Fotografia de Coimbra

(José Luís Peixoto)

“Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde. Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra. Coimbra são fotografias reveladas de um rolo antigo, esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos, Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater, e esse é um milagre de deus que transcende deus.”

(Fotografia de Coimbra – Gaveta de Papéis)

IMG_20170710_195613_611

https://go.hotmart.com/B6166112W

A primeira viagem

Foi apenas quando o trem de pouso bateu com as rodas no chão que eu me dei conta de que ali estava eu, sozinha e que estava por começar uma grande aventura.

O destino entre os tantos que algozmente antecederam a escolha, desde os primeiros momentos, não surgiu ao acaso e seria o tiro da grande jornada de autoconhecimento e motivação, que estava há muito a minha espera.

Seria eu ali a vislumbrar um mundo de aromas e paisagens, arte, sensações e solidão.

Meu medo me obstruía a passagem mas nunca haveria de chegar a minha hora se eu não criasse o momento… e parti.

Ao desembarcar em Barcelona, naquele que seria o meu primeiro chão de mundo livre, o aeroporto me recepcionou com maestria e me encaminhou para as ruas da cidade.

Ônibus, buzinas, o peso da mochila nas costas, tudo meio adormecido ainda diante do desembarque, no momento da chegada.

A tarde estava morna, o tempo sem cor, nem frio nem calor.

Eu ainda embriagada pelas horas do voo, desci na praça principal, rodeei-a a 360 graus e percebi-me perdida em meu giro, em meu relógio, em meus sentidos, em minhas pernas, tantas eram as ruas que a cercavam que eu não conseguia sair do lugar.

Até que por um momento eu parei, oxigenei, e percebi que já havia chegado ao meu destino e que o caminho me levaria de encontro aos meus anseios de marinheiro atracado no primeiro porto.

E foi assim que eu encontrei o hostel, logo ali perto, no mesmíssimo lugar em que o mapa o havia apontado.

E foi que eu sorri diante da majestosa porta centenária que ao abrí-la pensei comigo…

eu venci!
*

20170710_011016

https://go.hotmart.com/M6163460B

 

Eu e o Posto

Não sei porque eu tenho em minha vida histórico curioso com posto de gasolina.

Uma vez eu conheci um cara, num posto de estrada e casei com ele. Ah, o amor. Jovens são tão esquisitos!

Anos depois, passados carnavais e vendavais, revoluções e resoluções, resolvi dar uma de broto e parti numa viagem autoral, de “canudo e canequinha” por Minas Gerais, o que me acarretou longas quatro horas de espera, num posto de gasolina, por uma condução que me valesse o peso, da espera e da “muamba” que toda mulher gosta de carregar quando volta pra casa.

Haja quinquilharia!

Pois hoje, depois de truculenta noite de descaso, ao acaso me deparei com um posto de gasolina do tipo “salvador da Pátria”.

Literalmente.

Eu ali, no meio de uma multidão de meninos gritando palavras de ordem com muita energia, pulei a corrente de um posto e me deparei com dois policiais recostados em sentinela, dos quais me tornei um grupo, pra levar pedrada, se o caso fosse, pois o “alto-comando” deliberou à folga, o Choque.

-Pois que bem, seu guarda: hoje vai ter calma? Perguntei ao soldado de prontidão.

-A “ordem de cima” diz que sim, respondeu o “polícia”.

E assim se fez, que levei vinte minutos a catequisar os guardas – o senhor tem filhos? -Tenho sim, minha senhora.
Pois que sim, outra vez.

-Se alguma coisa acontecer, antes de bater nos meninos, pense nos seus filhos, porque eu tenho duas, que estão aí.
E partiu a passeata sem uma única ocorrência de violência até a Ponte Estaiada, Zona Oeste de São Paulo.

Ao chegar em casa eu pensei: o “Alto-Comando Lá de Cima” protegeu os meninos.

Pôxa vida, esqueci do caso que casei lá no começo. Mas me lembrei que o posto era “Ipiranga”, olha a foto aí…

Ô pátria amada, salve salve!…

Ipiranga

Amor Maduro

(Artur da Távola)

O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações:
Presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas
trabalhosas de construir o bem, o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca
e do cheiro do outro – está a compreensão antecipada, a adivinhação,
o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto,
os discursos silenciosos da percepção, o prazer de conviver,
o equilíbrio de carne e de espírito.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro
e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois,
vive do que fermentou criando dimensões novas
para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe.
Não exige, oferece.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão,
basta-se com o todo do pouco. Não precisa e nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e por isso mesmo é incompleto,
por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido, mas doce.
Luminoso, sem ofuscar.
Suave, mas definido.
Discreto, mas certo.

Teu despertar é canja de galinha

http://www.obagastronomia.com.br/uma-canja-com-sandra-calasans/

Às vezes ficamos tristes.

Nem sempre a razão oferece opções e o coração se aperta todinho, e fica resmungando, cheio de cobranças sobre o que passou, sobre o que é e sobre o que virá.

Céus! Dá um vazio, aquela deprê sem gosto que aposta em nossa desgraça deixando uma vontade de ficar acuado num canto, sem se mexer, sem querer existir.

Hoje, acho que é um dia desses. Tô pior que canja. E não aquela que só eu mesma sei fazer, com galinha gostosa, fresquinha e cheirosa.

Sabe como é?

Você pega uns peitinhos lindinhos e dá uma boa temperada neles. Uma douradinha e um banho que pode ser com água fria mesmo. Aí deixe que cozinhe na água do banho até ficar tenro; não pode passar do ponto senão endurece.

Enquanto ele cozinha já vai dando um caldo com cheirinho bom, mas dois cubinhos de caldo de galinha vão fazer um rebuliço e o cheiro vai ficar ainda mais esperto.

E você vai pensando na vida, nos amores que deixou passar, naqueles que perdeu sabe-se lá por que. Mas não esqueça que deixou a panela no fogo porque senão a canja vai virar uma gororoba.

Pra não mergulhar demais nessa tristeza, você pode dar uma raladinha em cebola (que vai te fazer chorar mais que tua pior desilusão) e na cenoura já pra dentro da panela. E ir colocando pitadas de orégano, manjericão, salsinha … bem devagarinho, só pra dar um colorido, porque isso vai alegrar um pouquinho você.

