Montéquios e Capuletos

À espera do Caos …

Dente por dente, olho por olho. Bandido bom é bandido morto.

Minha bússola amanheceu desgovernada. Fui conduzida, pelo menos nos últimos 50 anos, a pensar na necessidade de haver dois lados para estabelecer-se o equilíbrio. Que é preciso ponderar muito sobre o certo e o errado. Que não existe verdade absoluta. Parece que até a Física tenta provar, se não me engano.

O “Criador”, em Sua manobra da concepção fez com que conhecêssemos seu Poder de abençoar e o de castigar, que devemos temer a Sua ira que está muito acima da ira de Lúcifer, pois, foi com a sua onipotência que se criou, num misto de bem e mal, para exercer Seu poder absoluto, controlador, manipulador.

Foi Ele próprio quem criou céu e inferno, norte e sul, esquerda e direita, positivo, negativo… o Oriente e o Ocidente.

Mas esta noite, foi dia de festa.

Por sinal, o Senhor em pessoa criou o dia e a noite, o sol e a lua, o feminino e o masculino de cuja fusão extrai-se cada nova geração num movimento chamado eternidade. Porque enquanto houver lados complementares, haverá eternidade.

Não estou aqui me posicionando, apenas confabulando.

Esta noite eu assisti ao vivo o culto ao massacre! Ao bang-bang. Aos acima da lei.

Afinal, lei pra quê? … se a melhor forma de justiça é a pelas próprias mãos?

Reportei-me ao instante sublime em que caía o muro de Berlim, onde as pessoas em euforia comemoravam a junção, o reencontro, o amor, a liberdade.

Mas o que vi foi um cântico de morte. De vingança … de chacina. Matadores caçando matadores. Assassinos matando assassinos. Como na Idade Média. Como homens das cavernas. Como cães farejadores da carniça (des)humana, animais. Foi isso que presenciei nesta noite.

Não vi romantismo. Não vi poesia.

Senti certo asco da humanidade vendo as pessoas grudadas nas grades da Casa Branca. Senti um desapego a mim mesma, um sentir fazer parte desse mistério nojento da vida. Pensei na fragilidade de um imã que pode atrair com a mesma força com que repulsa. No sono das crianças sob a proteção dos anjos me apeguei.

E uma questão não me sai da cabeça:
De que lado estão os assassinos agora?

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Um comentário em “Montéquios e Capuletos

  1. Os americanos são, acima de tudo, patriotas. Levantam sua bandeira e tem orgulho dela. Por isso, espalham milhares delas em todos os territórios norte-americanos. Até na Lua…mas isso é outra história.
    Eles assumem a dor do próximo. A dor dos familiares que perderam seus filhos, maridos, esposas, tios e netos naqueles aviões ou dentro das torres gêmeas.
    Será que não sentíriamos a mesma sensação se estivéssemos do outro lado? Não. Nós brasileiros não somos patriotas. Nós não amamos nossa bandeira, nem tampouco espalhamos réplicas delas por todo território nacional. Vestir verde e amarelo é brega, quando deveria ser motivo de orgulho.
    Não, nós jamais seremos iguais a eles. Nós sempre seremos o terceiro mundo. Aqui, não nos preocupamos com o próximo porque o próximo pode ser o novo filho da puta que vai fuder com a sua vida. É assim que pensamos, é assim que agimos.
    Mas, independente de sermos brasileiros ou não, eu não entendo essa coisa de lutar e matar para buscar a paz.
    Mais amor, por favor.

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