moradores conseguem frequentar.

Vislumbrei as belezas, os monumentos, as constru√ß√Ķes medievais e a arquitetura modernista. A praia, o Mediterr√Ęneo, a arte, a gastronomia e principalmente, os aromas.

Me comuniquei super bem em espanhol e até em língua Catalã com lojistas, atendentes e visitantes de todas as partes do mundo porque havia me preparado um pouco pra isso apesar de não ter domínio nenhum sobre o idioma. Barcelona é uma cidade acolhedora, que te deixa com vontade de ficar.

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IMG_20170611_043937_881 El Prat РBarcelona  Р17 de outubro de 2016

*

Primeiro dia

Deixei o El Prat, (vindo do Brasil num voo da Latam – M√ļltiplos fidelidade¬†e logo que peguei a bagagem, um Aerob√ļs¬†(o √īnibus que faz a linha do aeroporto ao centro), que j√° estava estacionado no terminal logo ao lado, me deixou no centro da cidade.

20170812_130914¬†Aerob√ļs – mais informa√ß√Ķes

Poderia ter escolhido ir de trem ou taxi mas preferi o √īnibus para j√° ir me ambientando ao movimento, acompanhando pela janela os caminhos, entre as ruas e avenidas, e de um percurso que durou 20 minutos, desci finalmente na Pla√ßa de Catalunya, onde me senti meio perdida e rodei a pra√ßa em seus 360¬į.

Afinal, havia chegado depois de uma viagem de dez horas e apesar do voo ter sido direto e super tranquilo, aquela zonzeira que misturava os hor√°rios ainda habitava em mim.

Finalmente, me pus no caminho do hostel, que ficava bem próximo à praça e cheguei diante de uma porta enorme de ferro e vidro que já devia datar de pelo menos um século.

Entrei no prédio junto com um morador e logo me deparei com um pitoresco elevador também de ferro, com porta manual, lindo demais.

Subi.

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O hostel escolhido, depois de muito pesquisar e reservar com alguns meses de antecedência pelo Booking.com, foi o Somnio Hostels Barcelona , na Rua Diputacio, 251, 2, Eixample, Barcelona uma excelente localização, ao lado do Passeig de Gràcia onde ficam os mais famosos palacetes que relatam, com sua arquitetura modernista, a glamorosa vida catalã no início do século XX.

Um hostel simples e acolhedor que, apesar de não ter área de convívio, foi uma excelente opção. Meu quarto era individual, pequeno mas confortável o suficiente, com banheiro compartilhado espaçoso e muito limpo. Mas o seu ponto alto mesmo é a localização.

Assim que cheguei me forneceram todas as chaves o que me deu liberdade de entrar e sair nos horários que escolhi para os passeios, alguns com tickets comprados pela internet, outros comprados direto nos guichês. Tudo perfeito.

√Č importante saber quais atra√ß√Ķes s√£o as mais concorridas para providenciar os tickets pela internet para evitar as filas. Eu n√£o peguei fila nenhuma. Atentem-se para os sites oficiais: Park G√ľell , Sagrada Fam√≠lia , Casa Batll√≥ e Casa Mil√° – La Pedrera . √Č importante comprar com alguma anteced√™ncia e fazer a reserva de hor√°rios.

*

Bem…

Recém chegada ao hostel, tomei um banho e caí pra rua. Devia ser umas cinco da tarde, o céu estava nebuloso e eu fui direto ao Passeig de Gràcia ver de perto a fachada da Casa Batlló. Sentei-me num banco e passei a observar cada caquinho do grande mosaico de sua fachada, estruturados ali meticulosamente, como no conjunto todo da obra do arquiteto.

20161112_103736 (1)Casa Batlló РGaudí РPasseig de Gràcia, 43

J√° estava com destino certo para saborear um Crema de Catalunya da tradicional Granja M. Viader … uma chocolateria fundada em 1870, que j√° percorreu 5 gera√ß√Ķes de uma familia catal√£, localizada muito pr√≥xima √† La Rambla, umas das principais ruas da cidade, embora o lugar seja meio chatinho de achar, pesquise no Google Maps antes de sair de casa.

