Sandra Barbosa de Oliveira

A dor

Sem saber o que dizer, peço a Deus que fale por mim. Nenhuma mãe merece a dor da perda de um filho. Todo o meu carinho ao amigo músico Raul Mascarenhas e Cissa Guimarães.

Anúncios
Sandra Barbosa de Oliveira

Ahhh esse tempo !!!

Há um tempo que deixa a gente sem tempo. É horrível não ter tempo pra fazer nada, ficar calada, zombar da vida, comer pipoca.

Mas tem tempo que não dá mesmo tempo pra nada.

Que a cabeça não funciona, a memória fica com preguiça e a vontade que a gente tem é de ficar dentro do pijama, tomando chocolate quente … conversando com o cachorro.

Passei aqui só pra tirar o pó do blog. Porque minha cabeça tá a mil com os pensamentos só tramando contra meu sossego.

E sem sossego vou saindo. Assim que der eu volto pra postar alguma coisa !!! Beijo e se precisar de mim: … DM !!!

caso de polícia, Ciências Sociais, comportamento, crônica, momentos, realidade, reflexão, Sandra Barbosa de Oliveira 2, sonho de consumo

Um desabafo … por Eliza!

Quando eu era menina, aprendíamos a querer ser médicas, engenheiras ou advogadas. Porque naquela época, o que dava status e dinheiro eram profissões que traziam estabilidade e bem-estar social. Na década de 1960, eu ainda era muito pequena pra compreender o que o dito “Imperialismo” queria de mim. Demorei muitos anos pra descobrir.

Lembro-me ainda da primeira coca-cola, da primeira calça Lee.

Legal era ter uma casa carregada de eletro-domésticos. Mas queríamos ser médicas ou dentistas, professoras de literatura … independentes e de preferência sem sutiãs …

Conforme fui crescendo percebi que o sonho de minha mãe era que eu tivesse “um marido à minha altura”, que pudesse me proporcionar o tal bem-estar social para que eu pudesse ficar em casa, cuidar dos filhos e ir ao cabelereiro.

Mesmo assim continuei com meu sonho de ser jornalista embora, na época, os “ditadores” não gostassem muito dessas coisas.

Com o passar dos anos, subliminarmente, o tal “grande imperador” foi possuindo as mentes inocentes das meninas. Que de uma hora para outra, sem perceber, foram se sentindo obssecadas por uma outra forma de bem-estar social. De bicicletas e carrinhos de bonecas para carros importados, roupas de marca, restaurantes e viagens. É viver no “jet-set” que agora rouba os sonhos infantis da maioria das meninas.

Parece controverso aos tempos.

Mas a explosão dos desejos de consumo estão dividindo com os hormônios púberes uma inquietação que faz com que nossas menininhas queiram estar sexualmente preparadas para enfrentar holofotes e câmeras, cada vez mais cedo, num vale-tudo pelos “cinco minutos de fama”. E nada mais.

E foi assim com Eliza. Nada diferente do que a grande maioria das meninas, queria ser celebridade. Fazer sucesso, ter fotos na revista “Caras”, apresentar um programa da Globo. Ter paparazzis à sua captura… Nada mais que isso.

Mas foi, junto com seu belo corpo, literalmente devorada por uma sociedade insana, geradora de conceitos e valores constituídos por instituições insanas, geridas por milicianos que representam um povo ignorante que deposita o seu insano voto para eleger governantes irresponsáveis que dizem organizar essa terra de loucos!

Assim… sem mais nada a declarar … silêncio! …

Amor, caso de polícia, Ciências Sociais, comportamento, dia-a-dia, momentos, outros autores, realidade, reflexão, retrato de família, Sandra Barbosa de Oliveira 2, sonho de consumo

Pobre Eliza!…

(Pobre Eliza – vítima da família, de Bruno, da polícia, da justiça e da sociedade…)

“A família de Eliza Samudio tem que ser indenizada …”

“MULHERES MUITAS VEZES DEIXAM de denunciar estupros porque temem, ou sabem, que de alguma forma serão julgadas também culpadas. Ou de estimular o estuprador, ou de aceitar o jogo e depois dizer que não, ou de qualquer outra coisa que desvie o foco para ela e não para o agressor e a agressão.

