Desalento

Estar-te longe
longamente
noite estejas

Na tua voz eu ouço
a rouca Insensatez
e reconheço

Ao por do sol
Arpoador
em dor
só pensamento

Ao te perder
da vista
um mar em desencanto

Num canto escuro
eu conto um pouco
e um tanto assim
um desencontro

As águas a subir
e o sol se esconde
é noite em ti
em mim só um lamento

E eu aqui
poder sonhar
enquanto cantas

Um desalento.

(Desalento – Sandra Barbosa de Oliveira)

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* mostrando a cara do Brasil

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Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer sim

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

(Cazuza)