Rompendo tabus … com Isabel Dias

Quando o assunto é erotismo, muita gente aplaude a literatura apresentada em livros como “Cinquenta tons de cinza”, transformando esse instrumento de opressão em best-seller internacional.
Hollywood também aposta nessa opressão porque sabe que é o idealismo machista que patrocina a exploração de conteúdos onde a mulher é alvo de violência e desrespeito, trazendo milhões de dólares aos cofres da indústria de produções.
Mas quando do tema se faz a abordagem da libertação feminina, onde é a mulher quem resolve mostrar a igualdade de poderes; que o virtuosismo em nada está implícito na castidade; e que, depois de uma longa trajetória de sofrimento, em que sempre impera a traição, a deslealdade, todo tipo de violência psicológica e humilhação por parte de seus próprios companheiros de jornada; o que temos (claro que não em termos gerais), é julgamento, preconceito e discriminação por parte de um tribunal trans-vestido em hipocrisia, dos setores desta sociedade que se diz moderna (no sentido coloquial da palavra) e libertária, mas que no fundo está imersa num conservadorismo provinciano, há dezenas de gerações.
Será que a mulher está despreparada para a felicidade?
Digo tudo isso para introduzir opinião ao livro que acabo de ler.
A autora, minha amiga, se desnuda diante do leitor sem pudores, ao descrever os casos que teve, durante um período de dois anos e meio… com cada um dos 32 homens que conheceu através de um site de relacionamentos, depois de um trágico e complicado processo de divórcio, impulsionada pela raiva e pelo desejo de dar o troco à traição do marido, ao descobrir que ele tinha quatro amantes.
“32 – um homem para cada ano que passei com você” é um livro que lava a alma de todas nós mulheres, que experimentamos a dor de sermos traídas, humilhadas e psicologicamente violentadas por esses homens com quem nos dispusemos a compartilhar a vida, onde acreditávamos viver nossa grande história de amor, com quem nos sentíamos seguras e acalentadas. Com quem tivemos nossos filhos, a quem tivemos dedicados nossos melhores anos, nossa lealdade, nossa beleza vigorosa e nossa juventude.
Isabel Regina Dias é uma mulher de coragem, que não demonstrou ter pudor algum ao denunciar publicamente sua decepção em relação ao homem com quem imaginava envelhecer; a depressão que quase a matou e as descobertas que fez acerca de si mesma; ao se propor, com a aceitação e apoio dos filhos, a essa busca implacável pela mulher que nem sequer sabia haver dentro de si.
Parabéns, Regina, minha amiga… estou aqui pra dizer que você me representa! …
*
Com prefácio de Xico Sá … 215 páginas de muita diversão e reflexão.

Em resposta

Um dia para pensar nos teus sonhos pra mim é muito pouco.
Talvez mais um, ou muitos pra pensar na tua tradução de si mesmo.
Cato entre palavras e entrelinhas alguma possibilidade de você, ao tentar captar do tempo a definição. Minha necessidade é saber.
Olhar e sentir podem esperar a primavera que pra mim já é. Tuas palavras me assombram e mesmo assim encantam. Mas do canto eu espero um sinal.
Palavras e sonhos se misturam numa coisa só. Mas em cada uma delas me arrebento na ânsia de decifrar os signos. Imagens. As enzimas nas histórias que só você pode contar. Leio e releio pra descobrir se sou um bem ou um mal. Se pessoa ou personagem. Se me perdi no tempo… ou se estou perdida no espaço também! …
O meu sonho é voar como fada. Brincar em outras dimensões não é sonhar, viver é brincar em todas elas.
Quero estar nos braços dessa definição bem resolvida em cores fortes, mas o medo é ter mofado nos filmes das tuas lembranças. Dúvidas e certezas estão sempre de passagem e a fraqueza é insólita! …
Ser possível não é estar disponível. É estar presente na tradução do outro.