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20170731_175540.jpgGranja M. Viader – Carrer d’en Xucl√†, 4/6

O pr√≥ximo passo foi vasculiar cada cantinho da Pla√ßa de Catalunya, ap√≥s subir a La Rambla em meio a um mont√£o de turistas desgovernados como formigas sem rumo, e ir “pra casa” descansar para o novo dia.

*

Segundo dia

Com o ticket já comprado e com reserva de horário feitos pela internet, o passeio principal do dia ficou por conta do palacete do Passeig de Gràcia, uma das principais obras do arquiteto catalão Gaudí, a Casa Batlló.

20170808_194355As colunas da casa em formato de ossos humanos são um espetáculo à parte.

Como o horário reservado para a visita era na parte da tarde, investi todo o dia para fazer um reconhecimento do centro histórico da cidade, começando pela Catedral Medieval.

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Com a fachada ¬†neog√≥tica ¬†redefinida¬†no s√©culo XIX, a Catedral em¬†estilo g√≥tico, foi constru√≠da entre os s√©culos¬†XIII¬†e¬†XV sobre a antiga catedral rom√Ęnica¬†que, por sua vez, j√° estava edificada sobre uma igreja da √©poca visigoda¬† e esta precedeu a uma bas√≠lica paleocrist√£, cujos restos podem ser vistos no subsolo do Museu de Hist√≥ria da Cidade ¬†, ligado subterr√Ęneamente ao pr√©dio principal da Catedral. Abra os links se quiser se aprofundar na hist√≥ria dela.

O Museu de Hist√≥ria da Cidade merece ser visitado, pois que eu …

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… infelizmente, n√£o consegui fazer a visita completa, raz√£o pela qual terei que voltar. ūüėā

Saindo da Catedral, me aprofundei no Barrio G√≥tico onde fica situada a juderia, com muitas lojinhas e bares dos comerciantes mais antigos do lugar, com seus pr√©dios muito juntinhos, caracter√≠stico dos bairros judeus dos tempos da invas√£o isl√Ęmica em territ√≥rio Ib√©rico, no in√≠cio do s√©culo VIII.

 

Eis que de repente, meu primeiro susto. A Igreja Santa Maria do Mar , magistralmente surge no meio dos pequenos prédios e com seu estilo medieval me tomou de assombro ao entrar, foi quase como retornar no tempo. Escura e sombria, guarda em sua arquitetura o ruído de sua época, de dominação cristã no apogeu da Idade Média, no século XIV.

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Igreja Santa Maria do Mar РPlaça de Santa Maria, 1 РBairro da Ribeira РBarcelona

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Casa Batlló

Com hora marcada e ticket comprado, cheguei ao Passeig de Gr√°cia pontualmente √†s 16:30h e entrei, apesar da pequena fila que j√° estava formada l√° fora. Peguei o equipamento de audiovisual que j√° estava reservado no ingresso e comecei a minha jornada de arte, design e arquitetura que me aguardava a cada porta que se abria, a cada degrau que eu subia. A casa √© realmente genial, e pra quem quiser saber um pouquinho sobre ela, o link est√° em azul no nome dela ali em cima. Gaud√≠ deixou sua marca em todos os detalhes do palacete, e esse audiovisual que eles fornecem na entrada ajuda muito no entendimento da obra, mesmo estando em espanhol ou ingl√™s. H√° grava√ß√Ķes em outros idiomas mas infelizmente n√£o tem em portugu√™s. Compre os ingressos no¬†site oficial.

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Terceiro dia

O terceiro dia foi muito bem aproveitado, mas um pouco corrido. Acordei bem cedo pois concentrei duas das atividades com hora marcada, uma de manhã e outra à tarde, com um intervalo entre as duas para dar tempo de visitar uma terceira pelo caminho.

Peguei o metr√ī √†s 9h no Passeig de Gr√†cia, a poucos quarteir√Ķes do hostel e desci na Sagrada Fam√≠lia. Meu hor√°rio era 10:30h e eu n√£o podia me atrasar.

Cheguei um pouco mais cedo e pude aproveitar o jardim em frente ao monumento. Sim, o Templo é um verdadeiro monumento.

