E.V.A.

Era 1998 … vésperas de carnaval e eu ali sentada no chão, na chuva … porque éramos dois.

Artistas e músicos ensaiavam para a estréia do Expresso 2222, no caminhão onde fora montado o trio elétrico, num panorama intitulado “Gil e Geleia Geral”, no carnaval de Salvador.

Naquele ano, a prefeitura escolhera homenagear os tropicalistas … comemorava-se 30 anos do movimento.

E éramos dois, ali, debaixo de garoa fina, na Estrada Velha do Aeroporto, no antigo aeroporto abandonado, onde se podia ensaiar com trios elétricos por causa do barulho excessivo das caixas de som.

A sigla se consagrou na voz de Ivete, à frente da Banda E.V.A.!

Sentados no paralelepípedo, sobre papelão … Mautner abriu seu livro da vida e narrou, em detalhes, suas histórias em São Paulo, a casa do Pacaembu onde a família morou, a babá que teve grande influência em sua musicalidade, a vinda da família foragida do holocausto, a irmã que ficou … o trabalho do pai que o criou, com música, sua Mitologia do Kaos

… só pra mim !!!

Como é difícil viver de música neste país … eu sei !!!

Tudo isso recitando da mais pura poesia de vida, que tanto o marcou para que me marcasse para sempre.

Jamais vou me esquecer daquela noite … consegui ficar calada de 11 às 4 da manhã, ouvindo esse cara, mestre de todos os mestres, me contando suas lembranças, como se fôssemos velhos companheiros. Fez com que me sentisse realmente assim.

Depois disso, tive o privilégio de estar em sua companhia por diversas vezes, sempre por ocasião das deliciosas festas de aniversário do querido amigo Vercillo, comadreando com Gabi.

Sou uma mulher de sorte.

Meu coração bate forte até hoje quando me lembro da E. V. A. … quando me lembro de Mautner.

Amo Mautner … com toda a suavidade que sua figura consegue explanar !!!

Publicado na ocasião das gravações de “O filho do Holocausto” … baseado na biografia de Mautner, por Pedro Bial …

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Um comentário em “E.V.A.

  1. “Como é difícil viver de música nesse país”
    Já não sabias?
    Mas se essa for a tua essência
    E não a viveres
    A duras penas;
    Parares de sonhar por um segundo sequer
    Não empurrares com força
    Agires como se tudo fosse andar sozinho
    Poderás até viver de outra coisa
    Mas por dentro morrerás
    E perderás tua magia
    Teu encanto
    Tua alma boa
    E aos poucos afastarás
    Os que crêem em ti.

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