Sandra Barbosa de Oliveira 2

77 anos de Vandré – Pra não dizer que não falei das flores!

Aos 77 anos sendo completados hoje, fica aqui nossa homenagem à um grande combatente. Dilma Rousseff poderia fazer justiça à esse grande nome da nossa música, já que ambos navegaram pelos mesmos mares. Meu reconhecimento ao Geraldo Vandré! …

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“Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música!”
Aldous Huxley (Music at night, 1932)


Ainda não consegui colocar palavras aqui! Só silêncio e música!

Ladaínha

Aroeira

Pra não dizer que não falei das flores

Na terra como no céu

Porta-estandarte

Canção da despedida

Pra não dizer que não falei das flores

Obra Prima, outros autores, Sandra Barbosa de Oliveira 2

“The Genius of the Croud”

A primeira leitura do dia na semana que se inicia, é um poema com densidade “bukowiskiana”, tenso e intenso, sugerindo a inquietação própria do autor, numa visão crítica sobre a capacidade do ser humano na avaliação do semelhante.

“The Genius of the Croud”
(Tradução livre: Literatura Clandestina)

O GÊNIO DA MULTIDÃO

Há suficiente violência, traição,
ódio absurdo no ser humano comum
para abastecer qualquer exército
a qualquer dia.

E os melhores assassinos são aqueles
que pregam contra ele
e os que melhor odeiam são aqueles
que pregam o amor
e os melhores na guerra
– por fim – são aqueles que pregam
a paz.

Aqueles que pregam deus
precisam de deus
aqueles que pregam a paz
não têm paz
aqueles que pregam o amor
não têm amor

Cuidado com os pregadores
cuidado com os conhecedores
cuidado com aqueles que
sempre estão lendo livros
cuidado com aqueles que detestam
a pobreza ou estão orgulhosos dela
cuidado com aqueles rápidos na prece
porque eles precisam de preces em troca
cuidado com aqueles rápidos em censurar
eles têm medo daquilo que não conhecem

cuidado com aqueles que buscam
multidões constantes
eles não são nada sozinhos
cuidado com o homem comum
a mulher comum
cuidado com o amor deles
o amor deles é comum, busca o
comum

mas há genialidade no modo como odeiam
há genialidade suficiente no ódio
deles para matá-lo,
para matar qualquer um
por não desejarem a solidão
por não entenderem a solidão
tentarão destruir tudo
que seja diferente deles mesmos
por serem incapazes de criar arte
eles não entenderão a arte
considerarão o fracasso
como criadores
somente como uma falha do mundo
por serem incapazes de amar por completo
acreditarão que seu amor é
incompleto
e assim eles odiarão você
e o ódio deles será perfeito

como um diamante que cintila
como uma faca
como uma montanha
como um tigre
como cicuta

Sua mais fina arte.

Charles Bukowiski

momentos, Sandra Barbosa de Oliveira 2

“No verso do cartão de embarque eu escrevi o seu nome”… Felipe Pena

As palavras do professor me fizeram ecoar uma história.
A história de um único e rápido momento passante. As palavras eram sobre um cartão de embarque. E as imagens do aeroporto vieram como num filme de arte. Estávamos tão sozinhos diante da despedida. Apesar das pessoas à volta havia um silêncio. Solidão. Eu não podia te olhar, tinha um adeus transbordando em teus olhos. Como eu gostaria de saber o que aconteceu ao entrar na sala e partir. Eu saí dali sem meu norte, peguei o carro e segui pelo caminho inverso como se abduzida por pensamentos de amor indecifrável com Bob Maley a me dizer incessantemente no rádio: “In high seas or-a low seas, I’m gonna be your friend”. Quase uma hora depois me percebi perdida na estrada em que os dois sentidos me levariam pra longe e voltei.
Devo ter sido levada pela corrente das lágrimas que não pude derramar, ou pelo olhar que você não pode ou não me quis entregar.

#forever, amigos para sempre, Contos e crônicas, momentos, reflexão, Sandra Barbosa de Oliveira 2

Em resposta

Um dia para pensar nos teus sonhos pra mim é muito pouco.
Talvez mais um, ou muitos pra pensar na tua tradução de si mesmo.
Cato entre palavras e entrelinhas alguma possibilidade de você, ao tentar captar do tempo a definição. Minha necessidade é saber.
Olhar e sentir podem esperar a primavera que pra mim já é. Tuas palavras me assombram e mesmo assim encantam. Mas do canto eu espero um sinal.
Palavras e sonhos se misturam numa coisa só. Mas em cada uma delas me arrebento na ânsia de decifrar os signos. Imagens. As enzimas nas histórias que só você pode contar. Leio e releio pra descobrir se sou um bem ou um mal. Se pessoa ou personagem. Se me perdi no tempo… ou se estou perdida no espaço também! …
O meu sonho é voar como fada. Brincar em outras dimensões não é sonhar, viver é brincar em todas elas.
Quero estar nos braços dessa definição bem resolvida em cores fortes, mas o medo é ter mofado nos filmes das tuas lembranças. Dúvidas e certezas estão sempre de passagem e a fraqueza é insólita! …
Ser possível não é estar disponível. É estar presente na tradução do outro.