Sandra Barbosa de Oliveira 2

Armando e Márcia

Tem gente que vive ao nosso lado uma vida inteira, e passa, sem a gente notar que já está longe, em sua caminhada a passos largos. Tem gente que chega, vai ficando, vai construindo uma caminha num lugar quentinho, dentro do coração… e não sai dali nunca mais. Se esconde tanto que a gente não consegue mais ver. Mas de vez em quando se mexe e remexe a fazer as coronárias ficarem tão apertadas que parece que o coração vai explodir; mas por fim, se ajeita de novo e adormece. Enquanto dorme, vai sonhando com a vida, com as paisagens na janela, com grandes amores. Alguns constroem crianças, alguns se postam a dedicar-se aos números, outros à arte. Tem gente que ganha dinheiro, outros colecionam sentimentos. (Eu coleciono árvores e amores). E todos vão tecendo suas vidas, talhando sua rotina. Interpretando papéis. Desvendando mistérios. Tudo isso, enquanto o mundo se consome, e nos oprime ou cruelmente nos reprime. Ou nos solta feito pandorgas ao vento para que vejamos a vida lá de cima do circo voador, como num balanço das mãos em ondas pra fora da janela do carro. Para que se dermos sorte, a linha arrebente e a gente voe pra sempre, sem nunca mais ter que voltar. Existe gente que sabe dar valor pras coisas, voar. Existe gente que passa pela vida sem enxergar um por-do-sol sequer. Tadinho! O que faz a diferença é a maneira de sentir o mundo. É a maneira de ocupar o espaço certo. Ou melhor, a d e q u a d o. Aliás, “adequado” é a palavra cujo sentido eu mais aprecio. Meu maior prazer está em me sentir adequada aos meus princípios, às minhas convicções. Mas, voltando ao começo… assim como eu fui me perdendo pelo caminho das palavras, aqui, agora, a gente vai perdendo o contato dos amigos queridos, e vai se emaranhando num mundo afetivo, de amor romântico que muitas vezes nos faz sofrer, perder a cabeça… e quase sempre o coração. E é aí que nos perdemos de vez dos amigos… nosso coração sai rolando por ruas de pedras e temos que correr atrás dele feito loucos, para minimizar as nossas perdas. Altoestima baixa em nosso destino cabisbaixo… Mas com sensibilidade, pelo amor a tudo o que é belo que abraçamos para não deixar cair jamais, ou pela beleza que deixamos passar por não compreender nosso interior de menino. E depois do mundo dar cinquenta voltas em torno do sol vc poder reencontrar a doçura daqueles que seu coração carrega e cuidou com tanto carinho, é nessa hora, que desço descalça por aquela ladeira da infância, olho pela varanda da infância, com os olhos de infância e descubro ali, à minha frente, dois grandes amores da minha vida. Márcia e Armando. Eles estão ali, na frente de casa, olhando pra minhas lembranças, e sem querer, restabelecendo meu encontro com aquela que fui um dia, e com a qual eu havia perdido contato. Como é bom sentir um amor de verdade! Como é bom sentir o gostinho de “jintan” saltando da boca outra vez. Obrigada meus amigos. Eu choro, hoje, pela alegria que sinto neste reencontro. Reencontro esse, entre vcs e a boa menina que eu não acreditava mais ter sido. Amo vcs!

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Um comentário sobre “Armando e Márcia

  1. Amiga querida, esse lugar quentinho dentro do coração tem porta mas não tem chave ! As pessoas que ali se escondem ficam por amor e pra sempre ! Esse é o sentido de uma amizade verdadeira … bj grande!

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