Um dos poemas mais lindos que li nos últimos dias

Desencontro

Jorge de Sena, 1919 // 1978. Portugal

Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.

E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,

de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum
que mesmo o que se encontra não se encontra.

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Bonito ou triste? Uma questão.

Hoje, eu preciso te abortar 32 anos. Só pra apagar essa fábula que se fez entre nós dois. E pra isso eu teria que abortar a história inteira. Mas pra arrancar o sofrimento, eu teria que abortar a nossa vida. Pra fazer tudo de novo.  Sem me deixar dominar por você. Porque eu sei que por debaixo dessa pele de mulher que está sobre a minha, os meus cabelos ainda roçam no teu peito. E é meu o movimento circular vibrante na memória. Em todo o teu tocar está a tua busca por alguém, no teu vazio.Tuas mãos quando alcançam o teclado, tocam em mim. Porque sou eu quem está na tua música. Desse nosso amor que jamais vai terminar. As minhas sobras atormentam os teus  instantes. Eu estou a te acompanhar em cada acorde. Porque estou na beleza de tudo o que viu. No céu, no sol, na mata que adorna a tua janela. Na névoa que toca a tua vidraça. No sopro do velho vento que te acaricia. Eu estou olhando através do teu olhar, o teu passado. De dentro pra fora,  eu te acompanho a cada segundo em tua vida. São meus os  olhos que te olham  do espelho, e é por isso que eu reflito a tua imagem. Porque eu sou parte de você. Sou parte de tudo o que é, do que fez, do que gosta… eu sou parte da tua paisagem. Da essência à existência. Em detalhes. Ao apreciar a imagem da tua janela, você vê o passar da vida que você não soube apreciar. E eu estou ali, sorrindo pra você. Porque eu existo. Sou o reflexo de você na tua lembrança.

A ganância é “Lilás”! …

O que eles querem mesmo é dinheiro, sim !!!!!

Foi-se o tempo em que os artistas primavam por sua arte, se engajavam em lutas ideológicas e sociais, eles mudaram de lado, ficaram ricos.

Junto a essa briga escandalosa para censurar de antemão suas “pretensas biografias”, existem máscaras a serem derrubadas. A vida do músico (o empregado do “canário”) no Brasil não é um mar de rosas, não. Passa muito longe do glamour idealizado por tiétes. A maioria recebe salário de fome, os artistas não têm critérios para cumprir suas agendas, desmarcam tournés inteiras sem o menor pudor e respeito às famílias dos músicos que dependem dessa agenda para educar seus filhos.

A maioria dos músicos trabalha sem contrato de trabalho, sem um plano de saúde, sem aposentadoria. Vivem uma vida clandestina de trabalho informal. Alguns “patrões sanguessugas” passam a vida “chupinhando” produtores e arranjadores sem sequer creditar seus nomes ao trabalho, quanto mais pagamento justo dos percentuais em royalties.

Se apropriam, assim, da “arte do outro” para meter o dinheiro no bolso. Não entendo essa agora de acusar biógrafos por ações as quais eles mesmos passam a vida praticando contra seus “prestadores de serviço”. Estamos falando de arte. Estamos falando de música, de criação. A grande maioria dos músicos brasileiros acaba a vida na miséria.

Precisando de apoio financeiro de amigos; sem a menor dignidade. Às vezes, precisam se manter calados anos a fio para não sofrer represálias, porque músico que abre a boca não trabalha. Músico que processa artista por questões trabalhistas não consegue tocar com mais ninguém.

Nana Caymmi disse tudo: “Vida de artista é vida pública. Devem dar graças a Deus se alguém tiver interesse em biografá-las.” Afinal de contas foi essa a escolha. Esse é o preço e o que todos almejam é o sucesso.

Se querem privacidade devem fechar suas portas pra revista Caras. O mercado editorial brasileiro tem que reagir ao egocentrismo.

Lógico que falo apenas de alguns.

É uma “cúpula abastada e gananciosa” que não pensa que seus trabalhos dependem de uma equipe. O mínimo que eu sempre esperei foi que tratassem os profissionais da equipe com um pouco de respeito.

O ministério do trabalho deveria abrir uma sindicância pra averiguar as condições em que trabalham esses músicos no Brasil.

E a receita federal deveria prestar um pouco mais de atenção aos “borderôs” das bilheterias dos shows.

Opinião – Sobre biografias não-autorizadas

Ah esses artistas………….
Tanto que esperamos pelo apoio nas ruas e lá vem eles polemizando outra vez.
Estão tratando a indústria editorial como se fosse a revista Caras. Pobres biógrafos! Alguém conhece algum que virou celebridade? Eu acho sinceramente que “esses caras” deveriam espiar um pouquinho os “próprios bolsos” e fazer uma boa análise com seus travesseiros pra descobrir se por acaso não foram “eles”, os mesmos que passaram a vida engordando contas bancárias às custas da exploração do trabalho de profissionais de boa fé. Num será? Pensem nisso meus senhores, porque eu, quando converso com os meus botões, falo com propriedade.