Minhas coisinhas … pra ninguém tascar!

O poema é a transposição da alma em palavras. A arte é que se incumbe de transportá-las pro papel. A diferença entre o poeta e o artista é que o poeta sofre ao passo que o artista vive a sonhar os caminhos.

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Trilhas sonoras. Acordes, do verbo acordar. Caminho, do verbo trilhar! … Sonoras, do verbo sonhar.

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O silêncio é feito de sons. Às vezes nos sentimos prisioneiros, outras vezes, pássaros viajantes. O vôo e a prisão estão na mente. E a mente denuncia!…

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Sobre a essencialidade: Para descobrirmos quem nos é essencial, temos que poder enxergar profundezas. Mas muita gente se faz impenetrável. Se quiser saber-se essencial na vida de alguém, abra-lhe as portas!

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Que a lua ilumine os sonhos de quem consegue dormir e que faça brilhar a consciência dos que dormem acordados !!! … boa noite.

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Por a perder as melhores coisas da vida é a característica fundamental das portas! …

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É verdade, nunca e sempre podem ser tão infinitos quanto breves. Ou semibreves, semínimas; ou pausa … ou em infinitas pausas: o silêncio!

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Por quê ter que pedir perdão por dizer a verdade, se nas tuas palavras eu encontro minhas palavras, e na tua imagem eu encontro a minha imagem de você? …

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Ser feliz é bem simples, é desprovido de grandes ambições. Eu sou feliz quando estou descalça! …

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Amigos são seres cujas almas convivem independentemente de possuírem corpos. O querer de um não interfere jamais no querer do outro, porque o que os une é só (e somente só) a afinidade!

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Nem sempre o sol brilha quando a primavera esbanja a beleza das flores. As buganvílias estão sempre dispostas a furar nossos olhos! …

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Quando as luzes se apagam, os diafragmas em forma de íris dão a abertura exata pra enxergarmos através da escuridão.

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Quando nos sentimos sós, o mundo fica tão apertadinho dentro da gente que só conseguimos sentir o nosso coração batendo dentro dele. E acabamos por acreditar que a vida é assim. Mas como queremos ouvir os outros corações baterem, a gente inventa, a gente finge o amor.

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Na imensidão do céu, existem coisas as quais não vemos. E há nessas coisas uma beleza oculta a qual só podemos apreciar através de potentes teleobjetivas. E é assim quando miramos no fundo dos olhos de alguém.

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Sabe quando as nuvens escorrem pelas pedras no Joá? … Aquela névoa branca descendo devagarzinho do céu pela encosta como que numa carícia em algodão?… Pois está ali o meu amor por você!

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Quando chove, aquela praia vira uma pintura, impressionismo puro no sentido literal, uma verdadeira obra entre os cinzas vertejantes. Para onde olhava o artista ao dar movimento às pinceladas? Que luz é aquela?

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Num clique momentâneo, podemos ficar indecisos entre o que fomos e o que seremos. Mas uma coisa é certa … não sabemos o que somos.

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Tem dias em que não conseguimos estabelecer a conexão com nossos sonhos. E que os sonhos parecem assumir a fragilidade de bolinhas de sabão!

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Entre aviões e canto de pássaros, lá vai o dia a deslizar seu charme pelo céu ensolarado e pelas ruas da cidade, deixando as marcas do sapato no passado.

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Serena e delicadamente, como balanço de capim ao vento sem maltratar a relva, te assopro um feliz adormecer entre plumas e sonhos.

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Às vezes, o acaso chega para mostrar nas entrelinhas que podemos ser leves e livres. Que da hostilidade pode nascer um bem-querer profundo.

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Meus amores amanhecem tarde e adormecem cedo para que eu possa sonhar por mais tempo. O Tempo no sonho não passa pra que meu amor seja infinito.

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Há de haver uma palavra em sua boca, para me dizer de um sentimento terno, sob a forma orvalhada de um beijo sereno !!!

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De tudo o que há no mundo, o maior dos prazeres está em saudar a beleza. Enquanto houver beleza estarei aqui para compartilhar com você.