Tire os peitinhos da panela e coloque lá dentro aquele arroz que sobrou do almoço, já cozido, pro caldo não ficar muito empapado com o cozimento do arroz.

Ponha uma música suave pra tocar, mas não “aquela”… porque vai fazer você lembrar daqueles momentos especiais e isso vai chatear muito você.

Como penitência, desfie o frango ainda quente; vai queimar um pouco as mãos mas você tá merecendo se punir … Não consegue esquecer essa paixão esquisita que arrumou na internet.

Depois de desfiado, jogue o peito na panela, corrija o sal e adicione toda a raiva que você está guardando de si mesmo por ter se lascado em não lascar um beijo logo de uma vez, naquele primeiro e único encontro.

Deixe ferver tudo. Não se esqueça do azeite extra virgem e do queijo ralado no final.

Depois de pronto … encha a cara de vinho tinto, embebede-se de canja de galinha e vá dormir.

Tenha certeza que terá sonhos lindos. E que, pela manhã, adquirirá coragem pra mandar um torpedo dizendo: “Teu despertar é mar” !!! …

Desculpe, morri

Marcelo Rubens Paiva

*

Atendo o telefone e:

“Boa noite, é… Marcelo?”
“Quem é?”
“É você?”
“Quem está falando?”
“Puxa, que bom, eu precisava tanto falar com você, não imagina o trabalhão que deu pra descolar o seu…”
“Quer falar com quem?”
“Com você mesmo, Cariri.”
“Cariri?”
“Não era o teu apelido em Santos?”
“Como você sabe?”
“Pesquisei. Apelido louco. Por que te deram esse apelido?”
“Olha, o que você quer?”
“Sou estudante e estou fazendo um trabalho.”
“Como você descolou o meu telefone?”
“Desculpe, Cariri. A pessoa que me deu pediu para não ser identificada. Você é uma figurinha difícil de achar, hein? Marcelão, Marcelão… Como vão as coisas?”
“Indo.”
“O seu Corinthians, hein?”
“Meu e de muita gente.”
“E a Ana?”
“Ana?”
“A do livro.”
“Que livro?”
“Como ‘que livro’? O seu livro!”
“Qual deles?”
“Tem mais que um?”
“Tem alguns.”
“Caramba! Estou falando do primeiro. Tinha a Ana, que namorava você na época da ditadura.”
“Ah. Não se chamava Ana. Nunca mais vi.”
“Puxa, mas vocês eram tão…”
“Ligados? Mas isso faz tempo, era ditadura ainda. Éramos adolescentes.”
“E a galera toda?”
“Qual?”
“A do livro?”
“Sei lá. Faz décadas isso.”
“A Bianca, a Gorda?”
“Cara, estes nomes são inventados. Cada um foi para o seu lado. O mundo gira, a caravana passa.”
“Que caravana?”
“Deixa pra lá.”
“Pô, você é doidão, mesmo. Quanto tempo você levou pra escrever?”
“O quê?”
“Como o quê? O Feliz Ano Passado?”
“Ah… Levei um ano.”
“Pô, e você ficou uma fera com aquela enfermeira. Meu, rolei de rir naquela parte. Marcelão, que figura. A gente tem que se conhecer, cara, temos muitas coisas em comum.”
“Sério?”
“Com certeza, pô, posso falar? Este livro marcou uma época, ta ligado? Tipo assim, marcou uma geração, certo?”
“Ouvi dizer.”
“Então, como vão as coisas?”
“Indo.”
“Pô, conta mais.”
“É que estou jantando.”
“Ah… Olha só. Eu preciso te entrevistar, cara. Pro meu trabalho de TCC, tá ligado? Trabalho de Conclusão de Curso.”
“Tô ligado.”
“Aí, vamos marcar?”
“Cara, não fica chateado, mas é a quinta pessoa que liga nessa semana pedindo, e não vai dar. Fim de ano, é sempre assim, um monte de estudantes liga, e tenho minha rotina, eu trabalho muito, não é pessoal, vê se me entende.”
“Ah, não vai dizer que vai regular?”
“Cara, é muita gente, não dá pra atender todos…”
“São só umas 25 perguntinhas.”
“Só?”
“Sobre a sua carreira, seus livros, as influências, a ditadura, o seu pai, tortura, desaparecidos, esses lances, a condição dos deficientes, os jovens no mundo de hoje, a diferença entre os jovens da sua época e os de agora, fala do Renato Russo, você era amigo dele, não era? Será só imaginação, me amarro, cara, será que vamos conseguir vencer, será que é tudo isso em vão, você conheceu o Cazuza? Como era, tipo assim, o ambiente naquela época das passeatas dos estudantes? Nós vimos o filme do Cazuza e debatemos na escola a aids e os anos 80, cara, aí, você fala da importância dos livros para os jovens, de como fazer os jovens lerem mais, compara a geração cara-pintada com a da antiglobalização, Fórum Social, falta bandeiras, certo? O Protocolo de Kioto tá aí! Viu os furacões? Os americanos têm que assinar, tá ligado? Pô, deu na seca aqui da Amazônia. Posso mandar as perguntas por e-mail, a gente fala dessa crise aí do PT, você tá acompanhando, não tá? Você ainda curte política? Mó decepção…”
“Cara, não vai dar.”
“Pô, Cariri, você me pareceu um cara legal pelos seus livros.”
“Olha, quando eu estudava, fiz um trabalho enorme sobre lógica aristotélica. Aí, liguei pra Grécia, pra falar com o Aristóteles? Não. Tive que me virar.”
“Que que tem a ver, cara?! Tu é doidão mesmo, aí, ó! Tu fala grego, maluco?!”
“Fiz um trabalho sobre Kafka na escola. Nunca pensei em ligar pra casa dele em Praga.”
“Por que não?”
“Porque ele morreu em 1924! O Machado de Assis também morreu. Ninguém na escola ligaria pra casa dele na hora do almoço ou jantar pra perguntar se Capitu era fi el ou não!”
“Calma aí, meu. Nem tinha telefone naquela época.”
“Olha, vai à sua biblioteca ou use a internet. Não precisa entrevistar o autor para fazer trabalhos. Descobre você.”
“Quer dizer que depois da fama tu ficou convencido. Desculpe aí, cara, foi mal. Nunca mais leio um livro seu. Aí, ó, sabe quem morreu pra você? Eu. Tá se achando, Cariri?!

