Contos e crônicas, Sandra Barbosa de Oliveira 2

Gira-mundo: único ato

Começa…

Dou voltas no tempo aos rodopios, com os pés em ferida amordaçados por cetim e fita. Vou tentando um caminhar soleve, um quase flutuar.

E de ponta em ponta, de giro em giro, vejo a vida navegando em voltas, ao mesmo tempo em que leva tudo pra bem longe. Distância melódica, ideológica. Distância mágica.

Vejo vestidos em rosa e azuis, as saias resvoam quando bate um ínfimo vento, o girar de uma vida que faz movimento, movimentos com a delicadeza dos braços no abraço.

E te abraço.

E o mundo girando sem sentido, com luzes que invadem minha sensatez. Do sonho impossível a uma clara visão. De um você que aparece no escuro do canto, me carrega nos braços, e gira uma vida comigo.

E me abraça.

Mas eu desvaneço em embriaguez, você se esvai novamente pro canto. Meu canto, um lamento a te procurar. Te olhar, girar, girar. Com os pés a sangrar. Meu choro de dor a perseguir você. Sem te perder, perder… jogada no chão…

…E fecha!

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