Saudade

Primo, você tava aí olhando e resolvi te dar um beijo.
Te beijar é como alçar um voo intergaláctico, por entre as estrelas ou ao redor do sol. Sabe aquelas imagens de astronautas girando na imensidão do universo? Pois é, essa é a valsa que danço com você agora. É que de repente, primo, o céu ficou bem pequeninho e eu o guardei aqui no coração pra poder continuar o meu caminho por entre as horas e os dias, e as flores do jardim, olhando o mar. Mas quero que saiba, que o universo inteirinho coube bem apertadinho no meu coração e que por isso pra mim não importa onde esteja. Estará sempre aqui dentro de mim. Dance, primo, dance solto nessa imensidão de vazios. Dê muitas gargalhadas de nós, mas não deixe nunca de postar o teu olhar no meu olhar.
Porque em meus sonhos você é a canção.
Saudade primo!

Pra sempre! …

Quando o amor não se explica, quando brinca de roda, quando não precisa de palavras, isso é para sempre! …

**********************************************************************************************************************

Quarenta e três anos depois e o amor é ainda maior! …

E o menino com o brilho do sol
Na menina dos olhos
Sorri e estende a mão
Entregando o seu coração
E eu entrego o meu coração
E eu entro na roda
E canto as antigas cantigas
De amigo irmão
As canções de amanhecer
Lumiar a escuridão
E é como se eu despertasse de um sonho
Que não me deixou viver
E a vida explodisse em meu peito
Com as cores que eu não sonhei
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse
Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo…

Gonzaga Jr.


Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

Gonzaga Jr.

Vem? …

Vamos lá, vai.
Tire as suas máscaras que eu visto as minhas. Vamos experimentar a liberdade de poder não sermos nada. Que tal fechar um pouco os olhos para nos exercermos na escuridão? …
Se liberta dos protótipos e venha se sentar aqui no chão, no meu jardim, olhar comigo a carinha das flôres, traquilizar o zunido das abelhas.
Venha sentir um pouquinho desse vento antes que ele vire ventania, pior ainda, calmaria. Vamos lá, sem máscaras deve ser muito melhor. Pouse uma das suas mãos sobre uma das minhas. Uma só, porque com a outra a gente tem que se segurar no balanço. Sendo assim, pra cada frio na barriga vai havendo um soprar de amor, só pra encantar ainda mais o nosso dia.
Vem, vai! …

Quando o amor sai do passado

Guardados para sempre na minha caixinha.
Eu amo todos vocês! Eu amo você, Armando Bravi.

Cumprindo Profecias
(Armando Bravi)

Da janela do décimo quinto andar fico procurando sinais da cidade da minha adolescência. Entre prédios modernos de arquitetura duvidosa encontro aqui e alí um telhado familiar, um quintal conhecido – cenários abandonados. Mesmo com toda paisagem renovada e repleta do não-eu, consigo me encontrar nas novas alturas desta vasta Jundiaí.

Na criação deste vídeo passo oito dias em frente ao computador tentando fazer sentido de todas as fotos e lembranças que elas me trazem. Trabalho árduo e detalhista, neurótico por contrôle que sou, que me pede um envolvimento técnico absoluto e força a emoção prá fora do estúdio.

Rostos, escadas, janelas e gestos que passam pelo meu monitor em direção à um resultado coeso e sincronizado com a profecia do Milton Nascimento. Emoções fortes de alegrias passadas e tristezas marcantes passeiam pelo meu coração, um vídeo clip que eu não controlo ou manipulo. Meu coração sempre foi seu próprio diretor e nunca ouviu a voz da razão, mas como na profecia do Milton, só aceita a voz que vem dele mesmo. Meu coração as vezes fala por demais…

Páro o processo de edição por um tempo, pra descansar, fumar, renovar a energia, mas eu sei que realmente é meu coração que precisa de tempo pra transbordar todas as emoções que este passado fotografado me traz e choro, choro muito…

Choro muito na sacada do décimo quinto andar olhando a nova paisagem e não preciso mais do telhado conhecido, do quintal familiar… Agora o externo não pode mais me traduzir. Mudei pra dentro de mim. Só o que me traduz são essas fotos que passeiam pelo monitor e que me levam de cabeça ao passado. Meu presente é este passado branco e preto de recordações. Minhas mãos se unem ao teclado, o computador sou eu e meu coração é a placa mãe.

