Infinite Blue

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*
The ambience is dark, half lights lighten the tables around. A woman’s voice sings a beautiful song where people dance. They are dining, the place is extremely nice. Some of them are toasting and there’s my hero standing on his back, looking at the dance floor and following the music in a gentle swing. I move there, I can feel his loneliness again among the many people, the movement of his body causes me heat and I, levitating to meet him, I can imagine his perfume. The environment is bluish and reminds me of the sky, as if he were the only angel, exhaling the aroma of wood and musk that makes me serious. And I lose my mind. This man is everything, on the island of Mykonos, in Greece, made a god! …

(sandra barbosa de oliveira)

*

20170721_230559 Engin Akyürek

Fotografia de Coimbra

(José Luís Peixoto)

“Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde. Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra. Coimbra são fotografias reveladas de um rolo antigo, esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos, Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater, e esse é um milagre de deus que transcende deus.”

(Fotografia de Coimbra – Gaveta de Papéis)

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infinita impossibilidade

(Sandra Barbosa de Oliveira)

o poeta encanta
enquanto canta
mantra
em versos
canto escuro como um manto

encantado o véu assim
no entardecer do céu
do sol se pôr
por tanto
azul a iluminar minar
da água azul também
fazer brilhar

o poeta enquanto canta
o mantra em céu
a escoar da chuva
em pleno pôr do sol
no entardecer
lilás molhado
o santo manto
azul transformado
mina também
no anoitecer do seu canto
triste algum lugar
escuro azul

e o poeta canta
encanta estrela em verso
eterno amor
infinita impossibilidade
do canto triste
a desvendar caminho
como seguir seu sonho
a naufragar poemas

*

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Cuca Roseta – Igreja Santa Maria de Óbidos

Óbidos é a sede do município de mesmo nome, situado no distrito de Leiria, região central de Portugal. Sua grande atração é a Vila Medieval, que conta com cerca de 2200 habitantes e é hoje importante polo turístico da região.

Seus primeiros achados datam da Invasão Romana na península Ibérica, em tempos de César Augusto, no século I a.C., com referências bibliográficas remetidas ao século I, na obra “Naturalis Historia” de Plínio, o velho, onde foi citada.

Seu nome deriva do termo latino “ópido”, que significa cidadela. E é conceituada como a cidade literária.

Reza a lenda que a Igreja Santa Maria de Óbidos tenha sido construída no período visigótico e, depois de ser transformada em mesquita no período de dominação mulçumana, voltou ao poder da Igreja Romana, em 1148, pelas mão de D. Afonso Henriques.

Aos finais do século XV, ela passou por uma reedificação, pois que apresentava-se em completa ruína, promovida, quem sabe, por um possível terremoto, anterior ao de 1755 que devastou Lisboa e toda a região sul de Portugal.

E foi na Igreja Santa Maria de Óbidos, que no sábado, 03 de junho último, a maior cantora de fado da atualidade, Cuca Roseta, subiu ao altar em seu tradicionalíssimo casamento, e nos presenteou com essa interpretação impecável de Ave Maria, que fica aqui para celebrar o que é Portugal.

Conhecer Óbidos é paragem obrigatória para quem visita Portugal. Simplesmente inesquecível.

Portugal, minha paixão!

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As mudanças na imigração brasileira em Portugal

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ECONOMIA EM DIA COM A CATÓLICA-LISBON

  • Nelson Camanho, 21/4/2017

Há um encanto dos brasileiros com Portugal, uma atracção que a economia não explica, baseada na baixa criminalidade, na redescoberta da cultura portuguesa e da sua relação com as tradições brasileiras

Os portugueses constituem o principal grupo de imigrantes no Brasil, com quase 30% do total de imigrantes em 2012 (277.727 portugueses num total de 938.933 imigrantes no Brasil). Da mesma forma, os brasileiros formam a primeira nacionalidade de imigrantes em Portugal, com mais de 20% do total, com 82.590 brasileiros contabilizados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras num total de 388.731 imigrantes em Portugal, em 2015. Existem, no entanto, fontes não oficiais que sugerem que este número é cerca de metade do número real de brasileiros em Portugal.

Naturalmente, não é muito surpreendente que os portugueses tenham tanta importância na imigração do país que colonizaram. De fato, de acordo com Carlos Lessa (2002), no ano de 1890, os portugueses compunham 20,36% da população da cidade do Rio de Janeiro (106.461 pessoas). Se somássemos a este número, os brasileiros natos com ambos pais portugueses, teríamos, naquele ano, 51,2% dos habitantes do Rio, um total de 267.664 pessoas.