Carta ao poeta I

Para ler … ouvindo !!! …

*

Nem um trovador conseguiria descrever um amor como este
Na claridade de minha castidade celestial em oferenda
Não consigo mais sobreviver a assombrações
Definitivamente é você quem me assombra.

A poesia nunca me deixou tantas marcas.
A dor de quem segue por caminhos oblíquos,
nebulosos e confusos em dois sentidos.

Meus dizeres nunca foram tão inócuos.
Meus amores tão vazios.

Não quero te falar que não te quero mais, porque te quero.
Mas não consigo estar diante de escolhas ou diante da falta delas.

Minhas unhas se corroem, minha alma se corrompe.
Tuas palavras não me saem. Mais um pensar que se esconde.

Você se estabeleceu. Uma Virgem se reproduziu em mim
e estou prenha de um amor só seu, que se fará até quando
nesse anjo virtual, que só existe no meu céu
e no inferno desta minha solidão?

Não posso dizer que te amo, porque do amor não se diz.
Mas desse acariciar
em falso incestuoso,
o qual te confesso nesta linha,
só à imagem de tuas mãos me declararia amante.

Teu olhar está encravado em mim, e tua distância desliza
sobre tua presença que me confunde.
Da tua boca em forma do beijo que desejo.
Dos meus olhos na forma de mar, por derramar.

O que não quero é te falar de um amor que nem eu sei.

Mas você é em mim um milagre !!!
Que me fez trocar o não pelo sim.
Que me trouxe a fantasia
do poder amar de novo !!!

Sandra Barbosa de Oliveira

Alucinações

Leia… ouvindo !!! …

*


Existe sempre um alguém elaborando a narrativa.
Se assim não fosse, as histórias não germinariam.

Lindas…

elas brotam e desabrocham,
para abrigar o pólen
que se entrega ao vento para salvaguardar a origem,
até encontrar o sublime momento do êxtase sensorial
que dará o sopro de vida à criação fecunda.

Mas histórias de vivências divergentes
vão sendo talhadas nas rampas do absurdo.

Ficção, descrença, medo, estranheza.
Sob técnicas de persuasão sonora,
onde as vozes viscerais derramam suas palavras
no tear de um destino encrudescido,

e vão sendo transportadas por trilhas
que difundem o caminhar cambaleante,
no dropar por ondas inequívocas, quase imaculadas.

Histórias deslizam pelas convulsões do mundo
num sentido que não se traduz…

E o tempo alenta com a energia dos furacões
pra demonstrar poder no exato instante
do regurgitar da prosa em versos.

Pelos desejos mais intransponíveis
na tormenta avassaladora de suas mal digeridas perdas,

infringe assim, o narrador vigente
em dissidência vertente sobre a mesma estrada,
apenas para mascarar a história que se faz longilínea, viceral…

Ao brindar, transparente e lânguido,
dos lábios em busca de delicados vitrais
que transbordam cores e sabores
pelo cálice do vinho.

Sandra Barbosa de Oliveira

Pobres e geniais músicos brasileiros …

Carta a um estudioso leitor:

Sou jornalista e tento espalhar o que julgo ser o lado bom daquilo em que acredito. Tento ser atuante. Estou tentando aproveitar os espaços disponíveis na internet para divulgar o que endendo por ética, por dignidade, por integridade, que são coisas que estão sendo deixadas de lado na formação do cidadão, nos dias de hoje.

Por isso não consigo me manter calada quando vejo haver falta de transparência na atitude de pessoas que detenham algum tipo de poder.

E, por questões éticas também, é que não posso expor pessoas de minha convivência e que dependem , de alguma forma, das instituições em questão. Não posso entrar em detalhes por não ter conhecimento sobre dados estatísticos e datas. Seria irresponsabilidade falar em números. Para isso, sugiro que vc tente um contato com o pessoal do @sindimusi, por exemplo, pois estão atuando em Brasília para tentar a regulamentação para a profissão.

O que eu posso te dizer é que a OMB nunca foi um órgão muito sério. Desde 1964 até há bem pouco tempo a Ordem teve um único presidente que sempre foi tido como um ditador. Ele sempre conseguiu se reeleger por caminhos obscuros, pois na profissão de músico, existem várias e distintas modalidades que não interagem entre si, o que facilita a ação de oportunistas e aproveitadores.

Então, o que é bom para os músicos que tocam na noite, não é bom para os que gravam em estúdios ou tocam com artistas ou são instrumentistas, populares ou eruditos. E foi se aproveitando da vulnerabilidade de músicos da noite, que por muitos anos foram os mais mal remunerados de todas as outras, que o Sr. Wilson Sândoli conseguiu a proesa de ser reeleito por décadas em eleições as quais quase ninguém sequer ficava sabendo.

Existe sim uma obrigatoriedade de apresentação da carteira da Ordem para quase todas as atividades exercidas por músicos, no Brasil e até nos vistos de trabalho para quem vai tocar no Exterior. Mas os músicos estão ao Deus-dará. Não têm seus direitos sequer regulamentados, quiçá respeitados.

Não sei quanto a fiscalização, mas sei que para assinar quaisquer contratos de trabalho os músicos precisam apresentar a numeração da carteira da Ordem e comprovação de quitação de suas taxas. Pode até ser que seja oferecido algum “benefício”, mas com certeza, não atendem às reais necessidades de seus beneficiários.

Sou casada com um músico há 30 anos. Posso afirmar por mim, não por ele, que nesses 30 anos, minha família nunca se beneficiou de um centavo que fosse, oferecido por qualquer instituição voltada para a profissão.

É por isso que estou começando a me engajar nos movimentos da SindiMusi, organização que eu nem conheço muito bem, mas que eu acredito possa trazer um caminho mais civilizado para as questões trabalhistas dos músicos no Brasil.

Há países em que isso funciona muito bem. Nos EUA, por exemplo, existe um sindicato forte protegendo os interesses desta classe, que não parece, mas que é sim uma classe trabalhadora, de pais de família que pagam impostos, escolas, alimentação e vestiários para seus filhos, como qualquer outro trabalhador deste país, e ainda representam muitíssimo bem o nome do Brasil internacionalmente, através da arte e da cultura.