E vejo Elianas e Cidinhas;
Lauras, Rôs, Selmas, Anas e Cristinas;
vejo as três estrelinhas.
Vejo Frenhis, Vilhenas, Fratesis e Silvas.
Pitucas, Fortunatas, Rabelos e Luizinhas.
Vejo mestres queridos que jamais esquecí.
Vejo Ivaniras, Antonio Carlos, Abigaís e Doroty.
Vejo o laranja e branco no vestido de seda pura
Vejo Regina Toledo, a mãe da minha loucura.

Esse vídeo é para todos nós que, independente de quais anos passamos por estes corredores e salas, escrevemos a história da nossa escola.

Corredores do GEVA, repletos das dúvidas e sonhos da nossa adolescência, estamos de volta para cumprir a profecia do Milton Nascimento. Apertem o cinto de segurança, abram bem os olhos e não deixe o coração piscar. São 50 anos em quatro minutos. Espero ter feito justiça à este presente que, no presente, hoje o passado nos dá!

Armando Bravi é ator e diretor de teatro. Hoje, em NY.

O Poeta II

Feito um bicho da seda, a enrolar-se na maciez de seus fios
a aprisionar-se em frieza …
lá se ia o poeta, a murmurar o próprio êxodo,
em fuga a seus próprios sentimentos
sem sentido, nem direção, preso a tradições monótonas
protegido por falsas muralhas,
a carregar, ludibriado, uma garrafa vazia de habilidades
pois nem a pena conseguia por-se a prumo
em suas palavras que como sempre, nefastas.
Pobre poeta.
Seu outono adormecia em pinceladas esparsas
pelos cinzas de sua própria complexidade.

Cirandar

*

De onde vem essa palavra tão lúdica, tão cheia de fantasia?
O que estaria escondendo à revelia?
A infância na voz de meu pai? Um mistério contido em outra voz?

Ciranda é roda, é magia, é movimento.

Girar, girar… girar até ficar tonto e, parado no lugar,
sentir o mundo todo rodar a sua volta,
fechar os olhos com força pra não ver mais nada
e se entregar a um gargalhar sem fim …
até a tonteira passar.

Na voz de meu pai é amor e proteção.
Em outra voz é algo indecifrável.

Ah Ciranda…
então vamos cirandar !!!

Como aprender sobre tais mistérios?
Sobre os encontros e desencontros a que nos submete a imprevisão?
Um querer consciente e adulto,
que vai nos jogando deliberadamente ao desconhecido,
a fim de obter o frisson de um novo e incomensurável frio na barriga?

Mas pra que isto está sendo dito?

Pra tentar decifrar recados ocultos em trechos ou frases jogadas no ar?
Ou para, através de melodia, elevar os espíritos a um lugar tão alto,
mas tão alto que poderíamos enxergar todo o planeta,
por lentes estratosféricas convexas
a nos talhar imagens deformadas, estranhas e engraçadas?

Não sei bem.

Mas acho que cirandar deve ser algo como fitar um olhar,
conversar em melodia até a boca secar,
falar sério, pensar besteira, dar muita risada
e se deixar desvendar sem medo.

E o que estamos fazendo:
É alimentar desculpa esfarrapada à beira de um abismo incandescente
ou é perpertuar presença diante de uma deliciosa e perigosa sensação
ao nos colocarmos frente a frente com gigantes?

O que é Cirandar afinal: dá pra desenhar ???

Sexo e luz – Gal e Lokua Kanza

Quando o Sol
Abaixou
Num dia tão monótono,
A paixão
Me deixou
Atônito.

Me tirou
Da rotina,
E num momento único,
Alterou
Meu destino
De súbito.

Aí,
Saí do vale do meu tormento,
E fui
Cair no lago do teu amor;
Ali,
Aliviei todo o meu sofrimento,
E ui,
Me vi gemendo de prazer que nem de dor.

Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti, fui um
Com o infinito.

E no céu
Do meu eu,
No íntimo, no âmago,
Acendeu
Um límpido
Relâmpago.

No ápice,
Em átimos
Que pareceram séculos,
Eu me banhei
E me lavei
Em sexo e luz.