Menos óbvia é a importância da imigração brasileira em Portugal. Apesar de o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras só disponibilizar dados a partir de 1999 (veja tabela abaixo), constata-se que só a partir de 2007, os brasileiros passaram a ser os imigrantes em maior número em Portugal, posto que era ocupado pelos cabo-verdianos.

Imigrantes em Portugal

A imigração recente brasileira em Portugal tem dois períodos bem distintos. O primeiro, de 1999 até 2010, consolidou os brasileiros como os principais imigrantes em Portugal, com um incrível crescimento de quase 700% nestes 11 anos, passando de cerca de 20 mil para quase 120 mil, e de 10,9% para 26,8% do total de imigrantes em Portugal. O segundo de 2011 até ao presente, assistimos a um fluxo negativo de imigração brasileira em Portugal, com mais brasileiros a sair do que a entrar.

Há muitos fatores que influenciam fluxos migratórios e certamente não tenho a pretensão de explicar todos. Mas ao investigar outros dados podemos aprender um pouco do que pode ter levado primeiro à explosão do fluxo e posteriormente à sua inversão. Será que podemos aprender um pouco ao compararmos os dados de fluxos migratórios com os dados de PIB e desemprego brasileiros e portugueses?

Nesta análise do PIB e do desemprego brasileiro e português, levo em conta que há um desfasamento no efeito destas variáveis no fluxo de brasileiros para Portugal. Utilizo um desfasamento de três anos, assim, o período 1 termina três anos antes de 2010, ano que o fluxo imigratório passou de positivo para negativo. Já o período 2 vai de 2008 até 2013, três anos antes do último ano que temos dados, 2016. Finalmente, o período 3, que dá sugestões de como o fluxo migratório se comportará a partir de 2016 (os dados do SEF vão até 2015), começa em 2014 e vai até 2016.

Nos gráficos abaixo, justaponho o crescimento do fluxo de brasileiros para Portugal – definido como a variação percentual anual do número de brasileiros contabilizados pelo SEF – com o Produto Interno Bruto de Portugal e do Brasil, e a taxa de desemprego dos dois países, definida como percentual da população que busca emprego e não está a trabalhar.

Como se pode depreender das figuras acima, o período 1 é favorável ao fluxo positivo de imigrantes brasileiros em Portugal: O PIB português é relativamente alto, o PIB brasileiro é relativamente baixo, o desemprego português cresce, mas ainda se encontra num nível baixo, o desemprego brasileiro diminui, mas ainda se encontra a um nível alto.

A partir de 2008, a grande crise financeira mundial e a crise da dívida europeia levaram Portugal a uma forte recessão, enquanto o Brasil parecia dar sinais de decoupling, a explicação encontrada por economistas na época, de que os países emergentes finalmente se encontravam numa trajetória de crescimento claramente superior à dos países desenvolvidos. Ao mesmo tempo, o desemprego português continuava a crescer, mas agora já estava a níveis altos. Enquanto isso, o desemprego brasileiro continuava a decrescer e estava agora a um nível baixo. Assim, o período 2 dá algumas explicações sobre a alteração do fluxo brasileiro de positivo para negativo.

O que esperar então do fluxo migratório a partir de 2016, explicado em parte sobre o desempenho das economias portuguesa e brasileira a partir de 2014? Talvez o período 3 seja o que ofereça sinais mais claros: a economia portuguesa em franca expansão, com o desemprego em nítida trajetória de queda; a economia brasileira, ao contrário, sofre o maior período de contração desde que a série de PIB brasileira começou a ser calculada, em 1947, e o desemprego mais que duplicou em menos de dois anos. Se depender apenas destes fatores, assistiremos nos próximos 3 anos a uma nova alteração do fluxo de imigrantes brasileiros para Portugal de negativo para positivo.

As análises acima estão resumidas na tabela abaixo.

É claro que a análise não é completa. Há muitos outros fatores que não dizem respeito à economia que afetam o fluxo migratório. Como luso-brasileiro nascido e criado no Brasil e com quatro bisavós portugueses, sinto-me à vontade para dizer que os brasileiros estão recentemente a redescobrir Portugal, que, incrivelmente, ficou esquecido ou com pouco destaque na mente brasileira durante boa parte do século XX. Há um encanto dos brasileiros com Portugal, e há atrativos não explicados em séries económicas, tais como a baixa criminalidade, a redescoberta da rica cultura portuguesa e a sua íntima relação com as tradições brasileiras. Claro, há também a língua comum, mesmo que alguns brasileiros às vezes fiquem atónitos nos primeiros dias em Portugal.