Espero ter ajudado um pouco para sua TCC e para que haja certo esclarecimento sobre o que vem a ser uma das profissões mais cobiçadas e mais mal remuneradas e assistidas neste país.

Tudo o que falo aqui, falo por mim e por minha experiência de vida, eximindo qualquer responsabilidade a quem quer que seja.

Sandra Barbosa de Oliveira

Por que questionar a candidatura Dilma?

Eu não entendo o porquê da indicação do nome de Dilma pelo PT, diante da falta de experiência e preparo na área político-administrativa. Se reclamam da falta de carisma do Serra, o que dizer do carisma de Dilma? E ainda… nós não estamos precisando de autoritarismo, repressão e de nenhuma forma de censura, que tanto o presidente Lula como Dilma e o poderoso Sr. José Dirceu conhecem muito bem e que parecem não ter escrúpulos quanto à sua aplicação. Ninguém precisa de um Hugo Chaves por aqui. Sofremos muito com a ditaduta militar de extrema direita no passado e ninguém quer saber de regimes autoritários. Ditadura é ditadura. Seja na China, em Cuba, no Oriente Médio, na Argentina, no Chile ou em toda a América Latina. Não estamos precisando enaltecer regimes extremistas falidos como o de Fidel, não precisamos de caricaturas políticas. Precisamos de um socialismo liberal que nos garanta as liberdades individuais e de um estadista com competência e experiência em administração pública, que mantenha uma equipe técnica também competente, para dar prosseguimento ao excelente trabalho iniciado por Fernando Henrique Cardoso, ao qual foi dado continuidade satisfatória no governo Lula e que deve seguir adiante no próximo governo para que o país cresça e se desenvolva, concentrando as atenções de forma imediata e definitiva prioritariamente às carências nos setores da saúde e da educação, assuntos que precisam ser solucionados respeitando preceitos de excelência , não para garantir demonstrações estatísticas infames (pelos infames “IBOPES”), mas para garantir urgentes demonstrações dos índices internacionais da ONU. Dilma NÃO!

Porque eu falo tanto…

De repente me deu saudade de um tempo. Um tempo em que as militâncias sabiam pra quê e pra quem militavam. Porque sentiam na carne a dor de seus acertos e de seus erros.

Eu era ainda muito jovem e não posso afirmar que entendia bem o que se passava. Só sei que aos poucos fui entendendo a necessidade da minha participação. Mínima que fosse. E foi assim que tomei coragem pra falar das coisas que eu penso, pra enfrentar preconceitos e a mediocridade que a sociedade me impunha e à sua numerosa minoria. Pois é… apesar dos meus olhos azuis!

Aprendi que ter coragem é invadir espaços, insuflá-los para torná-los mais cheios de ar, para que todos possam respirar. Porque o ar é igual pra todos. Aprendi a arregaçar as mangas… a me fazer entender.

E foi bem assim, parando pra ouvir, pra prestar atenção à minha volta, pra me indignar, que eu consegui desconstruir estigmas e construir dentro de mim, o que há de mais valioso, um ser humano. Hoje eu sou uma pessoa!

…” e se eu soltar a minha voz pôr favor entenda…

… Estudava em Campinas, já havia entre os estudantes um sério movimento pela anistia. Era 1979 e eu estava apenas no cursinho. Mas nos círculos universitários fervilhava ainda aquela indignação guardada desde o final dos anos 1960. Com o AI-5 em 68, o silêncio foi instituído como língua oficial.
Já havia 10 anos desse silêncio profundo.

O que era difícil, pra nós que éramos filhos da ditadura, era que havíamos sido criados por ela. As melhores escolas eram as públicas; e eram elas que, ao mesmo tempo em que nos davam um ensino da melhor qualidade, envenenavam nossas cabeças. E cobriam nossos olhos.

Porém, pouco a pouco, eles não conseguiam mais esconder o tamanho das atrocidades que cometiam. E as listas dos estudantes desaparecidos iam circulando pelas universidades. Em plena ditadura, estudantes se concentravam bem de manhãzinha sob o pretexto de shows como os do Gonzaguinha.
Era ele quem lia os manifestos e as listas de desaparecidos. Presenciei mais de uma vez esses tais encontros.

Depois parti para uma nova fase. Fui estudar jornalismo em São Paulo. As escolas de jornalismo estavam retomando fôlego. A imprensa dita “marrom” perseguida, todo dia uma banca de jornal era incendiada. Os movimentos clandestinos continuavam atuantes mas quem ia perdendo fôlego eram eles, os opressores.
A anistia estava para transbordar e com ela surgiram novas lideranças… entre eles o professor Fernando Henrique.

Lula, Menegueli e alguns outros, num PT embrionário sempre presentes nos congressos estudantis, e até mesmo dentro das salas de aulas, também, bem cedinho… falavam de liberdade… de luta… de abertura política… de anistia… de direitos humanos.

A partir daí, me concentrei na necessidade de apoiar um novo partido, de contribuir, o mínimo que fosse, para o crescimento dessa fé popular. De uma salvação que só poderia vir de baixo. E eu acreditei no PT.

Agora, eles estão lá… e sinto novamente aquela necessidade de começar a apoiar alguém que venha de baixo. Eu sei que meu apoio vale muito pouco… vale apenas um, mas que somado aos brasileiros que pensam como eu, pode vir a se tornar milhões.

Deixo aqui minha sincera e muito particular opinião, de que nadinha adiantará esse fanatismo partidário que estamos assistindo às vésperas da talvez mais importante de todas as eleições presidenciais já realizadas no Brasil. Se o foco não estiver em estabelecer compromissos com as necessidades do país, vai tudo por água abaixo!

Sem trocadilhos, vamos pensar a respeito. Não podemos por tudo a perder!

Eu ainda acredito!

Sobre o milho do Nassif

Os vendedores de milho da Paulista

Acabou minha farra gastronômica na Paulista. Sempre fui milheiro militante, isto é, comedor de milho verde. Já cheguei ao cúmulo de, indo a um restaurante, encontrar um carrinho de milho na porta, comprar uma espiga e pedir um prato para comê-la antes da escolher o prato principal.