Então,
Além do monte, além do horizonte,
Oh sim,
Além do mundo, além da razão,
Oh não,
Bebi do poço sem fundo, da fonte
Sem fim,
O poço do desejo, a fonte da paixão.

Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti, fui um
Com o infinito.

Composição: Lobua Kanza/ Carlos Rennó

Carta ao poeta I

Para ler … ouvindo !!! …

*

Nem um trovador conseguiria descrever um amor como este
Na claridade de minha castidade celestial em oferenda
Não consigo mais sobreviver a assombrações
Definitivamente é você quem me assombra.

A poesia nunca me deixou tantas marcas.
A dor de quem segue por caminhos oblíquos,
nebulosos e confusos em dois sentidos.

Meus dizeres nunca foram tão inócuos.
Meus amores tão vazios.

Não quero te falar que não te quero mais, porque te quero.
Mas não consigo estar diante de escolhas ou diante da falta delas.

Minhas unhas se corroem, minha alma se corrompe.
Tuas palavras não me saem. Mais um pensar que se esconde.

Você se estabeleceu. Uma Virgem se reproduziu em mim
e estou prenha de um amor só seu, que se fará até quando
nesse anjo virtual, que só existe no meu céu
e no inferno desta minha solidão?

Não posso dizer que te amo, porque do amor não se diz.
Mas desse acariciar
em falso incestuoso,
o qual te confesso nesta linha,
só à imagem de tuas mãos me declararia amante.

Teu olhar está encravado em mim, e tua distância desliza
sobre tua presença que me confunde.
Da tua boca em forma do beijo que desejo.
Dos meus olhos na forma de mar, por derramar.

O que não quero é te falar de um amor que nem eu sei.

Mas você é em mim um milagre !!!
Que me fez trocar o não pelo sim.
Que me trouxe a fantasia
do poder amar de novo !!!

Sandra Barbosa de Oliveira

Seu aniversário

Ricardo Lombardi em

Colcha de Retalho

Hoje quando você acordou sentiu mais uma vez aquela falta. Mas hoje é diferente, hoje é o seu aniversário.

Aquela falta, o vazio de todos os dias, hoje, parece passar por cima de sua cabeça e te derrubar no chão.

As horas passam, os dias passam, os meses, os anos virão, mas a falta sempre será esta lacuna em você, em mim, em nós. E hoje é o seu aniversário.

Justo hoje, você sentiu a casa ainda mais vazia. Tão vazia quanto nunca. Hoje você sabe qual é o som do silêncio. Sim, o silêncio. Este silêncio que insiste em gritar todos os dias para você, pra mim, pra nós. O silêncio grita todos os dias: acabou, se virem, vivam as suas vidas. Mas hoje é o seu aniversário.

Não há vontade de comemorar nada, nem de falar com ninguém, muito menos ficar atendendo aos telefonemas para ouvir sempre o mesmo discurso: parabéns, muitas felicidades, saúde, dinheiro e bla, bla, bla.

Parabéns por que, você se pergunta. Você não entende por que deve celebrar a vida se a vida tem sido tão dura ultimamente. E hoje é o seu aniversário.

Logo hoje. Por que não no final do ano? Pra esse tempo passar, esse tempo que todos insistem em nos confortar como a cura de todos os problemas. A cura para a falta, da diminuição do volume do silêncio. A cura que vai preencher o vazio da ausência. O tempo, ah, o tempo. Esse subir e descer do Sol todos os santos dias. E justo hoje, que é o seu aniversário.

E essa dor. Uma experiência que enriquece. Não é possível fugir da dor. Fugir da dor seria fugir da própria cura. A cura que liberta, fazer crescer, faz aprender e faz, enriquecer. E hoje. Ah, hoje é o seu aniversário.

Posso apenas te oferecer como presente o meu amor.

Meu amor na forma mais elevada de energia para preencher sua alma. Meu amor como forma de liberdade. O amor que não discrimina, mas inclui, sempre. Hoje e sempre.

O amor que não é egoísta. Que possui o extraordinário poder curativo capaz de mudar completamente a sua vida.

