momentos, reflexão, Sandra Barbosa de Oliveira 2

Desacato ao morto

Às vezes, precisa vir a morte pra te libertar de algo que nunca fez.
Pior é que as cobranças, os desentendimentos ou mal-entendidos nunca morrem.
Permanecem e continuam a oprimir sob a forma de fantasmas, porque são imortais.

Às vezes, deixamos de dar atenção às pessoas por intransigência de outrem.
E só quando amadurecemos, percebemos o quanto isso não levou a nada.
A morte só é para quem leva! …

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Sandra Barbosa de Oliveira 2

Escasso excesso

Sonho com pessoas misturadas.

Acho que minha solidão interior fez de mim alguém incompletável.

Metade afeto, metade caule e se coubesse mais uma metade sem transbordar, colocaria a metade pedra que sobrou porque sua outra metade embolorou.

Mas nem três metades, como se fosse possível para formar o um, me seriam suficientes.
Precisaria de mais e mais metades… e é esse o meu infortúnio.

Acho que eu cresci tanto que estou precisando de metades demais. Ou será que esvaziei tanto de maneira a precisar de um todo com tantas metades?

Deixo aqui essa pergunta.

Sandra Barbosa de Oliveira 2

As três etapas do Bom Dia!

Ontem foi um dia especialmente movimentado pra essa minha vidinha mais ou menos.
Resolvi tirar a bunda da cadeira e levei meu corpinho pra rebolar lá no centro, logo pela manhã. Foi muito boa a experiência de perambolar pela cidade com a câmera a tira-colo descobrindo nas imagens da cidade, os detalhes escondidos nas entranhas do gigante.
Como é linda essa cidade!
Acho que deveríamos tentar compreendê-la melhor antes de tanto criticá-la.
Debaixo de um sol escaldante, no meio de um grupo enorme de gente de todas as idades e classes sociais, com um único e mesmo interesse: a fotografia… eu estava ali, acompanhada ao mesmo tempo que sozinha, com pensamentos flutuantes, desenvolvendo a arte de ver, através das lentes, uma vida melhor.
São Paulo é crack, é corrupção, é trânsito, é falta de infraestrutura, é concreto, é violência, é desumanidade.
Mas para sentir o prazer que oferece, só se dispondo a sentí-la em minúcias. Bom dia! …

*

Ontem foi um dia especialmente movimentado pra essa minha vidinha mais ou menos.
Depois de passar a manhã fotografando o centro da cidade debaixo de um sol escaldante, voltei pra casa semi-morta mas a bundinha não conseguiu esquentar a cadeira.
O bloco do bairro bateu o surdo e eu caí pra rua com meu corpinho pra rebolar com a câmera de novo, debaixo do braço.
E fui seguindo, seguindo aquela gente toda, numa diversão gratuita entre vovós e netinhos que iam engrossando o cordão a cada quarteirão que o bloco passava.
Tudo muito simples, mas com direiro a passista, estandarte, um micro trio elétrico, e aquela animação de gente que ia descendo dos prédios e se juntando ali, sem compromisso com nada que não fosse pura brincadeira.
E foi com essa leveza que voltei de novo pra casa, pensando que a vida poderia ser bem mais descomplicada sem o peso que a gente faz questão de carregar diariamente.
Bom dia nº2 !!! …

*

Ontem foi um dia especialmente movimentado pra essa minha vidinha mais ou menos.
Depois de passar a manhã fotografando o centro da cidade debaixo de um sol escaldante e a tarde rebolando com minha câmera no bloco do bairro sob marchinhas e “delícia, ai se eu te pego” … de já estar com a bundinha não conseguindo mais levantar da cadeira, veio a parte mais interessante … o jantar!
O encontro com as primas no melhor do estilo “sex in the city” se deu como o deleite dos deuses e se eu falar que, em grande estilo, estaria subestimando o evento.
Sim, porque não foi um jantarzinho “chinfrim”.
Foi um jantar com toda a pompa parisiense com direito a cardápio individual impresso, degustação de entradas acompanhadas de prossecco, um vinho para cada etapa do menu incluindo a sobremesa, licor e café.
Tudo isso envolto numa conversa de altíssimo nível como se viesse embalado pra presente.
No fim da noite, pra terminar, a terapia.
O papo descontraído onde cada uma posiciona seus feitos para serem discutidos, atualizando assim, os assuntos pendentes desde o último encontro. Só pra me redimir, eu termino com uma frase meio atípica:
– Basiquete é o “cara-le-o”! É pau! … Bom dia nº3 !!! …

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Marcas

Cada marca nos meus olhos tem uma história pra contar, algumas serviram para escoar as lágrimas, algumas para exprimir sorrisos.

Cada vez que eu as olho, é como se relesse o livro da minha vida.

Quanto eu fui feliz, o quanto infeliz. Mas minha estrada foi muito cheia de surpresas, colhi flores no caminho, me espetei com seus espinhos.

Curti todos os dias de chuva. Fiz com que o frio me agasalhasse. Com que o sol me fornecesse sombra.

Cada vez que eu vejo as marcar nos meus olhos, eu sinto o vento de viagens que não fiz e a esperança na alegria que está à minha espera.

Nelas está o meu caminho.

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