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O homem e a(s) mentira(s)

Decorreu no final do ano de 2006, na cidade do Porto, em Portugal, “o colóquio subordinado ao tema ‘O Homem e a(s) Mentira(s)’ organizado pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise.Várias e interessantes foram as reflexões apresentadas pelos palestrantes. Salientaria fundamentalmente, sem qualquer demérito para as restantes, a posição do Dr. Jaime Milheiro, que foi o presidente honorário do colóquio, e que fez um alerta para os sinuosos perigos do casamento da mentira com a destruição:

‘(…) Há quem prefira chamar-lhe inverdade, versatilidade de opinião, informação insuficiente, imprecisão de pensamento ou outras delicadezas parecidas’, enfatizando que, ‘(…) a verdade, porém, é que nunca se mentiu tanto como agora, (…) seja para prejudicar outrem, enaltecer o ego ou omitir uma verdade inconveniente ou dolorosa, a mentira é aprendida na infância e faz parte do processo de crescimento. Pode até ser ” remédio para inúmeras complicações, dores e sofrimentos’, mas mais grave ainda, “está de tal forma vulgarizada que se chegou ao paradoxo que quem fala a verdade, nada consegue, enquanto o engano parece funcionar em todos os lugares – por vezes, sob o eufemismo de diplomacia – desde que servido numa baixela atractiva’!

Todavia o Dr. Jaime Milheiro foi mais longe e afirmou:
‘(…) a par do crescimento da mentira, assiste-se ao aumento da destruição, enquanto se fala cada vez mais de ética. Mentira e destruição têm o -estatuto de conjugalidade- e, juntas, tomaram conta da sociedade’.

A corroborar esta veemente comunicação, acresce a do Prof. Rui Coelho, professor da Faculdade de Medicina do Porto, que referiu:
‘a mentira nunca é legítima e não faz sentido falar de -mentira saudável- porque mentir prejudica a saúde mental de quem a pratica e está sempre associada à “desvalorização da capacidade de pensar do outro’.

No âmbito da personalidade dever-se-á ter presente que: ‘a mentira serve também para iludir um défice de narcisismo, ou seja, para esconder uma fragilidade do Eu, quando é sádica, a falsidade destrói relações e pode transformar-se em patologia.’

Sem mentiras, um colóquio deveras interessante. Menos verosímil ainda pensar-se sobre o exposto, quiçá pensar-se porque mentimos… um excelente exercício de introspecção.”

– por ammedeiros em Novembro 20, 2006.

http://ammedeiros.wordpress.com/2006/11/20/o-homem-e-as-mentiras/#comment-1293

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2 comentários sobre “O homem e a(s) mentira(s)

  1. Quando li este texto, achei o conteúdo um tanto quanto oportuno. E a partir do link com seu site original, (Sonhos e Paradoxos – http://ammedeiros.wordpress.com), no qual me inspirei para esse espaço (ver em Tudo ou nada sem coerência – texto de apresentação), resolvi colocá-lo nesta página para levar o questionamento adiante. E vejo aqui um pedacinho do resultado, o que me deixa muito feliz. Gostaria de agradecer à autora por me proporcionar essa interação com os leitores através de suas palavras e dedico a ela o retorno que tenho tido por intermédio deste tema tão debatível. Sonhos e Paradoxos tem sido uma verdadeira escola.
    Obrigada, Elizabeth, por sua visita e a questão fica em aberto….
    Ser transparente, fazer as coisas certas e fazer questão de ser ouvido, além de abranger ética e moral, não seriam questões da consciência de cada um ?

  2. Graduada em administração de empresas, escolhi gerir pessoas, ocupo cargo de gerente em recursos humanos, e nesta semana ouvi colocações na organização onde atuo que me fizeram pensar, repensar e a nenhum lugar chegar… (melhor ainda, penso que permanecerei na diretriz dos valores e consciência, aqueles que não se adquirem no supermercado ma muito menos em sites de vendas indicando promoção Leve 3 e Pague 2).
    Questionado
    1- Não se deve ser tão sincero, transparência demais faz mal;
    2- Você não precisa fazer as coisas tão certas;
    3- Porque você fala tanto com tantas pessoas, e porque fala muito mais com algumas, e mesmo assim niguém sabe do que vocês tanto falam?

    Respostas

    1- Não ser tão sincero significa ser mais ou menos sincero?
    Isso não é o mesmo que ser falso?

    2- Não fazer as coisas tão certas significa que posso fazer meio certo?
    Meio certo não é que mesmo que meio errado?

    3- Ouvir pessoas não seria o papel de um gestor de pessoas?
    Consciliar e mediar conflitos, assim como solucionar e firmar acordo
    entre duas ou mais partes, mantendo sigilo e ética, ou quem sabe, se ouir pessoas e compartilhar as informações passando pelo bom senso, ética e moral está em alguma bibliografia, manual de procedimentos?

    Talvez as facilidades criadas pelo conformismo e a vantagem de se fazer o que quer, quando quer e como, pode muitas vezes ter resultado espantador favorecendo os que não filiados oa sindicato dos incompetentes .

    Necessito de algum comentário sobre minha crise existencial na organização!!!

    Obrigada

    Elizabeh

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