Um garoto chamado Dani

Com toda a necessidade que temos de degustar bons sabores,  acaba de ser gravado,  e logo  logo estará em nossos ouvidos,   o novíssimo cd de um dos mais talentosos artistas da nova geração.

Dani Black, um jovem cantor que,  talhando delicadamente suas próprias composições, vem conquistando espaços cada vez mais espessos dentro de um  difícil mundo dominado pela  Mídia  que,  na maioria das vezes,  chega a ser cruel com produtos de boa qualidade.

Mas Dani já tem seu filão garantido.

Em uma única apresentação  e alguns minutos de ensaio, pude sentir  seu talento,  que não deixa a desejar e pode ser comparado a  grandes nomes da música pop internacional.

Misturando concepções genuinamente brasileiras com “world music”,  Dani é uma figura única.  Sua personalidade musical é marcante.

Aos vinte e pouquíssimos anos compõe suas canções com a maestria de um músico experiente.  Brinca com  estilos,  canta com precisão e sua performance,  embora requintada,  pode agradar a qualquer tipo de público.

Bem…  Dani vem por aí.  Comendo pelas beiradas,  chega com força total,  o que faz a espera ter valido a pena.

“Bora”  Dani…

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Como é grande o meu amor por você

Com uma vontade muito grande de falar do Rei, tentei organizar algumas lembranças da infância mas confesso que senti dificuldades.

Roberto nos parece muito  íntimo,  e apesar do  Mito,  sinto que ele tem tentado nos mostrar  por uma fresta, que ali existe um menino.  O mesmo que  se deslumbrou ao conhecer o  Maracanã aos 12 anos,  e que estando ali pela segunda vez depois de mais de 50 anos,  sucumbiu às milhares de pessoas  presentes, e  se mostrou com humildade,  uma  simplicidade que me emocionou muito.

Neste episódio de comemorações, o que  vi pela Tv,  foi um Roberto querendo poder ser  “gente normal”… querendo falar diretamente sobre seus anseios,  rindo dos próprios problemas,  fazendo promessas de contar seus segredos mais inconfessáveis…

E é assim que sigo direto para os anos 1960..e tento contar umas  histórias da infância relacionadas ao encantamento envolvente do Rei.

Tudo começou eu ainda era bem pequena.  Não sei bem se eu tinha 5 0u 6…

Me lembro da enorme fila em frente ao teatro da Tv Record, em São Paulo,  misturada à apreensão, ansiedade, expectativa… mas mantendo certa organização, sem grande esteria…nem correria.

De repente, tudo era  mágico.  A gritaria ensurdecedora do lado de dentro dava o sinal de que o show estava por começar.

O que me chamava  atenção eram as cores porque pela tv a gente via em preto e branco.

Tim Maia… os Incríveis,  Renato e seus Blue Caps… Silvinha e Eduardo Araújo.  Todos os  convidados da  “Festa de Arromba” passavam pelas tardes de domingo na Consolação.

Benjor, usando camisa branca com pintinhas pretas, me fazia pensar em  sorvete de flocos,  e eram bem essas as associações que eu fazia,  naquele  mundo infantil em que eu só conseguia captar  mensagens  “non-sense”.

Bem,  estou  eu aqui com as lembranças…

Comemorei meu sétimo aniversário junto aos  24 do Rei,  numa grande festa no teatro Universal, em São Paulo.

O teatro era enorme e me lembro da corridinha pela rampa até o palco só pra ver bem de pertinho….

Aquele “tudo” Calhambeque também está presente.  Foi a primeira explosão de consumo que vi. Eram calças  de duas cores….(atrás era de uma cor e a frente de outra)……..cintos, chapéus e bonés, camisas, botas, bolsas e bonecas.

E  no comando estava o Rei.

Wanderléia era uma menina meiga que  exibia  sensualidade e  pureza ao mesmo tempo, pois não conseguia esconder sua  paixão oculta no brilho do olhar.

Erasmo…  bem…  eu  nunca “tietei”  ninguém na vida, eu juro!  Mas,  num breve encontro no camarim de estréia de Jorge Vercillo recentemente  no Canecão,  não me contive em levar um “tremendo”  abraço  dele pra casa… Pop-rock, divertido e igualzinho ao dos anos 1960,  seu brilho é de estrela,  sem dúvida.

Sim,  as comemorações dos  50 anos de carreira de Roberto me trouxeram a infância até aqui, e  sua tragetória, com alegrias e tristezas  que tanto se misturaram às nossas,  pode sim fazer refletir sobre carreira, oportunidade, sucesso, dinheiro, espiritualidade, sonhos, amor, companheirismo, perdas, solidão, crença, entrega, verdades, manias, segredos e…

Mitos.

É muito difícil falar sobre o Rei.

Minha querida “best-friend” de todos os tempos…..

