Arte, beleza, Contos, Contos e crônicas, crônica, Crônicas, Cultura, Educação, Literatura, Sandra Barbosa de Oliveira

Fotografia de Coimbra

(José Luís Peixoto)

“Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde. Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra. Coimbra são fotografias reveladas de um rolo antigo, esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos, Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater, e esse é um milagre de deus que transcende deus.”

(Fotografia de Coimbra – Gaveta de Papéis)

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#EuTeAmoBarcelona

A primeira viagem

Foi apenas quando o trem de pouso bateu com as rodas no chão que eu me dei conta de que ali estava eu, sozinha e que estava por começar uma grande aventura.

O destino entre os tantos que antecederam a escolha, desde os primeiros momentos, não surgiu ao acaso e seria o tiro da grande jornada de autoconhecimento e motivação, que estava há muito a minha espera.

Seria eu ali a vislumbrar um mundo de aromas e paisagens, arte, sensações e solidão.

Meu medo me obstruía a passagem mas nunca haveria de chegar a minha hora se eu não criasse o momento… e parti.

Ao desembarcar em Barcelona, naquele que seria o meu primeiro chão de mundo livre, o aeroporto me recepcionou com maestria e me encaminhou para as ruas da cidade.

Ônibus, buzinas, o peso da mochila nas costas, tudo meio adormecido ainda diante do desembarque, no momento da chegada.

A tarde estava morna, o tempo sem cor, nem frio nem calor.

Eu ainda embriagada pelas horas do voo, desci na praça principal, rodeei-a a 360 graus e percebi-me perdida em meu giro, em meu relógio, em meus sentidos, em minhas pernas, tantas eram as ruas que a cercavam que eu não conseguia sair do lugar.

Até que por um momento eu parei, oxigenei, e percebi que já havia chegado ao meu destino e que o caminho me levaria de encontro aos meus anseios de marinheiro atracado no primeiro porto.

E foi assim que eu encontrei o hostel, logo ali perto, no mesmíssimo lugar em que o mapa o havia apontado.

E foi que eu sorri diante da majestosa porta centenária que ao abrí-la pensei comigo…

eu venci!
*

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Rompendo tabus … com Isabel Dias

Quando o assunto é erotismo, muita gente aplaude a literatura apresentada em livros como “Cinquenta tons de cinza”, transformando esse instrumento de opressão em best-seller internacional.
Hollywood também aposta nessa opressão porque sabe que é o idealismo machista que patrocina a exploração de conteúdos onde a mulher é alvo de violência e desrespeito, trazendo milhões de dólares aos cofres da indústria de produções.
Mas quando do tema se faz a abordagem da libertação feminina, onde é a mulher quem resolve mostrar a igualdade de poderes; que o virtuosismo em nada está implícito na castidade; e que, depois de uma longa trajetória de sofrimento, em que sempre impera a traição, a deslealdade, todo tipo de violência psicológica e humilhação por parte de seus próprios companheiros de jornada; o que temos (claro que não em termos gerais), é julgamento, preconceito e discriminação por parte de um tribunal trans-vestido em hipocrisia, dos setores desta sociedade que se diz moderna (no sentido coloquial da palavra) e libertária, mas que no fundo está imersa num conservadorismo provinciano, há dezenas de gerações.
Será que a mulher está despreparada para a felicidade?
Digo tudo isso para introduzir opinião ao livro que acabo de ler.
A autora, minha amiga, se desnuda diante do leitor sem pudores, ao descrever os casos que teve, durante um período de dois anos e meio… com cada um dos 32 homens que conheceu através de um site de relacionamentos, depois de um trágico e complicado processo de divórcio, impulsionada pela raiva e pelo desejo de dar o troco à traição do marido, ao descobrir que ele tinha quatro amantes.
“32 – um homem para cada ano que passei com você” é um livro que lava a alma de todas nós mulheres, que experimentamos a dor de sermos traídas, humilhadas e psicologicamente violentadas por esses homens com quem nos dispusemos a compartilhar a vida, onde acreditávamos viver nossa grande história de amor, com quem nos sentíamos seguras e acalentadas. Com quem tivemos nossos filhos, a quem tivemos dedicados nossos melhores anos, nossa lealdade, nossa beleza vigorosa e nossa juventude.
Isabel Regina Dias é uma mulher de coragem, que não demonstrou ter pudor algum ao denunciar publicamente sua decepção em relação ao homem com quem imaginava envelhecer; a depressão que quase a matou e as descobertas que fez acerca de si mesma; ao se propor, com a aceitação e apoio dos filhos, a essa busca implacável pela mulher que nem sequer sabia haver dentro de si.
Parabéns, Regina, minha amiga… estou aqui pra dizer que você me representa! …
*
Com prefácio de Xico Sá … 215 páginas de muita diversão e reflexão.

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Putas

BLOG DO FREITAS

” estamos eu, a Scheila e mais três bilhões de putas ralando diariamente na boquinha da garrafa.”

Por Talita Corrêa

Não sou a primeira. Não sou a última puta da história. Portanto, com a sua licença, um mergulho no submundo:

Nesta semana, UMA MOÇA DIREITA E DE FAMÍLIA resolveu divulgar (com fotos, baixarias e menções ao filho morto do casal) que (pausa para a hashtag) #estápegandoomaridodaScheilaCarvalho.
Uma internauta intelectual, virtuosa e virgem analisou o caso: “Pau que nasce torto nunca se endireita (Menina que requebra, mãe, pega na cabeça). Quem mandou ter um passado sujo como morena do ‘Tchan’? Nunca vai ter respeito. Sou dona de casa e meu marido não faria isso. Agora, que botou botox e virou uma puta velha, vai chorar!’’.

Li. Ri. E pensei: estamos eu, a Scheila e mais três bilhões de putas ralando diariamente na boquinha da garrafa.
Somos putas velhas, sim. Há mais…

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Nova ilha

Um dia desses eu vi na tv que no Japão um vulcão entrou em erupção no mar fazendo nascer uma ilha. Achei explêndido. Pensar que aquela lava vai esfriar e que sua “Mãe” vai se encarregar de cobrí-la de vida, verde e marinha. Fiquei a imaginando coberta de vegetação, musgo, abraçada por algas e corais. Tive uma sensação de que tudo se renova. De que a Terra se revolta, expele fogo para formar novos territórios.  Para criar o futuro. Me emocionei. Pensei em mim. Na minha vida e na minha neta que vai nascer. A natureza se incumbindo da continuidade. E assim segue … para aquilo que é eterno. Obrigada “Mãe” !!! …

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O Palhaço II

A noite cai como uma luva. Meu coração é saltimbanco. Descumpre ordens. Quando chega o breu ele quer alimento. Saltita sem picadeiro. Dança, pula, quer diversão. Quer divertir. A noite zomba de mim, me espanta o sono. Leio, me entrego a melodias. Mas meu distanciamento de mim mesma não me concentra. Vou pra cozinha, corto cebolas. Mas nem assim consigo chorar. Ando sem graça. Sem risos, sem lágrimas. Minhas vontades estão distraídas também. Meus desejos acanhados. Nem prosa, nem versos. Nem tudo, nem nada. Como pode o poeta viver sem emoção? …

*

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Thrive … the world is waking up!

Pra prestar muita atenção. Rever os valores. Conceitos. Rever atitudes. Pensar. Agir! … Mudar