Pois a brava Guarda Municipal de São Paulo incluiu os carrinhos de milho nas suas prioridades. Não bastasse o grande tirocínio de considerar que as bancas de revista do centro são refúgios de criminosos, agora resolveu relacionar os carrinhos de milho com os vendedores de produtos pirateados.

Rondam, então, a região. Não encontrando ambulantes que vendem CDs piratas, investem contra os carrinhos, que descem em desabalada carreira Rua Augustua abaixo. Se detidos, perdem carrinhos e milho verde.

Só falta, agora, investirem contra o vendedor de amendoim doce que faz ponto no Conjunto Nacional.

Luis Nassif

27/01/2010 – 18:22

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/27/os-vendedores-de-milho-da-paulista/comment-page-1/#comment-930715

******************

… Pois sim amigos, só pra concluir a discussão que se travou lá no Blog do Nassif.

“De nada adianda essa discussãozinha chula entre paulistas e cariocas porque só quem vive nas duas cidades pra saber o quanto as duas são maravilhosas e quais os riscos que as duas estão causando à integridade de seus moradores e visitantes. O Rio de Janeiro realmente acertou o pé quando elegeu uma dupla de administradores visivelmente preocupados com a cidade. O choque de ordem está mostrando ao povo Carioca que leis existem para serem cumpridas e que as pessoas têm que ter um mínimo de civilidade para viverem em sociedade. Parabéns ao prefeito Eduardo Paes pelo trabalho que vem realizando. Em São Paulo, infelizmente, não se teve a mesma sorte. A dupla de administradores parecem estar com a cabeça em outros projetos. O Kassab, ao lançar o projeto
cidade limpa, se esqueceu de olhar para o chão. A cidade nunca esteve tão cheia de lixo nas ruas. De nada adianta limpar o visual da cidade e não investir na educação para que a população fiscalize ostensivamente quem joga lixo nas ruas. Acho que é a população quem deve fiscalizar. As pessoas que estão tendo seus imóveis invadidos pela água, seus carros danificados, que estão perdendo horas no trânsito por causa dos alagamentos.
É a população que tem que dar um basta nisso tudo. Mas cabe à administração educar! Ouço as pessoas reclamando que os bueiros não estão sendo limpos. O que é preciso fazer é não jogar lixo nas ruas para que os bueiros não fiquem entupidos. Apenas um ato de civilidade. Enfim, o que tem o milho verde a ver com tudo isso? A guarda municipal deve ser respeitada, deve exercer o seu dever de manter a ordem pública. A administração e a vigilância sanitária devem manter uma fiscalização sobre os vendedores de alimentos nas ruas, para garantir, isso sim, a qualidade da saúde pública. E nós, pobres sonhadores, que possamos comer nosso milhozinho em paz!”

Sandra Barbosa de Oliveira

“O desafio do discurso pós-Lula”

Luiz Horacio comentou para Vera Rosa do Estadão publicado no blog de Luis Nassif:

Esse período “pós-Lula” coloca diante do Brasil três possibilidades básicas: ir além de até onde Lula foi, retroceder e retornar a estágios “pré-Lula”, ou ficar vagando em algum lugar entre esses dois pólos. O mais indicado seria a primeira opção, um projeto real de país, de Estado e de governo, mas será que as principais candidaturas estão se preparando para isso? O “continuísmo” do país conflituoso e de divisão quase inconciliável entre as forças internas, na melhor (ou pior) tradição “latina”, seria ficar patinando na terceira opção, e aí a ocorrência de recuos e retrocessos torna-se possível e até provável.

O país tem bases excelentes, excelente material humano, um momento único em sua história, todos os recursos a ponto de causar inveja no mundo inteiro, mas, porém, contudo… Qual é a visão dos grupos políticos? Que tipo de alianças formam com vários setores, principalmente com o empresariado (que, apesar de sua complexidade de atividades, paradoxalmente se posiciona ainda de modo ideológico, mais até do que pediria as demandas de seu mercado)? Em conseqüência, apesar de todas essas pré-condições muito favoráveis, que decisões serão tomadas nos próximos anos no Brasil? Que prioridades serão eleitas (pelos governos eleitos)? É isso que preocupa tanto no caso de Dilma quanto no caso de Serra. Porque não há muita clareza, ou pelo menos há questões fundamentais que continuam a ser sempre deixadas de lado, porque “politicamente” não são interessantes. E é essa política de meias medidas (meio acertadas, meio erradas) que tem segurado o Brasil, nas várias vezes em que o país teve uma plataforma de projeção mundial, no passado, desde o Segundo Reinado, quando houve a briga do Imperador com o Barão de Mauá, e ao longo das décadas, no século 20.

Qualquer governo sério no Brasil terá de consolidar, garantir e avançar as políticas públicas, e dar a elas o tom mais forte no desenvolvimento COM um boom da educação. Se não houver esse boom na educação, de modo universalizado (em todos os níveis e regiões), não haverá uma boa direção para o país. E não será fácil afirmar a educação como prioridade, na hora de decidir e destinar recursos e esforços. A educação no Brasil precisa mudar total e radicalmente, começando pela estrutura escolar e pela carreira de professor. O que foi feito até agora nem faz cócegas no problema, que nem é visto ou aceito como prioridade real.

Isso sem falar de vários outros problemas muito graves. O pós-Lula (se houver – a 1a. opção) será de quem tiver a capacidade de levar o Brasil adiante, resolvendo as prioridades reais do país.

Luiz Horacio
24/01/2010 às 9:40

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/24/o-desafio-do-discurso-pos-lula/

**************

Muito bom. Faço de suas palavras, minhas. Mas nessa roda viva de intenções há uma pergunta que não quer calar: … Quem? …

Um comentário novo para uma história velha

Só porque é ano eleitoral resolvi reviver um episódio morto e enterrado. Notícia velha só serve pra embrulhar coco de cachorro. Será ?????

Muito ainda vai se ouvir falar sobre este assunto. Quem viver, verá.

Se o candidato Serra continuar liderando as pesquisas (diga-se de passagem que o IBOPE não tem demonstrado ser nada confiável), o ex-presidente FHC será alvo de fuxico e falação. Bem merecido até. Transparência deveria ser pré-requisito para quem quer seguir carreira política. Ainda mais se esse “seguir” significar assumir a Presidência da República!