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A lua tem estado em estado de graça. De tão linda, derrama uma benção entre olhares distantes… num eterno único instante !!! …

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Esse teu silêncio é irritante, mas amo você mesmo assim. Porque o que quero de você transcende as tuas palavras. Está na tua alma e você não pode evitar!

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Tenho andado sobre saltos, sobressalto, sobre nuvens, sobrevida, sobre sonhos, sobremesa !!!

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O silêncio é a soma de todos os sons, de todas as vozes, de todas as palavras que nunca tivemos a coragem de dizer !

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Te entrego o meu amor explícito, mas te escondo em meus desejos mais secretos, porque o meu amor é teu e meus desejos secretos também!

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Abri os olhos e me deparei com a manhã entrando pela janela sob a forma de brisa. Acorda, amanhã !!!

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O acaso te trouxe para a minha caixinha de amores e é através da música que te trago a expressão.

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O fato de estar ausente não quer dizer que não te queira mais e sim que te quero mais ainda !!! …

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Quero te esquecer mas não consigo, você entra em minha casa sem pedir licença! Te odeio por isso, meu amor !!!

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Nunca estive tão apaixonada e por tanta gente como estou agora. Será que isso é morrer ??? …

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Em acordar de azul como no céu… o espreguiçar suave, um navegar. Te ver ficar … Imaginar … teu despertar é mar !!! …

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Sucumbir a preceito sem mudar conceitos … aliviar preconceito para não cometer injustiças. Isto é humano e você mudou a minha vida.

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Sandra Barbosa de Oliveira

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“The Genius of the Croud”

A primeira leitura do dia na semana que se inicia, é um poema com densidade “bukowiskiana”, tenso e intenso, sugerindo a inquietação própria do autor, numa visão crítica sobre a capacidade do ser humano na avaliação do semelhante.

“The Genius of the Croud”
(Tradução livre: Literatura Clandestina)

O GÊNIO DA MULTIDÃO

Há suficiente violência, traição,
ódio absurdo no ser humano comum
para abastecer qualquer exército
a qualquer dia.

E os melhores assassinos são aqueles
que pregam contra ele
e os que melhor odeiam são aqueles
que pregam o amor
e os melhores na guerra
– por fim – são aqueles que pregam
a paz.

Aqueles que pregam deus
precisam de deus
aqueles que pregam a paz
não têm paz
aqueles que pregam o amor
não têm amor

Cuidado com os pregadores
cuidado com os conhecedores
cuidado com aqueles que
sempre estão lendo livros
cuidado com aqueles que detestam
a pobreza ou estão orgulhosos dela
cuidado com aqueles rápidos na prece
porque eles precisam de preces em troca
cuidado com aqueles rápidos em censurar
eles têm medo daquilo que não conhecem

cuidado com aqueles que buscam
multidões constantes
eles não são nada sozinhos
cuidado com o homem comum
a mulher comum
cuidado com o amor deles
o amor deles é comum, busca o
comum

mas há genialidade no modo como odeiam
há genialidade suficiente no ódio
deles para matá-lo,
para matar qualquer um
por não desejarem a solidão
por não entenderem a solidão
tentarão destruir tudo
que seja diferente deles mesmos
por serem incapazes de criar arte
eles não entenderão a arte
considerarão o fracasso
como criadores
somente como uma falha do mundo
por serem incapazes de amar por completo
acreditarão que seu amor é
incompleto
e assim eles odiarão você
e o ódio deles será perfeito

como um diamante que cintila
como uma faca
como uma montanha
como um tigre
como cicuta

Sua mais fina arte.

Charles Bukowiski

“No que creem os que não creem”

Hoje, “folheando” a internet em busca de conhecimento, eu esbarrei num livro que li há 13 anos, cujo conteúdo se mantém atualíssimo, extremamente apropriado ao momento em que vivemos.

