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Pobres e geniais músicos brasileiros …

Carta a um estudioso leitor:

Sou jornalista e tento espalhar o que julgo ser o lado bom daquilo em que acredito. Tento ser atuante. Estou tentando aproveitar os espaços disponíveis na internet para divulgar o que endendo por ética, por dignidade, por integridade, que são coisas que estão sendo deixadas de lado na formação do cidadão, nos dias de hoje.

Por isso não consigo me manter calada quando vejo haver falta de transparência na atitude de pessoas que detenham algum tipo de poder.

E, por questões éticas também, é que não posso expor pessoas de minha convivência e que dependem , de alguma forma, das instituições em questão. Não posso entrar em detalhes por não ter conhecimento sobre dados estatísticos e datas. Seria irresponsabilidade falar em números. Para isso, sugiro que vc tente um contato com o pessoal do @sindimusi, por exemplo, pois estão atuando em Brasília para tentar a regulamentação para a profissão.

O que eu posso te dizer é que a OMB nunca foi um órgão muito sério. Desde 1964 até há bem pouco tempo a Ordem teve um único presidente que sempre foi tido como um ditador. Ele sempre conseguiu se reeleger por caminhos obscuros, pois na profissão de músico, existem várias e distintas modalidades que não interagem entre si, o que facilita a ação de oportunistas e aproveitadores.

Então, o que é bom para os músicos que tocam na noite, não é bom para os que gravam em estúdios ou tocam com artistas ou são instrumentistas, populares ou eruditos. E foi se aproveitando da vulnerabilidade de músicos da noite, que por muitos anos foram os mais mal remunerados de todas as outras, que o Sr. Wilson Sândoli conseguiu a proesa de ser reeleito por décadas em eleições as quais quase ninguém sequer ficava sabendo.

Existe sim uma obrigatoriedade de apresentação da carteira da Ordem para quase todas as atividades exercidas por músicos, no Brasil e até nos vistos de trabalho para quem vai tocar no Exterior. Mas os músicos estão ao Deus-dará. Não têm seus direitos sequer regulamentados, quiçá respeitados.

Não sei quanto a fiscalização, mas sei que para assinar quaisquer contratos de trabalho os músicos precisam apresentar a numeração da carteira da Ordem e comprovação de quitação de suas taxas. Pode até ser que seja oferecido algum “benefício”, mas com certeza, não atendem às reais necessidades de seus beneficiários.

Sou casada com um músico há 30 anos. Posso afirmar por mim, não por ele, que nesses 30 anos, minha família nunca se beneficiou de um centavo que fosse, oferecido por qualquer instituição voltada para a profissão.

É por isso que estou começando a me engajar nos movimentos da SindiMusi, organização que eu nem conheço muito bem, mas que eu acredito possa trazer um caminho mais civilizado para as questões trabalhistas dos músicos no Brasil.

Há países em que isso funciona muito bem. Nos EUA, por exemplo, existe um sindicato forte protegendo os interesses desta classe, que não parece, mas que é sim uma classe trabalhadora, de pais de família que pagam impostos, escolas, alimentação e vestiários para seus filhos, como qualquer outro trabalhador deste país, e ainda representam muitíssimo bem o nome do Brasil internacionalmente, através da arte e da cultura.

Espero ter ajudado um pouco para sua TCC e para que haja certo esclarecimento sobre o que vem a ser uma das profissões mais cobiçadas e mais mal remuneradas e assistidas neste país.

Tudo o que falo aqui, falo por mim e por minha experiência de vida, eximindo qualquer responsabilidade a quem quer que seja.

Sandra Barbosa de Oliveira

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3 comentários sobre “Pobres e geniais músicos brasileiros …

  1. Em primeiro lugar, agradeço sua visita e seu comentário, e insisto em dizer que não estou falando por músicos e sim por mim mesma; e que não quero envolver ninguém neste meu depoimento, por ser estritamente pessoal.
    Depois quero deixar claro que existem muitas formas de atuação. Conheço muita gente que não trabalha por cachês abaixo da tabela (que quase nunca é respeitada), gente que impõe melhores cachês e condições de trabalho, que na maioria das vêzes, são extremamente precárias … Esta seria também uma maneira de atuação, embora independente da Ordem ou de quaisquer sindicatos, os quais infelizmente não vejo realizarem grandes feitos. Pelo que me consta, atualmente existem pessoas tentando por ordem, literalmente, nesses galinheiros, onde ciscaram muitos oportunistas nestas últimas décadas … mas resultados para quem trabalha na profissão, isso, me desculpem, mas eu não vejo não! Com todo respeito e querendo abrir espaço para a discussão …. um abraço!

  2. A profissão de músico é regulamentada pela lei 3.857/60 que foi criada para fazer frente as necessidades do profissional da música, ocorre que, pessoas com muito pouca vontade, ou quase nenhuma, deixaram com que o Sandoli ficasse por quarenta e dois anos como Presidente da OMB… eu posso lhe garantir que fiz duas greves de fome … coisa de maluco, não é? Mas era a única forma que eu tinha para protestar e depois de trinta e cinco anos de luta, estive presente para vê-lo sair … (cont) …

    Atenciosamente;

    MarinhoTP.
    Presidente-Sindimuspi;
    sindimuspi.presidencia@gmail.com

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