Carta ao poeta I

Para ler … ouvindo !!! …

*

Nem um trovador conseguiria descrever um amor como este
Na claridade de minha castidade celestial em oferenda
Não consigo mais sobreviver a assombrações
Definitivamente é você quem me assombra.

A poesia nunca me deixou tantas marcas.
A dor de quem segue por caminhos oblíquos,
nebulosos e confusos em dois sentidos.

Meus dizeres nunca foram tão inócuos.
Meus amores tão vazios.

Não quero te falar que não te quero mais, porque te quero.
Mas não consigo estar diante de escolhas ou diante da falta delas.

Minhas unhas se corroem, minha alma se corrompe.
Tuas palavras não me saem. Mais um pensar que se esconde.

Você se estabeleceu. Uma Virgem se reproduziu em mim
e estou prenha de um amor só seu, que se fará até quando
nesse anjo virtual, que só existe no meu céu
e no inferno desta minha solidão?

Não posso dizer que te amo, porque do amor não se diz.
Mas desse acariciar
em falso incestuoso,
o qual te confesso nesta linha,
só à imagem de tuas mãos me declararia amante.

Teu olhar está encravado em mim, e tua distância desliza
sobre tua presença que me confunde.
Da tua boca em forma do beijo que desejo.
Dos meus olhos na forma de mar, por derramar.

O que não quero é te falar de um amor que nem eu sei.

Mas você é em mim um milagre !!!
Que me fez trocar o não pelo sim.
Que me trouxe a fantasia
do poder amar de novo !!!

Sandra Barbosa de Oliveira

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Alucinações

Leia… ouvindo !!! …

*


Existe sempre um alguém elaborando a narrativa.
Se assim não fosse, as histórias não germinariam.

Lindas…

elas brotam e desabrocham,
para abrigar o pólen
que se entrega ao vento para salvaguardar a origem,
até encontrar o sublime momento do êxtase sensorial
que dará o sopro de vida à criação fecunda.

Mas histórias de vivências divergentes
vão sendo talhadas nas rampas do absurdo.

Ficção, descrença, medo, estranheza.
Sob técnicas de persuasão sonora,
onde as vozes viscerais derramam suas palavras
no tear de um destino encrudescido,

e vão sendo transportadas por trilhas
que difundem o caminhar cambaleante,
no dropar por ondas inequívocas, quase imaculadas.

Histórias deslizam pelas convulsões do mundo
num sentido que não se traduz…

E o tempo alenta com a energia dos furacões
pra demonstrar poder no exato instante
do regurgitar da prosa em versos.

Pelos desejos mais intransponíveis
na tormenta avassaladora de suas mal digeridas perdas,

infringe assim, o narrador vigente
em dissidência vertente sobre a mesma estrada,
apenas para mascarar a história que se faz longilínea, viceral…

Ao brindar, transparente e lânguido,
dos lábios em busca de delicados vitrais
que transbordam cores e sabores
pelo cálice do vinho.

Sandra Barbosa de Oliveira