Ainda é possível que uma parte importante da vaga de brasileiros que imigraram para Portugal até 2010 desejavam sobretudo adquirir um passaporte europeu e em seguida partir para outras praças europeias. Somando-se a isso evidência anedótica http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1727310-nova-onda-de-brasileiros-que-vai-a-portugal-e-qualificada-e-foge-da-crise.shtml que os brasileiros que imigraram a Portugal nos últimos quatro anos são mais qualificados e vêm para ficar, talvez esta novíssima vaga seja menos importante que a anterior e o fluxo positivo da novíssima vaga não seja suficiente para estancar o fluxo negativo, ainda em curso, da vaga anterior.

Portanto, a análise conjuntural que ofereço neste artigo não pode explicar efeitos de tendência que são melhor compreendidos por estudiosos de costumes das duas sociedades.

Em todo caso, efeito de tendência ou conjuntural, os laços culturais entre os dois países tornaram-se mais fortes nas últimas décadas. Não é possível ignorar os principais imigrantes no Brasil e os imigrantes que compõem, de acordo com dados que também incluem imigrantes brasileiros não contabilizados pelo SEF, cerca de 1,5% da população em Portugal e 4% da região da grande Lisboa.

Assistant Professor da Católica Lisbon School of Business & Economics

Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Sofia Cerveira – um pedacinho de Lisboa aqui no coração

Sem querer, num belo dia de sol, num belo lugar… não me lembro mais nem onde, nem porquê …

… porque onde e porquê tem horas que tanto faz …

… Me apareceu um anjo.

… Ora com sotaque lusitano … ora com impecável dicção do português falado no Brasil … Num Rio de Janeiro de mar, montanhas e luz … só podia ter vindo do céu.

E um bem-querer veio se instando com força, que de tanta, fez gerar uma amizade de grandes dimensões, que surportou a imensidão de um oceano, as imposições da distância e o girar das duas vidas.

Porque as vidas giraram muito.

Mas mesmo assim, a força do coração não desiste.

Num belo dia de sol, de não sei onde, nem porquê, apareceu um anjo que me levou um pedacinho do coração para “além-mar” … mas me deixou um pedacinho de Lisboa…

Aqui pra mim.

Ela é Sofia, uma simples menina, com alma de oceanco! Alma de anjo!

*

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A primeira viagem

Foi apenas quando o trem de pouso bateu com as rodas no chão que eu me dei conta de que ali estava eu, sozinha e que estava por começar uma grande aventura.

O destino entre os tantos que algozmente antecederam a escolha, desde os primeiros momentos, não surgiu ao acaso e seria o tiro da grande jornada de autoconhecimento e motivação, que estava há muito a minha espera.

Seria eu ali a vislumbrar um mundo de aromas e paisagens, arte, sensações e solidão.

Meu medo me obstruía a passagem mas nunca haveria de chegar a minha hora se eu não criasse o momento… e parti.

Ao desembarcar em Barcelona, naquele que seria o meu primeiro chão de mundo livre, o aeroporto me recepcionou com maestria e me encaminhou para as ruas da cidade.

Ônibus, buzinas, o peso da mochila nas costas, tudo meio adormecido ainda diante do desembarque, no momento da chegada.

A tarde estava morna, o tempo sem cor, nem frio nem calor.

Eu ainda embriagada pelas horas do voo, desci na praça principal, rodeei-a a 360 graus e percebi-me perdida em meu giro, em meu relógio, em meus sentidos, em minhas pernas, tantas eram as ruas que a cercavam que eu não conseguia sair do lugar.

Até que por um momento eu parei, oxigenei, e percebi que já havia chegado ao meu destino e que o caminho me levaria de encontro aos meus anseios de marinheiro atracado no primeiro porto.

E foi assim que eu encontrei o hostel, logo ali perto, no mesmíssimo lugar em que o mapa o havia apontado.