Meu amor em estado verdadeiro e original da alma porque a necessidade do momento é relembrar esse estado amoroso de ser.

Tudo porque hoje é o seu aniversário.

Sobre um voar

Para ler … ouvindo !!!

*

Apenas em sonho
sou uma ave a navegar
nas nuvens de um bem-querer
abstrato

Mas o meu sobrevoar suave
rabisca no céu um único nome
num desejo inconsequente
de pousar uma das mãos
num doce toque

E na lembrança de um olhar  (in)fundo
e comovente

Mas é apenas o planar de um sonho
errante
na contramão de uma nave
incandescente
a divagar sobretudo a sorte
desse encontro

Como um deslizar no azul do céu
delineando a própria sombra sobre o mar
e adormecer numa obscura noite
infinda de luar

Mas é apenas um sonho
abstrato
com um bem-querer inerente
em muitas vezes insurgente
numa noite vazia onde o luar se esconde
sob o abastar do seu silenciar obstante.

Aos amigos que tenho, aos que ganhei e ao que perdi … todo amor do mundo !!!

Este ano foi um ano muito especial pra mim. Confesso que estou emocionada por estar falando sobre isso, ando emotiva demais, pelas mudanças que ocorreram em minha vida.

Quero ressaltar acima de tudo os amigos queridos que fiz, virtuais, virtuais que se tornaram presenciais, invisíveis que se tornaram visíveis e presenciais … amigos de tempos passados que acabaram provando que o tempo passa mas que o amor sobrevive a todas as intempéries.

Meu coração pulsa como numa explosão, de tão feliz em poder expressar sentimentos tão delicados.

A vida, este ano, também me mostrou que até uma grande e impiedosa perda pode nos trazer momentos de amor supremo quando temos tempo pra dizer “Eu te amo” … e que isso pode perpetuar uma grande amizade através do infinito.

E que infinitamente estaremos juntos às pessoas que amamos e que podemos amar gratuitamente, sem querer nada em troca. Principalmente porque quando não pedimos nada em troca o que recebemos se faz muito maior.

Tento colocar a emoção de lado mas é impossível …

Quero agradecer ao Universo pelas pessoas que colocou em meu caminho neste ano. E as que trouxe de volta. Quero agradecer aos céus por abrigar meu amigo querido, por quem tantas lágrimas eu derramei, neste ano.

Quero agradecer ao Universo também, por ter poupado a vida do querido Lucas, que apesar dos pesares está podendo beijar sua mãe, minha amada Sula, que é a quem eu poderia dedicar o Céu, aquele onde fica imerso o grande e poderoso Pai, a quem ela tanto ama e em quem tanto confia.

Minha emoção, aqui e agora, me faz derramar todo o meu amor pela face. Porque este ano é o ano dos amigos.

Desejo a todos todo o amor do mundo e agradeço por existirem !!! Amo vocês !!!

E todo o meu amor eu dedico ao amigo Miguel. Que, de onde esteja, consiga sentir a energia de ser amado para sempre .

E foi assim, foi ali …

A TV era em preto e branco.
A rádio era a Excelsior de São Paulo, que tocava “música importada”. O sabor era o de Gintan. Raito de Sol era o bronzeador. O incenso de Lótus e o perfume, não me lembro, mas tinha que ser da Argentina. Sonhávamos.
A novela era Beto Rockfeller, que dava as dicas do que acontecia na noite paulistana, no Clube Pinheiros, na boate Tom Tom Macoute. Carro… acho que era o Gordini. De preferência amarelo, uma referência a um piloto de Interlagos.
O esporte favorito da molecada era o autorama. A vitrola mais popular era a Sonata, fabricada em Campinas.
Ser “chic” em Jundiaí era ter uma vitrola portátil da Philips, lógico, comprada nas lojas Magalhães, ao lado do Cine Ipiranga, palco das primeiras pegadas na mão da namorada, do primeiro beijo, tendo como testemunha um filme do Mazaropi na tela.
Na esquina da frente era o Credi City, loja da família Farina e que também dava nome ao prédio onde moravam os irmãos Avalone. Na próxima quadra, a Paulicéia, ponto de encontro dos jovens da cidade.
Do lado oposto tinha a Praça Governador Pedro de Toledo, o Largo da Matriz.
No número 66 da praça tinha a “Agência Geral” de Eduardo Sacchi, fornecedor dos discos que tocavam nas vitrolas compradas na Magalhães e na própria “Agência Geral”. A loja ficava ao lado do Bar do Lula e da estação da Viação Cometa. No prédio acima, vivia a Eliana de Luca.

