Branca neve

que do frio
estremece em céu aberto
e na cabana escura
aquece a pele fria
em busca de aconchego
como quem no vinho
busca o seu abrigo
em gélidas taças
transparentes lisas
o que do teu olhar
transparente liso
ao derramar
o azul do céu
nos meus azuis abertos
vem denunciar
a este amor tranquilo
a fragilidade na tua incerteza

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Amor de menina

De menina eu não me contra digo
porque amor de menina é coisa séria
Amar na infância é amor-criança
Menina é pureza

Me lembro de um amar cuidadoso
De não prestar atenção na aula
enquanto vc levantava o saque
e gritava… vai!

No carro,
na carona de volta pra casa
eu me derretia
mais do que a bomba de chocolate
que você comprou pra mim

Me disponho hoje
a fazer coração no caderno
ao descobrir uma foto sua
agora, na internet

Nunca consegui
te decifrar em palavras

Naquele tempo

você era tudo!
Era diferentemente
singular

Esse poema sem rimas
É pra te fazer uma homenagem

Você me fez perceber
o quanto eu era diferente
Pé descalço
barba sem fazer

Eu gostei
da sua complexidade
Clandestino amor de menina
no caderno da escola

Não sei
o que rima com você
Você não tem métrica
já nasceu poema

Você é diferente de tudo
o que eu consegui encontrar!

Você vem? …

Sabe aquele abraço apertado? … 
Aquele olhar carinhoso?
Aquele deitar a cabeça no colo pra que dedos delicados entrelacem sutilmente o seu cabelo?
Sabe aquele sentar na grama, no parque e ficar segurando na mão, contando histórias e rindo de tudo?
Sabe aquele sair correndo pra mostrar esconderijos lúdicos de um jardim bucólico? 
Sabe aquele desejo de não sair mais dali, como se não existisse mais mundo?
Sabe aquele ignorar das horas, tomando sorvete derretido e arriscando umas cem mil voltas na roda-gigante sem descer quando ela para?
É isso que quero arrancar de você em segredo. Num dia chuvoso. Assim …

Nova ilha

Um dia desses eu vi na tv que no Japão um vulcão entrou em erupção no mar fazendo nascer uma ilha. Achei explêndido. Pensar que aquela lava vai esfriar e que sua “Mãe” vai se encarregar de cobrí-la de vida, verde e marinha. Fiquei a imaginando coberta de vegetação, musgo, abraçada por algas e corais. Tive uma sensação de que tudo se renova. De que a Terra se revolta, expele fogo para formar novos territórios.  Para criar o futuro. Me emocionei. Pensei em mim. Na minha vida e na minha neta que vai nascer. A natureza se incumbindo da continuidade. E assim segue … para aquilo que é eterno. Obrigada “Mãe” !!! …

Infinita impossibilidade

o poeta encanta
enquanto canta
mantra
em versos
canto escuro como um manto

encantado o véu assim
no entardecer do céu
do sol se pôr
por tanto
azul a iluminar minar
da água azul também
fazer brilhar

o poeta enquanto canta
o mantra em céu
a escoar da chuva
em pleno pôr do sol
no entardecer
lilás molhado
o santo manto
azul transformado
mina também
no anoitecer do seu canto
triste algum lugar
escuro azul

e o poeta canta
encanta estrela em verso
eterno amor
infinita impossibilidade
do canto triste
a desvendar caminho
como seguir seu sonho
a naufragar poemas

(Sandra Barbosa de Oliveira)