7 de outubro – dia nacional da obrigatoriedade

Desta vez, apesar da consciência cívica, eu me inclinei à anular meu voto. Estou desapontada, decepcionada e triste com a forma como venho sendo subjulgada. A propaganda política obrigatória é uma afronta à inteligência das pessoas de bem. Estamos sendo obrigados a votar no candidato menos ruim, naquele que vai derrubar o outro que é o pior. O “menos” corrupto. O “menos” ladrão… cansei.Tenho saudade do tempo em que havia briga por alguma coisa, do tempo em que havia esperança. Meu maior desejo hoje, é ver as reformas. De que adianta o Brasil ter a melhor tecnologia para computar votos se não temos em quem votar? Se fosse mesmo um país moderno já nos teriam desobrigado ao voto. Só vota quem quer. Vota quem tem pra quem. Vota quem tem alguma convicção. Vou tentar votar no menos qualquer coisa, gostaria que fosse no mais alguma coisa. Não acredito em partido nenhum, em candidato nenhum, no formato do processo eleitoral. Não acredito em nada. Gostaria mesmo era poder ficar em casa sonhando com as tais mudanças.

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Não há silêncio que não termine – Parte I

“Estou só. Ninguém me olha. Finalmente, sozinha comigo mesma. Nessas horas de silêncio que adoro, falo comigo e rememoro (…) Estou livre e choro. De felicidade e de tristeza, de honra e de gratidão. Tornei-me um ser complexo. Não consigo mais sentir uma emoção de cada vez, estou dividida entre contrários que me habitam e me sacodem. Sou dona de mim mesma, mas pequena e frágil, humilde pois consciente demais de minha vulnerabilidade e de minha inconsequência. E minha solidão me descansa. Sou a única responsável por minhas contradições. Sem precisar me esconder, sem o peso daquele que escarnece, que late ou que morde.” (Não há silêncio que não termine – Ingrid Betancourt – Companhia das Letras – 2010.)