E foi assim nesse cenário que cresci. Vendo o entardecer, na frente da Catedral, com seus jardins maravilhosos e a fonte que, um dia, um prefeito mandou derrubar.
Ouvia o som barulhento das andorinhas, acompanhava o movimento das moças que saiam das escolas e passavam pela praça.
Conferia, como um chefe de estação, o horário de chegada e saída dos ônibus da Cometa e via quem chegava ou saia. Lembro-me de ter visto Roberto Carlos (o Rei) chegar ali para tocar no Cine Polytheama. No tempo do “Calhambeque”!
Foi ali que ganhei o maior presente que poderiam ter me dado. Aprendi a gostar de música com o melhor professor, meu pai.
Eu ouvia de tudo, Nelson Gonçalves que, aliás, foi quem inaugurou a “Agência Geral”, Trio Los Panchos, Elvis Presley, Bossa Nova, Os Beatles e toda a invasão do rock inglês, toda a Jovem Guarda, tangos, boleros, chá chá chás, música clássica, a invasão da música italiana, Pata Pata.
E foi ali também que criei, sem querer, minha web de relacionamento social. Conhecia todos e todos me conheciam. Do anãozinho elegante que fazia ponto diariamente no Cometa a prostitutas, ladrões, sambistas, cantores, músicos, galera das rádios Difusora e Santos Dumont, estudantes de outras escolas, todas as meninas, engraxates e motoristas de taxi.
Meu pai também era conhecido pelas bancas de artigos carnavalescos que tinha na loja, no Grêmio e, anos após, no Clube Jundiaiense. O depósito do material era na sala da frente de nossa casa da Engenheiro Monlevade. Era a Festa!
Caixas de serpentina, sacos e sacos de confeti e umas caixas grandes de madeira que traziam a marca RODOURO OURO que, para quem não sabe era o, na época popular, “Lança Perfume”. Ainda sinto o aroma de tais caixas e o barulho da farra que fazíamos, eu e meus irmãos, naquele cenário carnavalesco e inocente.
No tempo do Grêmio, eu ainda era muito pequeno, mas descolado. Descolado a ponto de receber, em minha casa, a dupla de palhaços Fuzarca e Torresmo para um café antes do show deles. A Rua Engenheiro Monlevade parou. E eu, naquele dia, era o cara mais importante da vizinhança.
No Grêmio também aprendi a gostar de carnaval e cheguei até a arrumar uma namorada, que morava no Cine Ideal, ao lado do Clube. Era a glória. O nome dela era Amélia, ou Maria Amélia, não me lembro. Mas linda o suficiente para entender que algo estava mudando em mim. Eu descobri que era romântico!
Outras músicas e namoradas apareceriam em minha vida. Além de muitos carnavais…

Marcos Sacchi
(Jornalista, DJ, radialista. Um eterno estudioso e profundo conhecedor da boa música)

Os melhores sabores da vida

http://www.obagastronomia.com.br/os-melhores-sabores-da-vida/

Existem combinações que são sempre especiais. Sabores que se misturam, se harmonizam para acariciar paladares os mais exigentes.

E existem histórias felizes que acariciam a alma devolvendo-a aos melhores momentos da vida, como numa simples comunhão desses sabores ao paladar, uma das mais vibrantes e antigas histórias de amor.

Quanto mais excêntrica a mistureba, mais feliz a satisfação do freguês.

Um dos casamentos esquisitos que eu adoro é o da alcachofra com o vinho tinto.

Uma surpresa rápida de preparar, que combina com inúmeras outras surpresas como comer ao lado de um parceiro interessante ou simplesmente na varanda, ao telefone com uma pessoa pra lá de especial.

