Nem tanto ao céu

O que diferencia as pessoas é, sem dúvida, a maneira como elas veem a vida. As atitudes podem, sim, torná-las imortais. Enquanto umas matam, ferem, se apropriam, há quem ame, há quem doe, há quem se comprometa.

Enquanto a maioria das pessoas morrem e descem à catacumba para jamais serem lembradas, alguém passa para a vida eterna por seus feitos, atitudes, por legado, arte, força, compaixão, bondade ou crueldade; mas é a ação que faz a transformação.

E foi assim que Ele chegou até nós. Num cenário de opressão e dor, onde a fome, o trabalho escravo, a prostituição imposta, o desrespeito aos enfermos, o abandono dos idosos e das crianças refletiam a necessidade do basta à violência, ao domínio grotesco do imperador e à luxúria.

E foi assim que Ele chegou. Predestinado a liderar a revolta, pelo desejo de fazer justiça e dar proteção ao Seu povo. Ofereceu ajuda, abrigo espiritual e consolo. Conforto moral, educação, saúde e, principalmente, política.

Ensinou a pescar e a repartir o peixe, curou feridas, peregrinou levando ensinamentos a quem não tinha acesso à informação, ao desenvolvimento do senso crítico e do senso comum – os “pobres de espírito”. Imprimiu a bondade. Levantou a bandeira e jogou sementes contra o dominador.

Como conseguiu? Aprendendo. Teve escola. Foi batizado e minuciosamente doutrinado para ser o grande transfomador da ordem social. Talvez o maior, em todos os tempos.

Estabeleceu a grande cumplicidade entre X e Y. Ensinou a orar, a difundir em comunhão as energias contra o grande satã, o Império, ao lado de uma mulher.

Levou sua luta até o fim, destemido aos homens e até mesmo a quem chamou de Pai, o grande Opressor – o “Big Brother” – a quem entregou a própria vida.

Pagou o preço, mas foi vencedor. Não há na História capítulo tão marcante e envolto em tão grandes segredos quanto Este. Tornou-se o maior Mito de que toda a civilização tem notícia.

Um Santo? … tenho algumas dúvidas. Um guerreiro?… O grande ativista? Revolucionário? … A mente mais brilhante e complexa da evolução humana… Talvez.

No mundo, nada mudou. Imperialismo, dor, opressão, fome, trabalho escravo, prostituição, desrespeito aos doentes, abandono aos idosos e às crianças … soberba e promiscuidades políticas.

Mal sabia em quantas orgias seria usado Seu nome em vão! …

Mas pelo menos há a esperança de que Ele volte, sob a forma de um alguém qualquer que consiga reverter essa desordem.

Um grande Homem, quem sabe? … nossa salvação ainda está à Sua espera.

sandra barbosa de oliveira

 

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