And You And I … Yes …

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O adormecer dos anjos …

Meus leitores já sabem sobre os meus amores.

Sobre a tal caixinha onde os guardo junto aos sonhos e que mantenho a sete chaves, não para escondê-los … mas para que jamais fujam de minha lembrança.

Pois sim … vou falar aqui, agora, de uma das maiores paixões que eu tenho na vida. Vou deixar que a pele fale por mim, porque esse é um amor químico … que envolve aroma, paisagem, luz, descoberta … o encontro às claras com minha serenidade.

Estou falando do meu lugar ao sol … as livrarias.

Livrarias são cheias de respostas. Solução para os conflitos. Já me descobri e redescobri … já me desconstruí e me reinventei dentro de livrarias. São como templos. Abrigam minha religião e minha fé nas palavras.

É ali que moram os anjos.

Mas como tudo tem suas falhas, como tudo tem seus defeitos … neste dia, os anjos falharam.

Foi numa segunda-feira, 21 de dezembro de 2009, vésperas de Natal, há portanto dez meses … na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo , um reduto cultural dos mais assediados da Metrópole, ” se pá ” … do Brasil, que uma alma louca e obscura acertou, com um taco de beisebol, um anômimo estudante, designer, em sua busca por conhecimento e por, quem sabe … suas respostas.

Há exatos dez meses, um garoto comum que poderia ser o meu filho … ou seu filho … que na verdade era filho de alguém que vai estar num profundo vazio para sempre.

Não consegui entender como isso foi possível. Driblar os seguranças … tudo bem … mas os anjos ???

Onde estariam os anjos nesta hora. Por quê não olharam para esse menino ??? Por quê não olharam para sua mãe, que deveria estar orando para o deus da proteção assegurar-lhe a volta do filho, assim como eu e vc, a cada passo de nossos filhos pelas calçadas?

Ontem, Henrique de Carvalho Pereira, 22 anos, deixou este mundo e o mundo das livrarias, o dos anjos, o de sua pobre e impotente mãe.

Paro para refletir … para me solidarizar.