A luz natural desse templo √© algo indescrit√≠vel, seus vitrais do lado do sol nascente s√£o azuis e amarelos pra simbolizar as manh√£s com o nascer do sol e do lado do sol poente s√£o vermelhos e alaranjados e simbolizam o p√īr do sol. Sendo assim, conforme o sol se movimenta do lado de fora os vidros refletem para dentro a cor do dia. √Č lindo demais. Existe um v√£o aberto acima da nave principal que deixa um facho de luz natural entrar para iluminar o Jesus crucificado que a adorna no exato centro do tempo. Suas colunas, que simbolizam as √°rvores gigantescas de uma floresta, s√£o feitas com m√°rmores de diferentes cores, que partem de v√°rias nuances de cinzas at√© um vinho acinzentado e aos pares arregimentam suas simbologias.

Templo Espiatório da Sagrada Família

Em obras desde 1882, o templo foi a menina dos olhos de Gaud√≠ que dedicou seus √ļltimos 40 anos de vida a ela, onde fixou resid√™ncia para poder respir√°-la em sua integralidade. A deixou inacabada mas com a promessa de que a constru√ß√£o continuaria ininterruptamente, ap√≥s a sua morte, com dinheiro de doa√ß√Ķes privadas e pela arrecada√ß√£o da visita√ß√£o p√ļblica.

E assim está sendo feito desde o atropelamento que o levou da vida, em 1926. A data estabelecida para a conclusão da obra é 2026, por ocasião do centenário da sua morte. Compre os ingressos no site oficial.

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Acabada a visita √† Sagrada Fam√≠lia, para a qual devemos reservar um per√≠odo aproximado de 2 horas, segui caminhando para mais uma atra√ß√£o mas eu n√£o consegui comprar o ticket, pois estava esgotado. Deixei pra √ļltima hora e dancei. Mesmo assim, o pr√©dio visto de fora √© bem bonito. O Hospital de La Santa Creu i Sant Pau fica a 15 min de caminhada ao norte do templo e √© considerado uma p√©rola do modernismo catal√£o. Tombado pelo Patrim√īnio Hist√≥rico da Unesco, est√° aberto √† visita√ß√£o e √© menos assediado pelos turistas, mas como s√≥ tem visita guiada s√£o colocados poucos convites √† venda que √© feita s√≥ pela internet e o Park G√ľell, meu segundo passeio com hora marcada do dia, fica ali perto, a poucos minutos de taxi. Apesar de o hospital n√£o fazer parte do complexo das obras de Gaud√≠, vale muito a pena agendar a visita com alguma anteced√™ncia.¬†Compre o ticket no site oficial.

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Partiu Park G√ľell. Bora pegar um taxi? …

*

Park G√ľell

Cheguei ao Park G√ľell meia hora antes do hor√°rio marcado. Como a entrada respeita um hor√°rio rigoroso, me sentei no jardim que o rodeia e comi meu lanchinho de baguete com jam√≥n e salada que comprei na padaria perto do hostel, com suco de laranja. uma del√≠cia… jam√≥n de manh√£, √† tarde e √† noite. ūüėā

Ao entrar no parque me encantei com a imensid√£o da obra de Gaud√≠ mas ela √© bem diferente do que eu esperava. Avistei dali o Mediterr√Ęneo que eu ainda n√£o conhecia. E d√° pra ver tamb√©m quase toda a cidade.

S√£o milh√Ķes de caquinhos de porcelana revestindo dezenas de colunas brancas enormes e muros, e a escadaria superlotada de turistas traz um guardi√£o, um calango gigante, tudo em mosaicos coloridos, caracter√≠stico de sua obra.

As duas casas muito fofas que deveriam servir para a administração e para a segurança no projeto inicial mais parecem casinhas de duentes, e acabaram livres para a visitação, são elas que adornam a saída do parque.

A obra de Gaud√≠ tem como caracter√≠stica fundamental a arte de imitar a natureza. Assim como a inspira√ß√£o para a Casa Batll√≥ √© o oceano, a Sagrada Fam√≠lia se inspira na selva, e o Park G√ľell, em sua parte mais r√ļstica traz a inspira√ß√£o em troncos e ra√≠zes.