A fofoca a que me refiro é sobre o filho que Fernando Henrique teve fora do casamento e sobre o qual, a duras penas, foi mantido sigilo, até a morte de D. Ruth.

Admiro muito o ex-presidente pelo conjunto de sua obra, por seu desempenho na vida política, por sua capacidade intelectual. Mas como tudo tem seu preço, vamos aguardar as consequências das deslizadas em sua vida pessoal.

Não que isso influa diretamente sobre seu passado político, mas pode sim “sujar a barra” para os seus sucessores de partido. Esperemos que não!

Então tá aí um novo comentário a respeito desta história que já está velha, onde esbarrei hoje ao ler um artigo no twitter:

http://tijoladasdomosquito.com.br/

*************

Xiii… Isso já é assunto passado a limpo. Mas acho que merece um comentariozinho sim.

Coisa feia… ficar todo mundo pregando o cara na cruz debaixo do véu da virgem maria!

Olha só: safadeza não tem sexo, idade, credo, raça, nível social, intelectual ou cultural. Quem sou eu pra julgar… mas pra mim são dois safados, que fizeram duas vítimas.

Eu sempre tive muito respeito pela D. Ruth. Um filho é sempre um filho… não é uma trepadinha à toa; e todo mundo aqui conhece a receita, né???

E tem mais… uma jornalista da Globo sabe bem o que quer quando vai pra cama com um senador casado, certo ???? Somou – o sedutor e a purinha (rsrsrs) – Santa ingenuidade… a minha !!!!!!

A imprensa fez o seu papel, de falar ou não dependendo dos interesses que estão sempre por trás.

A Globo fez o papel dela…de colocar na gaveta e mandar calar a boca… nada disso é novidade.

Portanto, diante dessa sujerada toda: acho que as pessoas precisam se dar mais ao respeito e respeitar mais o próximo. Era isso! Essas pessoas são pessoas de vida pública, não fosse isso eu também manteria minha boca fechada!

*************

E aí vai apenas uma opinião, não uma crítica.

Cada qual é o dono das suas próprias burradas!

Mude ! – Tente outra vez …

” Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama…
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais…
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…
outra marca de sabonete,
outro creme dental…
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!! ”

Texto de Edson Marques

* Texto escrito por Edson Marques, cujo livro (contendo o poema) foi lançado pela Editora Original Pandabooks, com prefácio de Antonio Abujamra. (Erroneamente creditado à Clarice Lispector).
adaptação: Pedro Bial

Raul Seixas – Tente outra vez…

“Perdão e perdão”

“Há muito queria ler Jaques Derrida, um filósofo franco-argelino. Derrida é dono do conceito “desconstrução”, uma palavra-chave para a estética, a ética e a própria filosofia. Mas um outro conceito de Derrida me raptou, o entendimento para o perdão.
Segundo ele, o perdão pode ser vivenciado de duas maneiras.Uma é o perdão incondicional, em que o culpado é perdoado mesmo sem pedir perdão ou sem arrependimento, num gesto unilateral que não exige troca. Um perdão sem poder. A outra forma é o perdão em troca do arrependimento, da transformação do pecador. Um perdão condicional.
Incondicional ou condicional, o perdão é sempre foda de ser vivido. Todo mundo tem em sua vida um fato fatídico, uma quebra de confiança, uma catástrofe afetiva…um 11/09. Será que os familiares das vítimas dos ataques terroristas de 11/09 um dia praticarão o perdão? Será que as vítimas do holocausto um dia vão perdoar os alemães?? Quem bate sempre esquece, quem apanha se lembra pra sempre e dependendo da dor, quer é que o perdão se dane.
O próprio Derrida morreu sem perdoar os franceses que o expulsaram do colégio, aos 12 anos, por ser judeu. Segundo ele, isso deixou uma marca indelével na vida dele. E olha que o cara é filósofo.
Todo mundo tem seu 11/09. Um dia os aviões se chocam contra nossas torres gêmeas e o mundo todo te pede pra perdoar. Essa é uma consciência judaico-cristã que separa os bons dos maus pela (in)capacidade de perdoar.
Tem ocasiões que o melhor mesmo é erguer um obelisco no lugar das torres destroçadas e lembrar pra sempre do que o ser humano é capaz e quem sabe não viver o mesmo desastre.”

Ney Messias Jr.
Sexta-feira, Setembro 25, 2009.

Caindo de paraquedas nesta crônica do jornalista e radialista paraense Ney Messias Jr, eu não me contive em republicá-la aqui. Pedindo licença ao autor, com todo o meu respeito.

Elemento Língua.

Simplesmente perfeito. This is it! Michael pra sempre.

Saí de casa às 4 da tarde. Peguei o rumo da Paulista. Isso foi segunda, dia de rodízio. Às 5 estava com o carro no estacionamento e eu, sentada em uma poltrona da sala 6, no Arteplex Unibanco do shopping Frei Caneca.
Pipoca com guaraná.

O trailler começa mostrando um Johnny Depp “nonsense”. Vou adorar ver a Alice do Johnny Depp. Vou reler o livro de Lewis Carrol. E ficar atentamente esperando o Johnny Depp. Alice mora no imaginário de todos nós. Somos todos “Alices”… somos todos “nonsense”.

De repente o Michael na tela. Longilíneo, magérrimo. Muito ágil, mostrando-se feliz. Michael era “nonsense”. Michael era “Alice”.

O espetáculo começa com um teste de dançarinos vindos de todas as partes do mundo. Muitos. Os melhores. Somente 11 deles são escolhidos. Nove homens e duas mulheres. Crianças diante de Michael. Crianças diante do ídolo. Mas são os melhores do mundo.

A edição do filme é impecável. Diante da morte, conseguiram cortar e emendar e mostrar tudo. Conseguiram mostrar Michael, perfeccionista, perfeito.

Em cena um homem extremamente sério à frente dos melhores músicos, dos melhores bailarinos… dos melhores diretores do mundo. Trabalho duro. Trabalho sério.

Na pauta, música e coreografia ditadas por um mestre. Aparecem sempre em discussão, a maneira perfeita para interpretá-lo, sua coreografia, seus movimentos. Tudo criado minuciosamente por ele.