Depois de uma longa estada no Rio, em clima rústico de praia e montanha, na Praia da Macumba, onde moro também, volto pra casa e começo o meu reencontro com minhas origens de menina do interior.

Em São Paulo, tudo tem cheiro de antigamente e não me aborreço nem um pouquinho em pensar na idade que  tenho,  nem em dizer que a nostalgia faz parte dessa fase da vida, queiramos ou não.

Inexplicável sensação  ao pisar as calçadas da  Augusta, as livrarias da Paulista, a escadaria da Tv Gazeta relembrando os  tempos de  faculdade, o  Masp, o Metrô.  Tudo isso com cheiro de antigamente.  Para uma pessoa que passou 15 anos da vida entre as praias  do Recreio e da Macumba, no Rio de Janeiro,  cheirando à maresia e sal,  andando de Havaianas, criando as filhas em ruas de terra e bicicleta, não dá pra negar que o  cheiro da poluição e a garoa…aquele friozinho, com chocolate quente e cinema, não tenha mexido tanto com a nostalgia.

Mas aí o coração vai mais longe… e reencontro minha grande amiga…30 anos depois… … e digo:

“Aqui estamos nós. Outra vez ligadas, desta vez não por algo feliz, mas por um sentimento de afeto muito grande, o mesmo que nos uniu desde os primeiros instantes da infância, quando nos conhecemos. Nunca pude me esquecer do dia em que entrei na sala de aula do “Grupo Escolar Siqueira Morais” e logo avistei aquela loirinha “antipática”, com cabelinho semi-preso no alto da cabeça, com um reloginho de pulseirinha preta no braço esquerdo. Magricela, e a mais popular entre as amigas, jamais eu poderia imaginar que dali sairia um bem querer tão grande que  nem todos esses anos me fariam esquecer. Ao ligar pra  vc naquele dia, fiquei esperando uma vozinha estridente me chamando: Sammyyy !!!!!!….mas ao contrário, quase não nos reconhecemos pela voz. Pra vc ver…o tempo deixa sequelas, mas elas não afetam o coração. A vida nos reservou caminhos distintos mas guardo, aqui dentro, cada um dos momentos que passamos juntas, queridas, feito unha e carne, pelas ruas da cidade. Tem gente que até hoje se confunde, quem é Sandra, quem é Márcia… Nesses anos todos, nunca deixei de pensar em vc no seu aniversário e ao contar histórias da minha curta adolescência pra minhas filhas. É amiga…minha vida deu muitas voltas, entrei para um mundo muito diferente, conheci uma maneira diferente de encarar a vida que naquele nosso mundinho de Jundi dos anos 1970, eu jamais poderia imaginar. Tenho muitas histórias pra contar mas mantenho o sotaque do interior e preservo a minha origem da qual vc faz parte e fará para sempre. A Darci foi uma perda irreparável. Fiquei dias e noites com a imagem dela na cabeça…ela foi um ícone pra mim ! A mulher moderna é um símbolo que trago como referência. Despojada, às vezes até irreverente. Uma mulher à frente do seu tempo. Foi isso que eu vi na Darci. E isso me valeu muito, em muitos momentos da vida. Acabei de perceber que sua imagem marcou muito minha lembrança. Não tenho como pensar minha vida sem pensar em vcs. As jabuticabas da fazenda Chapadão, a Gigi, a Katú, as enchentes, as brincadeiras do clube, a avó Aurora, a Paty, o Pink, o vozerão bravo do coronel, as festas de aniversário no Jardim Cica, nossas aulas de inglês no Yázigi com a Ana. O macacão LEE, o Mirim-Dog,  e tantas outras lembranças deliciosas de um tempo que passou muito rápido pra mim, mas que me deixou muitas marcas. Hoje, minha vida ainda não é nada tranquila, vivo entre Rio e São Paulo depois de ter morado no Rio por 15 anos. Eu, jornalista, trabalho com preparação e edição de  livros, mas trabalho em casa,  pois a carreira do marido maestro sempre foi uma prioridade e não dá pra ser de outra forma. Não pense que a vida foi fácil pra mim. Aquela princesinha “ignóbil” da  Major Sucupira ficou num passado bem distante. Eu batalhei muito, tive que ter um pulso muito firme, criei minhas filhas praticamente sozinha no Rio, com o marido viajando o mundo em tournées, mas posso te garantir que, mesmo com dificuldades, o que mais prevaleceu na minha vida foi o amor. Abracei uma história de amor, me lancei nela e aqui estou….ainda por cumprir  minha missão…..

Te adoro amiga, te desejo toda a força do mundo neste momento difícil que vc está passando e se lembre sempre desta sua amiga aqui, que estará sempre torcendo por sua felicidade.”

Sammy !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Darci Brito foi  minha madrinha querida e a perdemos inesperadamente  no início deste ano.  Foi realmente uma mulher à frente de seu tempo, a quem presto  esta homenagem !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!