O Park G√ľell nasceu pra ser um condom√≠nio de luxo, de casas diferenciadas, no in√≠cio do s√©culo XX. Mas ap√≥s a constru√ß√£o de sua √°rea externa, o projeto desandou porque as pessoas abastadas o achavam distante demais da cidade.

Alguns anos mais tarde, o dono da √°rea resolveu doar o espa√ßo para a cidade, para uso p√ļblico. Nele foi constru√≠da uma escola que funciona at√© os dias atuais.

No parque também encontra-se a casa onde Gaudí foi morar por ocasião da construção e o seu atelier. Hoje essa casa é habitada pelo Museu Gaudí e é aberta para visitação. O ticket de visita ao parque não dá direito a visitar o Museu. Então lembre-se, se quiser visitar o Museu Gaudí você deve comprar os dois tickets. Compre os dois no site oficial.

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Ent√£o…

… mesmo com uma leve garoa, sa√≠ do parque e resolvi descer em caminhada para a cidade. Meu terceiro dia estava acabando, j√° era final de tarde e o melhor que tinha a fazer era sentir o aroma da cidade, por ruas e alamedas nada tur√≠sticas, fui sentindo como vivem as pessoas, nesta cidade onde se respira arte, num clima cosmopolita, onde o vai e vem de uma multid√£o de estrangeiros vai se misturando aos moradores, que tamb√©m podem ter vindo de fora pra desfrutar da qualidade de vida invej√°vel que se tem nesse lugar.

E eu descendo pelas ruas da Gr√†cia e pensando… – s√£o m√ļltiplos os idiomas e as nacionalidades que a cidade acolhe, como se nascesse para ser anfitri√£.

*

Cheguei finalmente ao Passeig de Gr√†cia. Mortinha… parei no botec√£o Tapas e Tapas pedi uma cerveja com as tais tapas ūüėÜ, e para minha alegria era quarta-feira e o Bar√ßa estava jogando contra o Manchester, um jog√£o pelo campeonato europeu e eu ali, em meio aos torcedores fechei o meu dia com chave de ouro: gool do Neymar.

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Quarto dia

Depois de uma manh√£ de descanso, pois o dia anterior havia sido intenso, e apesar de a quinta-feira amanhecer um pouco chuvosa eu tirei o dia para fazer os passeios de CityTour.

Saí do hostel por volta da hora do almoço e fui direto ao Mercado da Boqueria, um mercado que se tornou um ponto turístico tradicional onde você pode degustar pratos sofisticados de maneira infornal, num espaço que espelha um pouco da rotina da cidade.

Paella vegetariana – La Boqueria

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O CityTour é um passeio imperdível, que normalmente deve ser feito logo no primeiro dia, pois ajuda na exploração da cidade e de seus principais pontos turísticos.

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No sistema hop on – hop off, faz com que a gente possa descer nas paradas para fazer o reconhecimento do lugar ou mesmo antecipar alguma visita a algum ponto tur√≠stico mais distante da cidade, e subir no pr√≥ximo, desde que respeitando os pontos de parada e os dias de validade. O ticket vale por um ou dois dias, a escolha √© sua na hora de comprar. Se tiver tempo, pode comprar pra dois dias. Fazer os percursos completos no primeiro dia escolhendo os pontos de interesse e, no segundo, fazer o tour parando para visitar as atra√ß√Ķes escolhidas. Importante ressaltar que uma viagem de poucos dias nunca ser√° suficiente para conhecer tudo, √© preciso ter em mente as prioridades. N√£o h√° necessidade de comprar com anteced√™ncia, mas isto √© poss√≠vel e sempre recomendo escolher o site oficial.

Passei um dia muito agrad√°vel, visualizando v√°rios lugares que eu n√£o iria visitar desta vez, e que s√£o lugares lindos e que valem cada ponto do passeio.

