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Quando o amor sai do passado

Guardados para sempre na minha caixinha.
Eu amo todos vocês! Eu amo você, Armando Bravi.

Cumprindo Profecias
(Armando Bravi)

Da janela do décimo quinto andar fico procurando sinais da cidade da minha adolescência. Entre prédios modernos de arquitetura duvidosa encontro aqui e alí um telhado familiar, um quintal conhecido – cenários abandonados. Mesmo com toda paisagem renovada e repleta do não-eu, consigo me encontrar nas novas alturas desta vasta Jundiaí.

Na criação deste vídeo passo oito dias em frente ao computador tentando fazer sentido de todas as fotos e lembranças que elas me trazem. Trabalho árduo e detalhista, neurótico por contrôle que sou, que me pede um envolvimento técnico absoluto e força a emoção prá fora do estúdio.

Rostos, escadas, janelas e gestos que passam pelo meu monitor em direção à um resultado coeso e sincronizado com a profecia do Milton Nascimento. Emoções fortes de alegrias passadas e tristezas marcantes passeiam pelo meu coração, um vídeo clip que eu não controlo ou manipulo. Meu coração sempre foi seu próprio diretor e nunca ouviu a voz da razão, mas como na profecia do Milton, só aceita a voz que vem dele mesmo. Meu coração as vezes fala por demais…

Páro o processo de edição por um tempo, pra descansar, fumar, renovar a energia, mas eu sei que realmente é meu coração que precisa de tempo pra transbordar todas as emoções que este passado fotografado me traz e choro, choro muito…

Choro muito na sacada do décimo quinto andar olhando a nova paisagem e não preciso mais do telhado conhecido, do quintal familiar… Agora o externo não pode mais me traduzir. Mudei pra dentro de mim. Só o que me traduz são essas fotos que passeiam pelo monitor e que me levam de cabeça ao passado. Meu presente é este passado branco e preto de recordações. Minhas mãos se unem ao teclado, o computador sou eu e meu coração é a placa mãe.

E vejo Elianas e Cidinhas;
Lauras, Rôs, Selmas, Anas e Cristinas;
vejo as três estrelinhas.
Vejo Frenhis, Vilhenas, Fratesis e Silvas.
Pitucas, Fortunatas, Rabelos e Luizinhas.
Vejo mestres queridos que jamais esquecí.
Vejo Ivaniras, Antonio Carlos, Abigaís e Doroty.
Vejo o laranja e branco no vestido de seda pura
Vejo Regina Toledo, a mãe da minha loucura.

Esse vídeo é para todos nós que, independente de quais anos passamos por estes corredores e salas, escrevemos a história da nossa escola.

Corredores do GEVA, repletos das dúvidas e sonhos da nossa adolescência, estamos de volta para cumprir a profecia do Milton Nascimento. Apertem o cinto de segurança, abram bem os olhos e não deixe o coração piscar. São 50 anos em quatro minutos. Espero ter feito justiça à este presente que, no presente, hoje o passado nos dá!

Armando Bravi é ator e diretor de teatro. Hoje, em NY.

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5 comentários sobre “Quando o amor sai do passado

  1. Puxa,,, a Sandra me localizou depois de 35 anos escondido nas praias do Rio de Janeiro….emocionei e muito..vou procurar fazer um perfil no Face…só vocês mesmo para me fazerem entrar no Face….

  2. Esse texto não é meu, é do Armando Bravi. Foram as palavras dele no encontro de ontem. Enfatizei aqui para não perdê-las. Obrigada pela visita ao blog, seja bem-vinda. Um super beijo!

  3. Não tenho palavras para descrever tudo que estou sentindo. Sinto me honrada em ser sua amiga hoje. Lindo seu texto, mas a beleza que os envolvidos enxergam nele é indescritível. God bless you! ♥♥♥

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