Criar um mito não deve ser fácil. Vivê-lo menos ainda.

Michael não foi uma invenção. Foi uma pessoa. Um menino, um homem, um amigo. Um bom pai misturado a um grande mito.

Me emociono ao ver tudo o que ele tentou fazer pelo planeta. Por todos nós. Me emociono em pensar o quanto foi injustiçado. Julgado. Desrespeitado. Agredido.

Ele era excêntrico? Sim, mas quem não seria, em seu lugar?

Chorei ao ver Michael do começo ao fim. Cresci ouvindo Michael. Certa vez eu descobri o seu sorriso. Tinha um sorriso de criança que transmitia ingenuidade.

Michael deixou um legado inigualável. Teve morte prematura por ultrapassar os limites do seu corpo. O que ficou muito claro.

Ninguém vicia em analgésicos porque quer. Só quem sabe o que é levantar e ir dormir com dores musculares crônicas pode dizer sobre o prazer de se tomar um analgésico. (Deixo aqui meu testemunho. Sei o que são dores musculares crônicas desde menina).

Ninguém nunca levantou a voz para defender Michael. Só o que fizemos foi engrossar a voz para ridicularizá-lo mais e mais. Nunca ninguém se preocupou em saber o que ele sentia.

Michael foi um grande idealizador. Ultrapassava os limites. Quis ter um rosto perfeito e ultrapassou o limite. Foi um grande compositor, um grande cantor, um grande dançarino, um grande coreógrafo… ele foi realmente grande.

Michael era um gênio.

E foi esse gênio que deixamos morrer. Fomos cúmplices de uma grande armadilha. Negamos a ele a licença poética de poder existir.

Fomos culpados, queríamos sempre mais.

Você estará lá?

Me abrace
Como o Rio Jordão
E então eu lhe direi
Você é meu amigo.

Leve-me
Como se você fosse meu irmão
Me ame como uma mãe
Você estará lá?

Quando cansado
Me diga se você vai me segurar
Quando errado você vai me dirigir?
Quando perdido você vai me achar?

Mas eles me dizem
Um homem deve ter fé
E seguir mesmo quando não dá
Mas eu sou só um ser humano!

Todo mundo quer me controlar
Parece que o mundo
Tem um papel para mim
Estou tão confuso!
Você estará lá para mim?
E vai se importar o suficiente para me suportar?

(Me abrace)
(Encoste sua cabeça devagar)
(Suave e corajosamente)
(Me leve até lá)
Você estará lá?

(Me guie)
(Me ame e me alimente)
(Me beije e me liberte)
(Me sentirei abençoado)

(Me leve)
(Me leve com coragem)
(Me levante devagar)
(Me leve até lá)

(Me salve)
(Me cure e me lave)
(Suavemente me diga)
(Eu estarei lá)

(Me levante)
(Me levante devagar)
(Me leve corajosamente)
(Me mostre que você se importa)

No nosso momento mais sombrio
No meu pior desespero
Você ainda vai se importar?
Você estará lá?
Nas minhas provações
E minhas tribulações
Pelas minhas dúvidas
E frustrações
Na minha violência
Na minha turbulência
Pelo meu medo
E minhas confissões
Na minha angústia e minha dor
Pela minha alegria e minha culpa
Na promessa de um
Outro amanhã
Nunca deixarei você partir
Pois você está no meu coração.
Michael Jackson

O lamentável caso “Uniban”

Parte 1

Eu acho que o problema do Brasil é puramento educacional. Extremismos nunca foram a solução para o bom convívio social. Não se pode defender a liberdade extrema quando se vive em sociedade. Nunca podemos esquecer que o direito de um acaba quando começa o direito do outro. A palavra “adequação” eu acho um tanto razoável neste caso. As pessoas precisam saber se portar em público.Vejo pessoas se esquecendo que o melhor para todos é que sejamos educados, gentís e elegantes, acima de tudo. Ter elegância não significa vestir-se bem, mas agir adequadamente conforme a ocasião nos exige. Para mim, esse é apenas mais um episódio doloroso na história dos estabelecimentos de ensino no Brasil, que estão a cada dia demosnstrando menos preparo na preparação de seus alunos. A escola mostra que não ensina nada, os alunos mostram que não apreendem nada, o que faz deste um episódio lamentável. Na minha opinião precisamos estabelecer críterios e empreender em nossas ações um pouquinho mais de bom senso.

Comentando post do blog da jornalista Rosana Herman
http://blogs.r7.com/querido-leitor/2009/11/08/geisy-a-geny-unibanida/comment-page-3/#comment-8212

Dinheiro X Talento. Onde entra a ética profissional?

Ai meu Deus….

Como é difícil começar uma conversa sabendo que vai malhar alguém.
Mas já ouvi certa vez que ninguém é bom ou mau o tempo todo…

Então lá vai.

Tem gente que passa pela vida da gente e só faz merda. Não consegue deixar o mínimo resquício de simpatia, nada que valha.

Mas tem gente que deixa um bem-querer enorme. E a gente fica morrendo de saudade e tal e tal… e fica amando pra sempre…

Eu sou uma colecionadora de afetos… tenho comigo, há mais de trinta anos, uma família linda,… amigos queridíssimos que guardo apertadinhos no coração. Sou efetivamente uma pessoa do bem. Posso afirmar ter tido uns dois ou três desafetos na vida, em situações completamente fora do meu controle. Mas…

Hoje eu esbarrei virtualmente numa pessoa que me inspirou um sentimento muito ruim.

Não só hoje, mas todas as vezes em que estive com ela por perto a energia não fluiu. Uma pessoa arrogante, pretenciosa, presunçosa. Tudo de mal, tudo de ruim. E eu aprendi, há algum tempo, que existem pessoas que deixam um mal cheiro por onde passam e por isso não merecem a menor consideração. Falta essência. Pode até ser espiritual.

Mas tem história que merece atenção sim, porque hoje em dia, com essa “fantasmagórica” inversão de valores, as pessoas de bem se perdem em meio aos oportunistas, pistoleiros e psicopatas.

Pessoas que queiram subir a qualquer preço, pisando, usando pessoas, passando por cima, nem sempre por dinheiro ou poder, mas para fazer sucesso às custas dos outros, devem ser mantidas afastadas porque trazem energia negativa.