20170812_162307Museu Fundação Joan Miró

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20170812_164516Prédio do Correio

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Terminado os passeios de CityTour, mesmo com a temperatura baixa e a leve garoa que surpreendia de tempo em tempo, e de volta ao Passeig de Gràcia, resolvi dar uma olhada na Fachada da Casa Milà para fazer umas fotos, já que não havia comprado ticket antecipado para a visitação. Já era final de tarde, a garoa havia dado uma trégua, e ao chegar em frente à atração, percebi que não havia filas, e consegui comprar para as 18h direto na bilheteria.

Subi para o restaurante que funciona ali ao lado e fiz um lanchinho delicioso para esperar o hor√°rio da visita.

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Casa Milà РLa Pedrera

Chegando a hora reservada, desci para a rua ao lado e entrei no prédio da Casa Milà que, das obras de Gaudí, foi a que mais me impressionou, depois da Sagrada Família.

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Antes de começar a falar sobre o quinto dia eu preciso fazer um adendo sobre como o Universo conspira para grandes encontros.

Poucos dias antes do embarque descobri que duas primas queridas estariam percorrendo, coincidentemente, o mesmo roteiro que eu, e que percorreriam de carro, na costa sul da Espanha, os chamados Pueblos Blancos, lugares que eu n√£o conseguiria chegar de trem.

E acabamos por adaptar parte dos nossos roteiros para fazer desse trecho, uma convivência que não tínhamos desde crianças.

Tirei do meu plano de viagem minha estada em Córdoba e uma noite em Granada, e elas adicionaram no delas um bate e volta de Sevilla a Córdoba para visitarmos a Mesquita.

E nos dias que me sobraram com esse corte, viajamos juntas para Nerja e Marbella, de passagem, Vejer de la Frontera numa parada com pernoite inesquecível, e Cádiz, antes de chegarmos a Sevilla.

Elas chegariam em Barcelona dois dias ap√≥s a minha chegada mas s√≥ nos encontrar√≠mos no √ļltimo dia antes da partida para Madrid.

E foi.

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Quinto dia

Pela manh√£, arrumei a mochila e j√° deixei tudo meio ajeitado pois esse seria meu √ļltimo dia na cidade.

Ainda faltava muita coisa pra ser visto mas eu teria que ser seletiva pois o tempo estava acabando. Eu ainda tinha que visitar o Museu Picasso e o Palau de la M√ļsica Catal√£, duas das atra√ß√Ķes imperd√≠veis de Barcelona e eu teria que me apressar.

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Palau de la M√ļsica Catal√£

Segui para o Palau de la M√ļsica Catal√£ e comprei o ticket da visita guiada para as 13:30h direto na bilheteria. Por sorte, consegui hor√°rio sem fazer reserva antecipada.

Almocei ali mesmo, enquanto aguardava pois o restaurante era bem agrad√°vel e fazia parte do pr√©dio do pal√°cio que √© simplesmente de tirar o f√īlego.

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Às 13:30h em ponto eu entrei. Difícil é explicar como ele é. A sala de espetáculos é lindíssima, minuciosamente detalhada, com vitrais, esculturas e muita simbologia nas paredes, nos adornos e nas colunas.

 

O projeto, concebido por Montaner, traz algumas semalhan√ßas com Gaud√≠, pois que os dois, grandes arquitetos catal√£es al√©m de contempor√Ęneos marcaram, no estilo modernista, as suas obras.

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No final da tarde, me encontraria com minhas primas no hotel onde já se hospedavam há alguns dias e precisavamos acertar os detalhes da viagem a Madrid que, por coincidência, havíamos marcado para o mesmo dia.

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Museu Picasso

Da sa√≠da do Palau de la M√ļsica Catal√£, tive um pouco de dificuldade para encontrar o Museu Picasso. N√£o √© muito longe mas as ruas do Barrio G√≥tico s√£o muito parecidas e eu estava sem o mapa no celular. Havia visualizado o caminho antes de sair do hostel mas acabei fotografando muito no Pal√°cio da M√ļsica, que acabei ficando com pouqu√≠ssima bateria no celular. Desci em dire√ß√£o √† praia, passei da rua, fui parar na avenida beira mar, subi, demorei pra encontrar, a bateria do celular acabou e quando encontrei, havia uma fila consider√°vel para entrar no museu mas encarei.

