Vivendo e aprendendo

A morte é apenas uma passagem para o nada.
A vida é aqui. O amor é aqui, dentro de nós.
É em vida que somos generosos. Que enviamos flores a quem amamos. Que confortamos e consolamos.
Às vezes, a gente ama errado. Dedica a vida à pessoas erradas. E, num momento extremo de tristeza, fica à espera de uma única palavra, de uma única rosa. Uma mensagem apenas.
Mas é o silêncio que corta a carne. Que machuca mais do que a morte.
A morte… que é a passagem para o nada.
E nessa desatenção, na frieza daqueles com os quais compartilhamos o amor por uma vida, é que cala, mais do que a morte fria no corpo frio de um irmão, esse estúpido silênciar.
Porque a vida é feita de afeto! …

A estante

Vivemos por entre o conhecimento e as desigualdades. Onde de norte a sul, de leste a oeste, tanta gente se fodendo enquanto uns… pernas pro ar, sofá, ventilador. Freezer, água na pia e no banho… saladinhas, sorvete e cerveja, somamos muitas, mas muitas reclamações sobre o calor.
Aí… eu penso aqui com a minha estante: como você consegue alojar tantos sertões? Tantos desertos? Tanta pobreza? Como consegue amparar essa seca insolúvel? O pó? Falta d’água? Terra rachada? Faces esturricadas.
Ao mesmo tempo que a beleza do mar… os ventos e as velas… céu aceso, ora cravejado de estrelas?
Parti com meus pensamentos para o antigo Egito. Para a Mesopotâmia em solos férteis de outros tempos. Para Moisés em suas andanças. Para o Saara e seus Oásis. Para a miséria proliferando o mundo dos ratos e das moscas.
Parei pra me lembrar do meu atlas. Capa em preto e branco, imponente mas tão desatualizado, o coitado, que não sai dali pra nada por não ter podido profetizar todas as guerras.
E minha estante suportando todo o peso das histórias e das verdades comprimidas entre as capas dos impressos.
Parei de pensar por um instante pra contemplar a solidão do meu suor, embebido em cerveja estupidamente gelada, e refletir mais uma vez com minha estante, tão amiga, mas um tanto solene: de que é que estamos reclamando mesmo? …

sandra barbosa de oliveira