É até discutível quando vemos alguém cometer uma transgressão por precisar de dinheiro. Não que isso seja justificável. Mas achar que as pessoas estão à venda numa vitrine ???? É puro “mau-caratismo” …

Ao participar do programa “Idolos”, na Rede Record, muitos jovens talentosíssimos enfrentam uma verdadeira batalha para mostrar seu potencial sabendo que apenas um deles, a duras penas, chegará à final com a promessa de ter seu cd gravado e possívelmente poder chegar ao topo de uma merecida carreira. Torço por eles.

Mas tem gente por aí que acha que dinheiro e poder de pai e mãe compra tudo. E se esquece que o maior bem que existe ninguém pode comprar.
Talento, meu caro, ninguém compra. Podemos passar fotos no fotoshop, voz pelo “pro tools”… gastar conversinhas , até usar de “métodos facilitadores”.

Publicar imagem mentirosa, se expor a verdadeiros desastres na internet e contratar grandes nomes para constar no encarte ou famosos nas fotos… isso não significa gravar um cd e sim construir uma imagem falsa de si mesmo, que lá “da onde eu vim” dá-se o nome de “falsidade ideológica”… coisa aceita só na ficção.

Existe uma coisa chamada “verdade”… ou se quiserem “ao vivo”… “a vera”… isso meu amigo, tá pra nascer mamãe que possa comprar… porque a imprensa especializada não perdoa… se não através dos veiculos de comunicação, que também podem publicar matérias pagas… nos bastidores, no “boca-a-boca”, que dá uma boa queimadinha na falsa imagem de qualquer um e o põe na gavetinha.

Tem muito artista famoso que conhece a gavetinha!

Desculpem-me pelo desabafo e saibam que não estou generalizando. Estou dando aqui um depoimento estritamente pessoal. Admiro o talento dos novos artistas, gosto de observar a tragetória deles, tive o privilégio de acompanhar de perto várias delas, gosto muito de analisar questões de mudanças comportamentais ligadas ao palco, ao sucesso repentino, à influência que ele pode excercer no indivíduo, o nascimento do mito e sua trajetória….

O caráter é de observação e estudo. Meu intuito é manter a serenidade, com tolerância e paciência…

Sempre.

ops… e onde entra a ética profissional ??? Pois é, nesta história ela não apareceu. Mas ela existe viu… na próxima eu apresento.

O bom é ser bandido

A tradição que o Brasil traz desde o descobrimento  de ser terra de ladrões  vem se confirmando a cada dia e parece não ter mais conserto. Não dá mais pra levar o Brasil a sério.  Desde os tempos do colonialismo, a história nos conta que Portugal mandava  os condenados da “Côrte” para “cumprirem pena” debaixo de coqueirais, a beira-mar, ou desbravando matas atrás de esmeraldas.

Como podemos ver, nosso sistema prisional continua o mesmo… até hoje,  marginais e  assassinos  perigosos, mesmo tendo praticado crimes ediondos, usufruem do benefício de prisão albergue depois de cumprirem 1/6 da pena em regime fechado. Por bom comportamento vão adquirindo benefícios.

O que se conclue é que a Constituição Federal garante ao cidadão ( se é que podemos chamar assim ) que,  se ele for bonzinho dentro do presídio,  pode matar, roubar, estuprar, traficar, espancar enquanto estiver do lado de fora.

Numa cidade do interior do  Rio Grande do Sul  (dizia a reportagem num telejornal de ontem à tarde), 2 mil presos que tiveram esse beneficio  não retornaram à prisão, apenas neste ano.

Na Bahia, um sociopata sequestrou, atropelou e matou uma médica depois ter tido benefício para sair no dia dos pais, sendo que  não tinha pai nem filhos. Um crime reincidente.

O Judiciário não é mais uma instituição confiável. Está vendido para os “Daniéis Dantas”  da vida.

O Legislativo perdeu a dignidade junto com  a  família Sarney ( se é que tiveram algum dia).

A Censura está instituída no país em pleno governo Lula (vide o caso Fernando Sarney em “O Estado de S.Paulo”).

A população brasileira está exigindo que se torne inelegível qualquer pessoa que tenha sido condenada em primeira instância, para garantir a transparência dos poderes públicos,  mas parece que  no Congresso  tem mais bandido que mocinho.  Se  um projeto de lei desta natureza fosse votado nos presídios de  segurança máxima talvez tivesse mais chance de ser aprovado.

A Opinião Pública é ignorada, desrespeitada, ou pior ainda…  desconhecida. Você já ouviu a Opinião Pública?  Sabe  onde está,  quem é ou o que é capaz de fazer  esta tal de  Opinião Pública?

Me  parece óbvio que é inútil lutar pois, tá na cara que  o mal por aqui vence desde os tempos de Cabral.

… Será que antes do fim do mundo o Brasil vai conseguir se redimir de tantos pecados?…

Lica Cecato

Apesar de ter acabado de chegar em casa, de ter tirado a roupa e os sapatos, colocado um pijaminha bem coloquial e tentado me largar na cama sem pensar que existe amanhã, não resisti a debulhar esse montão de palavras doces que me encheram os ouvidos, hoje, no Bourbon Street – Show de Lica Cecato.

Estou me sentindo flutuar até agora. Pairando, as palavras não me deixaram não escrever. Depois de muito tempo, pela primeira vez consegui ver a mais singela das flores, com um sorriso cativando todos os olhares e um cantar envolvendo toda a respiração de todo aquele lugar. Palco pisado por Ray Charles diz ela soltando a bela voz em homenagem ao ídolo e a todos nós.

Há tempos eu não via alguém tão nítida. Uma pessoa no palco, cantando…um trabalho autoral desprovido de intenção de fazer sucesso, mas com muita intenção de mostrar aquilo que gosta, de compartilhar aquilo que é belo. Uma pessoa de verdade e de verdades…de bom gosto…sem estereótipo, sem personagem. Uma pessoa mulher. Uma cantora de verdade, cantando aquilo que acredita. A verdade que é. Uma obra de arte…um presente.

Foi assim que sai esta noite do Bourbon Street, com meus ouvidos cheios de presentes. Agradecida por ter conhecido Lica!

escrito às 03:03h, num momento de êxtase madrugal, em 09 de abril de 2008