E foi que eu sorri diante da majestosa porta centenária que ao abrí-la pensei comigo…

eu venci!
*

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Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in “Sonetos”

Mudanças

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Chega uma hora na vida da gente que há a necessidade de se fazer um movimento. De dez em dez anos ( é o que eu mais ou menos calculo) precisamos fechar nossos ciclos e abrir novas perspectivas para trilhar nossos caminhos. Foi o que aconteceu aqui, com o Elemento Língua. Ele sempre foi um carregador de emoções e novidades que foram pintando na minha vida, depois que eu resolvi dar uma primeira grande virada, porque pequenas viradas eu sempre dei, nunca me ausentei ao novo, ao difícil, ao diferente. E é aqui, hoje, agora… que eu darei mais um passo a diante. Porque temos que seguir em frente, porque somos responsáveis por nossas trilhas, ou simplesmente… porque chegou a hora. Eu poderia ter criado um blog novo, para essa nova etapa, mas tudo o que tem aqui faz parte da minha trajetória, então eu não me foquei em querer que ele fique dentro dos moldes do mercado, que fique super, hiper, ultra profissional… mas o que eu desejo, com essa minha mais uma reviravolta na vida, é que todo o conteúdo que saia daqui seja bem apreendido, e que eu possa estar à altura das expectativas do meu público leitor. E é isso, o Blog mudou, a vida mudou, eu mudei. E o meu sentimento agora, é que a alguns meses antes de completar os meus 60, eu possa contribuir para aquilo que eu mais preso nas pessoas… que é o direito de se dar chance, de olhar pra frente com a cabeça erguida, de juntar todas as forças pra fazer de suas vidas uma constante mudança. Porque pra ser feliz é preciso querer. São Paulo, 30 de junho de 2017.

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É hora de participar!

Não se trata de defender ou acusar governos ou parlamentares, trata-se apenas de defender valores referentes a direitos adquiridos.

Nossos problemas deixaram  de envolver apenas as questões políticas e entraram no campo moral e ético. Perdeu-se a credibilidade nas instituições.

Não se pode revolver-se no tempo para destituir grandes conquistas legais ou coisas quaisquer que possam desconstruir uma suada trajetória às liberdades individuais, nem fortalecer ameaças ao estado democrático de direito.

É a Democracia que está em jogo.Não estamos em meio à uma partida num estádio.

Estamos construindo sociedades, educando crianças para o futuro político da nação.

Toda responsabilidade é pouca em se tratando da vida e do bem comum.

Precisamos de garantias institucionais para que os direitos das minorias fiquem preservados, não permitindo retrocessos e nenhuma subjeção, pois que devemos ouvir, nesse momento, a voz de toda a sociedade.

*

Em tempo: o Brasil é um país laico! …

 

 

Rompendo tabus … com Isabel Dias

Quando o assunto é erotismo, muita gente aplaude a literatura apresentada em livros como “Cinquenta tons de cinza”, transformando esse instrumento de opressão em best-seller internacional.
Hollywood também aposta nessa opressão porque sabe que é o idealismo machista que patrocina a exploração de conteúdos onde a mulher é alvo de violência e desrespeito, trazendo milhões de dólares aos cofres da indústria de produções.
Mas quando do tema se faz a abordagem da libertação feminina, onde é a mulher quem resolve mostrar a igualdade de poderes; que o virtuosismo em nada está implícito na castidade; e que, depois de uma longa trajetória de sofrimento, em que sempre impera a traição, a deslealdade, todo tipo de violência psicológica e humilhação por parte de seus próprios companheiros de jornada; o que temos (claro que não em termos gerais), é julgamento, preconceito e discriminação por parte de um tribunal trans-vestido em hipocrisia, dos setores desta sociedade que se diz moderna (no sentido coloquial da palavra) e libertária, mas que no fundo está imersa num conservadorismo provinciano, há dezenas de gerações.
Será que a mulher está despreparada para a felicidade?
Digo tudo isso para introduzir opinião ao livro que acabo de ler.
A autora, minha amiga, se desnuda diante do leitor sem pudores, ao descrever os casos que teve, durante um período de dois anos e meio… com cada um dos 32 homens que conheceu através de um site de relacionamentos, depois de um trágico e complicado processo de divórcio, impulsionada pela raiva e pelo desejo de dar o troco à traição do marido, ao descobrir que ele tinha quatro amantes.
“32 – um homem para cada ano que passei com você” é um livro que lava a alma de todas nós mulheres, que experimentamos a dor de sermos traídas, humilhadas e psicologicamente violentadas por esses homens com quem nos dispusemos a compartilhar a vida, onde acreditávamos viver nossa grande história de amor, com quem nos sentíamos seguras e acalentadas. Com quem tivemos nossos filhos, a quem tivemos dedicados nossos melhores anos, nossa lealdade, nossa beleza vigorosa e nossa juventude.
Isabel Regina Dias é uma mulher de coragem, que não demonstrou ter pudor algum ao denunciar publicamente sua decepção em relação ao homem com quem imaginava envelhecer; a depressão que quase a matou e as descobertas que fez acerca de si mesma; ao se propor, com a aceitação e apoio dos filhos, a essa busca implacável pela mulher que nem sequer sabia haver dentro de si.
Parabéns, Regina, minha amiga… estou aqui pra dizer que você me representa! …
*
Com prefácio de Xico Sá … 215 páginas de muita diversão e reflexão.