A visitação foi complicada, o museu estava cheio, a sexta-feira já se esvaia, meu tempo estava esgotando, minha programação para ele foi nenhuma, não consegui fotografar, nem ver nada direito. Fiquei um pouco fóbica lá dentro,  apesar do museu ser bem clean, mas eu já estava com síndrome da viagem do dia seguinte, ainda precisava decidir o horário do trem e reservar a passagem pelo Rail Europe,    minhas primas já estariam me esperando para nosso encontro do final da tarde e eu não queria admitir que estava me sentindo mal; resolvi ir embora. Reservarei um tempo maior para ele na minha próxima ida à cidade, uma boa razão pra voltar.

Com isso eu aprendi que, numa viagem longa, nem tudo é como programamos. Que imprevistos acontecem e que nosso corpo precisa de descanso. O Museu Picasso é bem bonito, vale a pena ser visitado, pois as obras desse grande mestre espanhol não podem ficar de fora de roteiro algum.

Picasso e Miró ficaram para a próxima, quando pretendo incluir um bate e volta à cidade de Figueres, uma hora de trem de Barcelona, para conhecer o Museu Dalí. Para conhecer um pouco da história do museu basta clicar .

Por fim… ponto pra Gaud√≠.

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Essas s√£o as minhas primas…¬†C√°diz – 30 de outubro de 2016. Carmen e Soninha …

Daqui pra frente esta hist√≥ria ser√° contada no plural, porque essa parte da viagem foi plural. Apesar de sermos muito amigas desde sempre, nunca t√≠nhamos tido uma experi√™ncia t√£o √≠ntima, uma conviv√™ncia t√£o pr√≥xima, de dias t√£o divertidos. Essa foto diz tudo… mas essa √© uma outra hist√≥ria.

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Fui ao encontro de minhas primas no hotel onde j√° estavam √† minha espera. Desci pela Barceloneta e segui acompanhando o Mediterr√Ęneo algumas quadras at√© encontrar o endere√ßo. As duas, Carmen e Sonia me aguardavam no lounge tomando um drink e logo fomos para a rua.

Encontr√°-las foi uma delicia depois desses meus dias solit√°rios em contato apenas com a cidade e sua arte.

Fizemos um passeio pelo cais, região ainda inexplorada desse meu roteiro, que eu já não sabia mais dizer se estava por terminar ou apenas começando. Barcelona já me deixava uma grande saudade antes mesmo da nossa partida.

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Carmen, Sonia e eu – 21 de outubro de 2016

(ps: a Carmen é a fotógrafa oficial, por isso aparece menos).

De regresso ao hotel, subimos ao apartamento, brindamos com Campari ao nosso encontro, descemos para o bar para “unas tapas con jam√≥n e cerveza” e para dar in√≠cio √† traquinagem, fomos chamadas ao pequeno palco para dar sotaque brasileiro √† “Garota de Ipanema” que seria cantada pela banda em nossa homenagem. (N√£o temos imagens, ainda bem!)

Marcamos as passagens, subimos por La Rambla até a Plaça de Catalunya, elas desceram de volta e eu segui para o meu hostel, a me despedir das ruas e calçadas que tão bem me receberam feito Cinderela, pois já era meia-noite e o trem partiria às 11 da manhã.

Deixei em Barcelona um pedacinho de mim…

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(Eu estava por terminar esta edição quando algo terrível aconteceu em Barcelona, tive que parar o trabalho por uns dias porque a emoção me impediu de continuar, deixo aqui o meu coração cheio de amor a essa cidade que tanto me encantou e que hoje sofre a dor do terror sem fronteiras).

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Próxima parada:

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Sandra Barbosa de Oliveira

Infinite Blue

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The ambience is dark, half lights lighten the tables around. A woman’s voice sings a beautiful song where people dance. They are dining, the place is extremely nice. Some of them are toasting and there’s my hero standing on his back, looking at the dance floor and following the music in a gentle swing. I move there, I can feel his loneliness again among the many people, the movement of his body causes me heat and I, levitating to meet him, I can imagine his perfume. The environment is bluish and reminds me of the sky, as if he were the only angel, exhaling the aroma of wood and musk that makes me serious. And I lose my mind. This man is everything, on the island of Rodos, in Greece, as a god! …