Os debates em torno da tragédia de Eliza Samudio, a jovem provavelmente morta depois de se envolver com Bruno, goleiro do Flamengo, são reveladores de quanto é comum a inversão de posições quando uma história de sexo termina mal. Muitas vezes, sem se dar conta, as próprias mulheres condenam as vítimas. Se isso acontece, que dizer, então, dos homens.

Eliza, uma típica Maria Chuteira, bonita, atraente, jovem, não fez nada que outras tantas não fizeram, fazem e farão sem que nada lhes aconteça. Ela não andava com gangsters, traficantes, assassinos. Neste caso, e só então, se poderia dizer que ela cortejava o perigo.

Era procurada, pela beleza disponível, por jogadores. Outras mulheres cercam pilotos de Fórmula 1, tenistas, golfistas etc. Esportistas ricos atraem mulheres em todos as partes. É só ver as namoradas, mulheres e amantes dos jogadores da Copa do Mundo. Ou o cartel de Tiger Woods.

Eliza não era melhor nem pior, em sua preferência por jogadores, do que nenhuma outra mulher que se associou em algum momento a futebolistas, de Daniela Cicarelli a Vitoria Beckham. Nem que outras que borboleteiam ou borboleteavam nos grids, como Adriane Galisteu ao entrar na vida de Ayrton Senna.

Menos polida, menos culta, menos glamurosa? É possível. Mas não pior, por ser eventualmente mais tosca.

Ela sequer pode ser acusada de ter engravidado deliberadamente. Segundo o próprio Bruno, foi usada camisinha. Se estourou, não foi culpa dela. Por que ela deveria ter abortado? Para agradar Bruno? Para provar alguma coisa a hipócritas?

Em tragédias de mulheres como Eliza, a uma primeira condenação — a feita pelo agressor — se soma uma segunda, feita pela sociedade.

Eliza, como tantas mulheres, estava atrás de alegria, diversão e prazer quando ingressou no circuito dos jogadores. Se um deles tinha inclinações homicidas, foi um azar monumental. Um bilhete premiado às avessas. Não fosse ela a vítima, teria sido provavelmente uma outra mulher.

Talvez pela baixa criminalidade de jogadores de futebol a polícia não tenha ouvido e protegido Eliza como deveria. Ou por preconceito: por ela não ser rica e nem ter modos de dama. Ela gritou com todas as forças por socorro, como se vê nos múltiplos vídeos em que ela trata do caso. É estarrecedor que sua gritaria não a tenha salvo. E é justo que a família dela seja recompensada pelo que deveria ter sido feito e não foi.

Nos Estados Unidos, a família de Jaycee Dugard ganhou mais de 20 milhões de dólares do estado da Califórnia porque a polícia não a protegeu de um pedófilo cujos movimentos deveriam estar sendo controlados. Foi um processo velocíssimo e exemplar: durou menos que um semestre. (Aqui,o texto que escrevi.)

Se a polícia carioca tiver que pagar pela inépcia da qual foi vítima Eliza, outras mulheres em risco de vida terão um destino diferente.

Será um avanço para a sociedade — e especificamente para mulheres, tantas das quais lançam neste momento um lastimável olhar condenatório para a pobre Eliza.”

Paulo Nogueira – Revista Época

(Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.)

*********************

Esse caso é muito complexo:

O pai é acusado de estuprar a irmã menor, filha da cunhada, e espancar a ex-mulher. Ele pode ter abusado de Eliza também… a família é completamente desorganizada.
Eliza teve o azar de não ter tido ninguém por ela. Nem pai, nem mãe, nem muita instrução, nada!
Poderia estar à procura de um grande amor. Ou de status, dinheiro e fama fácil que é o que se vende à meninas sonhadoras e bonitas por uma sociedade sem escrúpulos. Ela não merecia, tentou se fazer ouvir, mas como sempre, nós fechamos os ouvidos e as portas para ela.
Pobre Eliza!