O voo do poeta

(sandra barbosa de oliveira)

Manoel de Barros
não foi um poeta…
foi um passarinho.
Seus poemas, passaredos…
Sombras, alamedas em tristeza…
tristes as folhas,
o chão,
da terra, o emanar do perfume
das palavras que ficam.
Foi o homem das palavras cantadoras.
Mas sua terna voz trinará para sempre,
em seu eterno ninho
haverá de cantar.

minha homenagem ao poeta passarinho

 

Em um relacionamento sério

Certas provocações, por certos “espiões” nas redes sociais, demonstram a fragilidade dos relacionamentos ditos “sérios”. Eu sei muito bem que quem viveu um relacionamento falido (e como sei) … ou vive um relacionamento de via única, onde não há reciprocidade no amor, a necessidade de espionar, de controlar e de invadir a privacidade do outro se faz como autoafirmação mas isso não muda em nada o status da relação. (triste experiência) …
O que se vende socialmente, na verdade, não é o sentimento real e sim uma necessidade antiquada de se manter as aparências, o que não condiz em nada com “o individualismo contido nas relações líquidas” dos tempos atuais (nas palavras de Sigmunt Bauman).
Portanto, a necessidade de manter a vida de um companheiro mediante investigação já é um sério sinal de que a hora de por um ponto final está próxima.
Coração é um caso sério. Mesmo a cabeça não querendo, o que acontece em pouquíssimos casos, quando o coração trai não tem conserto. Por isso é sempre bom pensar duas vezes antes de abrir mensagens “inbox” do cônjuge. Porque se a necessidade de espiar for maior do que a confiança, é melhor que um dos dois devolva com dignidade a chave da porta da frente. Porque o tal “relacionamento sério” …
… já era!

Sandra Barbosa de Oliveira

Interrompendo as Buscas

Martha Medeiros

– “Assistindo ao ótimo ‘Closer – Perto demais’, me veio à lembrança um poema chamado ‘Salvação’, de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: “Nenhuma pessoa é lugar de repouso”.

Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída – o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade – nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas ¿ sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o ‘rodízio’ e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo “leve dois, pague um”, também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

Desalento

Estar-te longe
longamente
noite estejas

Na tua voz eu ouço
a rouca Insensatez
e reconheço

Ao por do sol
Arpoador
em dor
só pensamento

Ao te perder
da vista
um mar em desencanto

Num canto escuro
eu conto um pouco
e um tanto assim
um desencontro

As águas a subir
e o sol se esconde
é noite em ti
em mim só um lamento

E eu aqui
poder sonhar
enquanto cantas

Um desalento.

(Desalento – Sandra Barbosa de Oliveira)

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* mostrando a cara do Brasil

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Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer sim

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

(Cazuza)

És tu – contemporâneo

Como se às vezes
tua voz me chegasse aos ouvidos
coisas a dizer
gostei da tua mão

Verso moderno
não vale um tostão
maldigo teu olhar
da cor do Arpoador
à beira-mar

Cantar em Bossa Nova
Toms e cifrão
musicalidade
e disso eu entendo

Poesia
a pós-modernidade
te delicia com desilusão
leminskiana

Se me ligares
vais ganhar algodão doce
similares açucares
por uma doçura tua
Bala de mel ou Jintan

Fragilidade
agora não
somos adultos
na busca das palavras
em que se encaixem rimas

Tu poeta
eu abstrato

Eu poeta
te espero…

*

(Sandra Barbosa de Oliveira …
em Elemento Língua)