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O ambiente √© escuro, meias luzes clareiam as mesas ao redor. Uma voz de mulher canta uma m√ļsica linda onde as pessoas dan√ßam. Eles est√£o jantando, o lugar √© extremamente agrad√°vel. Alguns deles est√£o brindando e ali est√° o meu her√≥i, em p√©, de costas, olhando pra pista de dan√ßa e acompanhando a m√ļsica num suave balan√ßo. Eu me transporto at√© l√°, posso sentir novamente a sua solid√£o entre as tantas pessoas, o movimento do corpo me causa calor e eu, levitando ao seu encontro, fico a imaginar seu perfume. O ambiente √© azulado e me faz lembrar o c√©u, como se ele fosse o √ļnico anjo, a exalar o aroma de madeira e almiscar que me tira do s√©rio. E eu perco a cabe√ßa. Esse homem √© tudo, na Ilha de Rodos, na Gr√©cia, como um deus! …

(sandra barbosa de oliveira)

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Engin Aky√ľrek

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Fotografia de Coimbra

(José Luís Peixoto)

“Coimbra √© a cidade e a esperan√ßa dos domingos √† tarde. Um calend√°rio abandonado no bolso do casaco √© Coimbra. Coimbra s√£o fotografias reveladas de um rolo antigo, esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos, Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que √© respirado apenas por Coimbra. Existe um cora√ß√£o no seu peito a bater, e esse √© um milagre de deus que transcende deus.”

(Fotografia de Coimbra РGaveta de Papéis)

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infinita impossibilidade

(Sandra Barbosa de Oliveira)

o poeta encanta
enquanto canta
mantra
em versos
canto escuro como um manto

encantado o véu assim
no entardecer do céu
do sol se p√īr
por tanto
azul a iluminar minar
da água azul também
fazer brilhar

o poeta enquanto canta
o mantra em céu
a escoar da chuva
em pleno p√īr do sol
no entardecer
lil√°s molhado
o santo manto
azul transformado
mina também
no anoitecer do seu canto
triste algum lugar
escuro azul

e o poeta canta
encanta estrela em verso
eterno amor
infinita impossibilidade
do canto triste
a desvendar caminho
como seguir seu sonho
a naufragar poemas

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Cuca Roseta – Igreja Santa Maria de √ďbidos

√ďbidos √© a sede do munic√≠pio de mesmo nome, situado no distrito de Leiria, regi√£o central de Portugal. Sua grande atra√ß√£o √© a Vila Medieval, que conta com cerca de 2200 habitantes e √© hoje importante polo tur√≠stico da regi√£o.

Seus primeiros achados datam da Invas√£o Romana na pen√≠nsula Ib√©rica, em tempos de C√©sar Augusto, no s√©culo I a.C., com refer√™ncias bibliogr√°ficas remetidas ao s√©culo I, na obra “Naturalis Historia” de Pl√≠nio, o velho, onde foi citada.

Seu nome deriva do termo latino “√≥pido”, que significa cidadela. E √© conceituada como a cidade liter√°ria.

Reza a lenda que a Igreja Santa Maria de √ďbidos tenha sido constru√≠da no per√≠odo visig√≥tico e, depois de ser transformada em mesquita no per√≠odo de domina√ß√£o mul√ßumana, voltou ao poder da Igreja Romana, em 1148, pelas m√£o de D. Afonso Henriques.

Aos finais do século XV, ela passou por uma reedificação, pois que apresentava-se em completa ruína, promovida, quem sabe, por um possível terremoto, anterior ao de 1755 que devastou Lisboa e toda a região sul de Portugal.

E foi na Igreja Santa Maria de √ďbidos, que no s√°bado, 03 de junho √ļltimo, a maior cantora de fado da atualidade, Cuca Roseta, subiu ao altar em seu tradicional√≠ssimo casamento, e nos presenteou com essa interpreta√ß√£o impec√°vel de Ave Maria, que fica aqui para celebrar o que √© Portugal.

Conhecer √ďbidos √© paragem obrigat√≥ria para quem visita Portugal. Simplesmente inesquec√≠vel.

Portugal, minha paix√£o!

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