Fumei mas não traguei

Não estou aqui para generalizar, nem para acusar ninguém; não detenho a verdade, apenas faço prevalecer uma opinião pessoal, fazendo-me valer do direito à liberdade de expressão, a favor da descriminalização da maconha e visando a educação de modo que pelo menos se tente diminuir o comércio ilegal de drogas. Se você acha que não tem como ajudar, converse com seu vizinho …

Como já dizia Bill Clinton… também juro, pelo Deus das Santas Contravenções. O que não vem ao caso, ao menos por minha pobre insignificância.
Mas foi hoje, ou no máximo ontem que retuitei (para quem não sabe, copiar e colar o link de um artigo cujo conteúdo você ratifica no twitter – se ainda assim não entendeu o mais indicado é que se atualize um pouquinho mais na web) … um artigo em que se dizia terem os especialistas médicos da UNIFESP chegado ao final de um estudo em que comprovavam que a “maconha emburrece” !!!
Ora ora … achei polêmica a conclusão.
O artigo dizia respeito ao comprometimento intelectual nos indivíduos usuários da droga e, se bem me lembro, de uma provável perda de memória decorrente desse uso.
Ora ora 2 … Atirando meus “achismos” na ciranda, confesso que sem ser especialista no assunto, não vi novidade alguma no que li; em mim, não gerou uma única ponta de surpresa mas, refletindo e ponderando sobre esses anos todos desde que nasci, no finalzinho da década de 1950, os glamurosos e extrovertidos anos 1960 … os 1970, 1980 e 1990 … e diante da necessidade política em se estabelecer esse raciocínio católico em torno do assunto … pensei:
Achismo nº1 – Podem os médicos que trabalham nessas pesquisas e que não nasceram ontem nem hoje, não serem tão leigos no assunto quanto querem parecer, não é?
Achismo nº2 – Estudantes de medicina não são tão tolinhos enquanto estão na universidade, são?
Achismo nº3 – A grande maioria dos grandes intelectuais não precisa ou não quer ter boa memória, não é?
Achismo nº4 – Adolescentes não devem fumar maconha jamais e para isso devem receber educação adequada em casa e na escola, certo? Nem que para isso tenham os pais que serem educados também, ok?
Achismo nº5 – Minha mãe dizia para eu ter cuidado com o pipoqueiro da frente da escola, e a sua também, lembra-se?
Achismo nº6 – Nada que a mãe da gente fala tem muita importância numa determinada idade, só nos damos conta disso quando estamos enrascados com a educação dos nossos filhos, não é mesmo?
Achismo nº7 – Há uma necessidade grande em desmitificar o uso de determinadas drogas como também ficar muito atento ao consumo de bebida alcoólica entre adolescentes cada vez mais jovens porque isso os leva, com toda certeza a querer experimentar drogas mais pesadas, tô errada?
Achismo nº8 – É através do exemplo dos pais que a grande maioria dos adolescentes se inicia no consumo de drogas lícitas (principalmente) e ilícitas, não é? E a grande parte dos pais e mães sabem que um “tapinha” não dói, né não?
Achismo nº9 – Precisamos valorizar a pessoa do professor, ando achando que ele anda com a auto-estima um pouquinho baixa, pode ser?
Achismo nº10 – Não estou aqui para fazer apologia à droga nenhuma, sou mãe, não sou idiota quanto ao consumo de drogas e não posso admitir esse modo quase analfabeto com que a medicina trata um assunto terrível, de saúde pública como é o consumo de drogas que está há muito fora do controle das autoridades, e é assim que estamos vivendo no Brasil. Estou me colocando civicamente do lado oposto ao da hipocrisia com que o assunto é abordado por profissionais de saúde na mídia, como se todos estivéssemos intelectualmente danificados.
Chamar dependentes químicos de burros eu “acho” não ser o melhor caminho.
O tradicional “maconheiro” dos anos 60 já virou médico, engenheiro, arquiteto, músico, jornalista, presidente da república dos Estados Unidos da América. Talvez traficante, bandido ou deputado.
E “nóis” aqui, com essa conversinha mole, nefasta e politicamente impraticável, que jamais acabará com o problema do tráfico de drogas que está matando “os meninos” às vistas da polícia e da sociedade “mediocremente de olhos fechados” para a sarjeta da dita, maldita e malvista “cracolândia” …

Rogai por nós !!! … Fumei, mas não traguei …

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4 comentários em “Fumei mas não traguei

  1. Passei por aqui para visitar seu blog. Muito interessante seu posicionamento. Eu também nasci no final da década de 50
    e sei muito bem do que você está falando. Tá na hora de
    todos abrirem os olhos e falar abertamente sobre o assunto.

  2. Muito bom seus textos, em especial a frase : “Se voce acha que não pode ajudar, converse com seu vizinho… ” Há tempos não lia algo tão simples e tão eficiente. Genial, muito inteligente. ABÇs

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