Sandra Barbosa de Oliveira 2

Então saiba …

Eu sei o que é o amor! …

O amor é um sentimento que te rouba a alma.

Que empresta de você todos os seus desejos e todos os seus sonhos para devolvê-los depois pela metade.

Transforma você num compartimento. Num doador. O amor não soma. Ele divide. Ele te rouba. Te ausenta de você.

O amor é uma bifurcação. Ele desvia. Ele engana. Ele te encanta.

Ele prepara armadilhas, transgride, transforma. Ele derruba. Ele levanta.

Para o amor não há fronteiras, linhas, divisórias, muros. Ele salta. Empurra. Domina.

Ninguém pode escapar do amor quando ele chega. Mas ele pode matar você. Ou te fazer se sentir feliz.

O amor é uma espécie de sonho. Ou uma espécie de pesadelo.

Ele é doce e adoece. Ele brinca com você. Ele te faz chorar.

Mas ele traz grandes alegrias e nenhuma serenidade.

O amor é eterno. Inquieto. Ele não te deixa fugir. Nem esquecer.

O que há em nós quando encontramos o amor? Privilégio.

O verdadeiro amor é um privilégio.

Ele te esmaga. Te amordaça. Faz você doer de alegria. De tristeza. Dúvida. Incerteza.

O amor é uma eternidade que faz a alma doer, para poucos saberem o que é a existência.

O verdadeiro amor é para poucos…

Escrito e publicado às 09h08min do dia 23 de maio de 2008

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Sandra Barbosa de Oliveira 2

A criança que fui chora na estrada

 (Fernando Pessoa)

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

Política, reflexão, Sandra Barbosa de Oliveira 2

7 de outubro – dia nacional da obrigatoriedade

Desta vez, apesar da consciência cívica, eu me inclinei à anular meu voto. Estou desapontada, decepcionada e triste com a forma como venho sendo subjulgada. A propaganda política obrigatória é uma afronta à inteligência das pessoas de bem. Estamos sendo obrigados a votar no candidato menos ruim, naquele que vai derrubar o outro que é o pior. O “menos” corrupto. O “menos” ladrão… cansei.Tenho saudade do tempo em que havia briga por alguma coisa, do tempo em que havia esperança. Meu maior desejo hoje, é ver as reformas. De que adianta o Brasil ter a melhor tecnologia para computar votos se não temos em quem votar? Se fosse mesmo um país moderno já nos teriam desobrigado ao voto. Só vota quem quer. Vota quem tem pra quem. Vota quem tem alguma convicção. Vou tentar votar no menos qualquer coisa, gostaria que fosse no mais alguma coisa. Não acredito em partido nenhum, em candidato nenhum, no formato do processo eleitoral. Não acredito em nada. Gostaria mesmo era poder ficar em casa sonhando com as tais mudanças.

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Não há silêncio que não termine – Parte I

“Estou só. Ninguém me olha. Finalmente, sozinha comigo mesma. Nessas horas de silêncio que adoro, falo comigo e rememoro (…) Estou livre e choro. De felicidade e de tristeza, de honra e de gratidão. Tornei-me um ser complexo. Não consigo mais sentir uma emoção de cada vez, estou dividida entre contrários que me habitam e me sacodem. Sou dona de mim mesma, mas pequena e frágil, humilde pois consciente demais de minha vulnerabilidade e de minha inconsequência. E minha solidão me descansa. Sou a única responsável por minhas contradições. Sem precisar me esconder, sem o peso daquele que escarnece, que late ou que morde.” (Não há silêncio que não termine – Ingrid Betancourt – Companhia das Letras – 2010.)