Alcachofras e vinho tinto combinam com conversas envolventes, com desejos depravados e novas descobertas.

E é tão fácil de preparar quanto um beijo roubado.

Escolha as flores de alcachofra e coloque-as num vaso com água sobre a mesa da sala. Elas são lindas para adornar qualquer sensação de intimidade. Derrube a luz a meio palmo e deixe uma música suave cantando um jazz ao fundo.

Abra o vinho e coloque-o nas taças.

Separe duas alcachofras e coloque-as na panela de pressão, deixando por até quinze minutos após o barulho da panela invadir o assunto. Mas não o deixe quebrar o romance.

Prepare um molho com shoyu, vinagre balsâmico e azeite extravirgem entre uma e outra canção, poupando as dançantes. E ria muito !!! Gargalhadas, vinho tinto e alcachofras combinam demais.

Se estiver sozinha, vá para a varanda e espere aquele amigo surreal que você conheceu na internet te ligar e morra de rir com as palhaçadas que ele vai propor a você.

Beba até ficar engraçada. Seu amigo vai achá-la interessante.

Vá mergulhando as pétalas da alcachofra uma a uma no molho ou jogue o molho por cima e
sinta o quanto você é feliz.

No meu caso, a voz do amigo estava uma delícia …

Trinta dias é a conta

Em apenas trinta dias
tudo pode acontecer
Você pode nascer,
você pode morrer …

Em apenas trinta dias
Você pode deixar a seriedade de lado
e só falar asneiras,
fazer bandalheira

Você pode deixar de ser severo consigo mesmo
e simplesmente se aceitar,
se permitir

Pode ser percebido … ou deletado …

Em apenas trinta dias
você pode trocar
o não pelo sim …

Uma lagoa de lágrimas
pelo riso (des)compromissado
da sacanagem

Trinta dias é a conta
pra você sair da casinha
e experimentar ser livre

Mas vai ter que se acertar
com a ansiedade
e muito, muito mesmo …
é com a saudade !!!

Em apenas trinta dias
tudo pode acontecer …

você pode adoecer
você pode socorrer
você pode desistir ou sobreviver

Em apenas trinta dias
você pode se envolver
mas pode se devolver

Pode ir, pode voltar
E de novo rir
E de novo chorar …

Trinta dias é a conta
para se reconhecer,
se decifrar, se reinventar

Mas o mais importante é que,
em apenas trinta dias
você pode persistir, resistir
e ficar pronto pra viver uma nova história

Porque a vida é movimento.

O fechamento de um ciclo …

Quase noite … momento crepuscular, beirando à tristeza.

Parto em sentido ao que fora em outros tempos: a casa. O sol já se pôs. Junto com sonhos, esperanças, lembranças simples do cotidiano…

Chego ainda assim com um querer profundo de encontrar-me ali. Mas não me encontro, o que encontro são escombros de casa e escombros de mim.

Vago pelas ruas a procurar flores, perfumes, o cheiro do mato misturado ao cheiro do mar, a vida selvagem, as pedras nas calçadas, as pedras na minha vida, minhas dores.

O céu vai betumizando, minha alma se perdendo em coisas que perdi, nas que achei, em tudo que aprendi ali, olhando para as sombras e para as luzes da montanha em movimento, embora estática … um quadro vivo avistado de minha cama.

Paro pra pensar na sordidez do destino. Mas que, no final das contas, acaba sempre tornando, em meio a lama e degradação, a nova semente num belíssimo Jasmim.

Em tudo que é belo …

Amanhã é aniversário do Jorge …

Durante muitos anos estivemos comemorando esta data juntos,
em encontros incríveis em sua casa, com a Gabi e os meninos …
e aquele povo todo, genial, envolto por muita música de qualidade.
Hoje, estamos distantes, mas queria deixar registrado aqui o grande
amor que sinto por eles, e o quanto sempre torci e torço, até hoje,
para que encontre, a cada dia, um lugar de destaque para sua deliciosa música.
Seja feliz, meu querido … vc é um grande merecedor !!! …

Beijos e parabéns !!!