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Mulher

Carlos Drummond de Andrade

“Para entender uma mulher
é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos
e cartas na mesa
que se possa prever nossa vã pretensão…

Para possuir uma mulher
é preciso mais do que fazê-la
sentir-se em êxtase numa cama,
em uma seda,
com toda viril possibilidade…
Há de se conseguir fazê-la sorrir antes do próximo encontro

Para conhecer uma mulher,
mais que em seu orgasmo,
tem de ser mais que amante perfeito…
Há de se ter o jeito certo ao sair,
e fazer da saudade
e das lembranças, todo sorriso…

O potente, o amante, o homem viril,
são homens bons…
bons homens de abraços e passos firmes…
bons homens pra se contar histórias…
Há, porém, o homem certo,
de todo instante: O de depois!

Para conquistar uma mulher,
mais que ser este amante,
há de se querer o amanhã,
e depois do amor
um silêncio de cumplicidade…
e mostrar que o que se quis
é menor do que o que não se deve perder.

É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café…
Há que ser mulher, por um triz
e, então, ser feliz!

Para amar uma mulher, mais que entendê-la,
mais que conhecê-la,
mais que possuí-la,
é preciso honrar a obra de Deus,
e merecer um sorriso escondido,
e também ser possuído
e, ainda assim, também ser viril…

Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la,
há de ser conquistado…
todo tomado
e, com um pouco de sorte, também ser amado!”

Vivendo e aprendendo

A morte é apenas uma passagem para o nada.
A vida é aqui. O amor é aqui, dentro de nós.
É em vida que somos generosos. Que enviamos flores a quem amamos. Que confortamos e consolamos.
Às vezes, a gente ama errado. Dedica a vida à pessoas erradas. E, num momento extremo de tristeza, fica à espera de uma única palavra, de uma única rosa. Uma mensagem apenas.
Mas é o silêncio que corta a carne. Que machuca mais do que a morte.
A morte… que é a passagem para o nada.
E nessa desatenção, na frieza daqueles com os quais compartilhamos o amor por uma vida, é que cala, mais do que a morte fria no corpo frio de um irmão, esse estúpido silênciar.
Porque a vida é feita de afeto! …

A estante

Vivemos por entre o conhecimento e as desigualdades. Onde de norte a sul, de leste a oeste, tanta gente se fodendo enquanto uns… pernas pro ar, sofá, ventilador. Freezer, água na pia e no banho… saladinhas, sorvete e cerveja, somamos muitas, mas muitas reclamações sobre o calor.
Aí… eu penso aqui com a minha estante: como você consegue alojar tantos sertões? Tantos desertos? Tanta pobreza? Como consegue amparar essa seca insolúvel? O pó? Falta d’água? Terra rachada? Faces esturricadas.
Ao mesmo tempo que a beleza do mar… os ventos e as velas… céu aceso, ora cravejado de estrelas?
Parti com meus pensamentos para o antigo Egito. Para a Mesopotâmia em solos férteis de outros tempos. Para Moisés em suas andanças. Para o Saara e seus Oásis. Para a miséria proliferando o mundo dos ratos e das moscas.
Parei pra me lembrar do meu atlas. Capa em preto e branco, imponente mas tão desatualizado, o coitado, que não sai dali pra nada por não ter podido profetizar todas as guerras.
E minha estante suportando todo o peso das histórias e das verdades comprimidas entre as capas dos impressos.
Parei de pensar por um instante pra contemplar a solidão do meu suor, embebido em cerveja estupidamente gelada, e refletir mais uma vez com minha estante, tão amiga, mas um tanto solene: de que é que estamos reclamando mesmo? …

sandra barbosa de oliveira

A Malu é uma bola

Do lado de dentro
Da barriga da mãe dela
Ela espicha
Nada
Chuta
E se espreguiça com vontade.

Ainda do lado de dentro
Ela se enrola
Feito tatu-bola
E viaja
Como se estivesse
No espaço sideral.

A barriga da mãe da Malu
Tá gigante
Redonda
Parece que ela
Engoliu a Lua.

Mas é que a Malu
Mora lá dentro
Da barriga da mãe dela
Malu-bola
Malu lua
Gira, estica
E se espreguiça.

Outro dia
Na barriga da mãe dela
A Malu teve soluço
Parecia até que ela
Tinha engolido um sapo

Mas não demora
Ela vai mudar de casa
E do lado de fora
Da barriga da mãe dela
Ela vai ganhar o mundo.