O escritor e filósofo Umberto Eco, um dos mais conceituados pensadores laicos, dos mais importantes semiólogos da atualidade e o Cardeal Carlo Maria Martini, então Arcebispo de Milão (1999), passaram um ano se correspondendo sobre assuntos como …

“A existência de Deus e a invenção de Deus, os fundamentos da ética e o respeito ao outro, as mulheres e o sacerdócio, a liberdade de escolha e de ação frente aos imperativos religiosos, o aborto, o respeito à vida, a engenheira genética, o apocalipse e a idéia de fim na cultura laica, a existência ou não de uma noção de esperança comum a crentes e não crentes.”

Cartas tansformadas em livro, interessante pela dualidade ideológica do debate, travado com total liberdade dialética, “No que creem os que não creem” é litaratura obrigatória para aqueles que sentem a necessidade de formar opinião acerca dos assuntos que envolvem religião e Ética, tão em voga nos dias de hoje.

É um livro de 160 páginas, editado pela Editora Record.
Vale a pena ler. Indico! …

Abril de folhas

Abril de encontros e desencontros. Abril de Outono.

Uma vez em tantos, Abril sombrio.
Abril de festa. Abril de morte. Abril de circo.
Abril de sonho. Abril de tantas coisas boas e tantas outras tantas coisas.

Abril de risos, Abril de lágrimas…
De dor no peito e traição. Demolição. Desilusão.
Abril de começo e Abril de fim.

Foram tantos que nem sei.
Cumplicidade, sinceridade, deslealdade… casamento.
Abril de música e de lamento. Abril de Sexo.
De gargalhadas.

Trilhas no mato, trilha de inseto, trilha sonora.
A música… A mulher.

Abril de praia. Abril Paúba. Abril Três Pontas. Aldeia Minas Gerais. Abril de carnaval.
Abril de drogas. Embriaguez.

De pôr-do-sol. Tanto tempo ao sol se pôr.
Abril de Ciranda e Palhaço. Abril de Egberto. Abril de Gal. Festivais de Jazz. Gil, Carnifícina. Abril.

Abril de aborto. Abril de parto. De indução. Abril de choro. De alegrias e tristezas. Abril de angústia. De chegadas e partidas. De despedidas.
De história e de vitória!

Abril de Milton, Toninho, Cláudio e Nana.
Um Abril de Oceano. E um piano.
Abril na casa dos sonhos, Abril de luar. De limpar piscina. De aconchego. De deitar no chão pra olhar estrelas.

Abril de crianças brincando. De fazendinha e de estradinha. Maria farinha. De criança dormindo. De novidades. De coleção de pedras. De coração aberto.

Abril de pizza na cama e picanha no quintal. Abril de simplicidade. Abril descalça.

Abril de preconceito. Discriminação e enfrentamento.

Abril na cama. De filmes e chuvas, garoas no autódromo. Abril compartilhado. Abril ameaçado. Abril de farra. Abril de cachorros latindo.
De árvores e flores. De sublinhar o vento. Abril de folhas.

Abril de bar. De madrugar. De vidraça embaçada ao amanhecer. Abril de vento. De tirar o casaco pra agasalhar e de abraço apertado pra proteger.
De seguir na rua ao amanhecer. E de ficar sem fôlego ao beijar. De amassar na grade, na pia, na lavanderia. De transar na rua. De ser amada.

Abril de vinho.

De ciúme incontrolável. Descompasso, invasão e contradição.
De verdades e mentiras. Competição.
Abril de brigas. De depressão, de desrespeito. Bandalheira… banheira.

Abril de barriga. De viagens. De idas e voltas. Abril de luta, de vacas magras, de compromissos e de comprometimentos.
Abril de aniversário. Abril de céu. Abril de mar. Abril de paraíso, Maramar. Ou de inferno, por não ter onde morar.

Abril de choque. Abril de inverno. Carro quebrado. Aluguel atrasado. Abril de solidão. Abril de paz.

Abril marginal. Abril de um amor intenso. De pegada. Único, em palavras recentes e retiscentes…
Abril de passado, água corrente… Abril presente. Mágoa. Silêncio.

Abril surpresa, Abril demente, inconseqüente. Abril de Musa, inspiração e melodia. Abril folia.

Abril de toque, de química. Abril de preservação, de carinho na mão. De abraço de urso. Fantasia sem fim. De um louco e desvairado amor…

que jamais terminou.