ciências políticas, Ciências Sociais, cidadania, comportamento, Crônicas, Cultura, dia-a-dia, música, momentos, Política, realidade, reflexão, Sandra Barbosa de Oliveira 2, vídeos, youtube

Porque eu falo tanto…

De repente me deu saudade de um tempo. Um tempo em que as militâncias sabiam pra quê e pra quem militavam. Porque sentiam na carne a dor de seus acertos e de seus erros.

Eu era ainda muito jovem e não posso afirmar que entendia bem o que se passava. Só sei que aos poucos fui entendendo a necessidade da minha participação. Mínima que fosse. E foi assim que tomei coragem pra falar das coisas que eu penso, pra enfrentar preconceitos e a mediocridade que a sociedade me impunha e à sua numerosa minoria. Pois é… apesar dos meus olhos azuis!

Aprendi que ter coragem é invadir espaços, insuflá-los para torná-los mais cheios de ar, para que todos possam respirar. Porque o ar é igual pra todos. Aprendi a arregaçar as mangas… a me fazer entender.

E foi bem assim, parando pra ouvir, pra prestar atenção à minha volta, pra me indignar, que eu consegui desconstruir estigmas e construir dentro de mim, o que há de mais valioso, um ser humano. Hoje eu sou uma pessoa!

…” e se eu soltar a minha voz pôr favor entenda…

… Estudava em Campinas, já havia entre os estudantes um sério movimento pela anistia. Era 1979 e eu estava apenas no cursinho. Mas nos círculos universitários fervilhava ainda aquela indignação guardada desde o final dos anos 1960. Com o AI-5 em 68, o silêncio foi instituído como língua oficial.
Já havia 10 anos desse silêncio profundo.

O que era difícil, pra nós que éramos filhos da ditadura, era que havíamos sido criados por ela. As melhores escolas eram as públicas; e eram elas que, ao mesmo tempo em que nos davam um ensino da melhor qualidade, envenenavam nossas cabeças. E cobriam nossos olhos.

Porém, pouco a pouco, eles não conseguiam mais esconder o tamanho das atrocidades que cometiam. E as listas dos estudantes desaparecidos iam circulando pelas universidades. Em plena ditadura, estudantes se concentravam bem de manhãzinha sob o pretexto de shows como os do Gonzaguinha.
Era ele quem lia os manifestos e as listas de desaparecidos. Presenciei mais de uma vez esses tais encontros.

Depois parti para uma nova fase. Fui estudar jornalismo em São Paulo. As escolas de jornalismo estavam retomando fôlego. A imprensa dita “marrom” perseguida, todo dia uma banca de jornal era incendiada. Os movimentos clandestinos continuavam atuantes mas quem ia perdendo fôlego eram eles, os opressores.
A anistia estava para transbordar e com ela surgiram novas lideranças… entre eles o professor Fernando Henrique.

Lula, Menegueli e alguns outros, num PT embrionário sempre presentes nos congressos estudantis, e até mesmo dentro das salas de aulas, também, bem cedinho… falavam de liberdade… de luta… de abertura política… de anistia… de direitos humanos.

A partir daí, me concentrei na necessidade de apoiar um novo partido, de contribuir, o mínimo que fosse, para o crescimento dessa fé popular. De uma salvação que só poderia vir de baixo. E eu acreditei no PT.

Agora, eles estão lá… e sinto novamente aquela necessidade de começar a apoiar alguém que venha de baixo. Eu sei que meu apoio vale muito pouco… vale apenas um, mas que somado aos brasileiros que pensam como eu, pode vir a se tornar milhões.

Deixo aqui minha sincera e muito particular opinião, de que nadinha adiantará esse fanatismo partidário que estamos assistindo às vésperas da talvez mais importante de todas as eleições presidenciais já realizadas no Brasil. Se o foco não estiver em estabelecer compromissos com as necessidades do país, vai tudo por água abaixo!

Sem trocadilhos, vamos pensar a respeito. Não podemos por tudo a perder!

Eu ainda acredito!

Anúncios

Um comentário sobre “Porque eu falo tanto…

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s