infinita impossibilidade

(Sandra Barbosa de Oliveira)

o poeta encanta
enquanto canta
mantra
em versos
canto escuro como um manto

encantado o véu assim
no entardecer do céu
do sol se pôr
por tanto
azul a iluminar minar
da água azul também
fazer brilhar

o poeta enquanto canta
o mantra em céu
a escoar da chuva
em pleno pôr do sol
no entardecer
lilás molhado
o santo manto
azul transformado
mina também
no anoitecer do seu canto
triste algum lugar
escuro azul

e o poeta canta
encanta estrela em verso
eterno amor
infinita impossibilidade
do canto triste
a desvendar caminho
como seguir seu sonho
a naufragar poemas

*

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Cuca Roseta – Igreja Santa Maria de Óbidos

Óbidos é a sede do município de mesmo nome, situado no distrito de Leiria, região central de Portugal. Sua grande atração é a Vila Medieval, que conta com cerca de 2200 habitantes e é hoje importante polo turístico da região.

Seus primeiros achados datam da Invasão Romana na península Ibérica, em tempos de César Augusto, no século I a.C., com referências bibliográficas remetidas ao século I, na obra “Naturalis Historia” de Plínio, o velho, onde foi citada.

Seu nome deriva do termo latino “ópido”, que significa cidadela. E é conceituada como a cidade literária.

Reza a lenda que a Igreja Santa Maria de Óbidos tenha sido construída no período visigótico e, depois de ser transformada em mesquita no período de dominação mulçumana, voltou ao poder da Igreja Romana, em 1148, pelas mão de D. Afonso Henriques.

Aos finais do século XV, ela passou por uma reedificação, pois que apresentava-se em completa ruína, promovida, quem sabe, por um possível terremoto, anterior ao de 1755 que devastou Lisboa e toda a região sul de Portugal.

E foi na Igreja Santa Maria de Óbidos, que no sábado, 03 de junho último, a maior cantora de fado da atualidade, Cuca Roseta, subiu ao altar em seu tradicionalíssimo casamento, e nos presenteou com essa interpretação impecável de Ave Maria, que fica aqui para celebrar o que é Portugal.

Conhecer Óbidos é paragem obrigatória para quem visita Portugal. Simplesmente inesquecível.

Portugal, minha paixão!

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A primeira viagem

Foi apenas quando o trem de pouso bateu com as rodas no chão que eu me dei conta de que ali estava eu, sozinha e que estava por começar uma grande aventura.

O destino entre os tantos que algozmente antecederam a escolha, desde os primeiros momentos, não surgiu ao acaso e seria o tiro da grande jornada de autoconhecimento e motivação, que estava há muito a minha espera.

Seria eu ali a vislumbrar um mundo de aromas e paisagens, arte, sensações e solidão.

Meu medo me obstruía a passagem mas nunca haveria de chegar a minha hora se eu não criasse o momento… e parti.

Ao desembarcar em Barcelona, naquele que seria o meu primeiro chão de mundo livre, o aeroporto me recepcionou com maestria e me encaminhou para as ruas da cidade.

Ônibus, buzinas, o peso da mochila nas costas, tudo meio adormecido ainda diante do desembarque, no momento da chegada.

A tarde estava morna, o tempo sem cor, nem frio nem calor.

Eu ainda embriagada pelas horas do voo, desci na praça principal, rodeei-a a 360 graus e percebi-me perdida em meu giro, em meu relógio, em meus sentidos, em minhas pernas, tantas eram as ruas que a cercavam que eu não conseguia sair do lugar.

Até que por um momento eu parei, oxigenei, e percebi que já havia chegado ao meu destino e que o caminho me levaria de encontro aos meus anseios de marinheiro atracado no primeiro porto.

E foi assim que eu encontrei o hostel, logo ali perto, no mesmíssimo lugar em que o mapa o havia apontado.

E foi que eu sorri diante da majestosa porta centenária que ao abrí-la pensei comigo…

eu venci!
*

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Rompendo tabus … com Isabel Dias

Quando o assunto é erotismo, muita gente aplaude a literatura apresentada em livros como “Cinquenta tons de cinza”, transformando esse instrumento de opressão em best-seller internacional.
Hollywood também aposta nessa opressão porque sabe que é o idealismo machista que patrocina a exploração de conteúdos onde a mulher é alvo de violência e desrespeito, trazendo milhões de dólares aos cofres da indústria de produções.
Mas quando do tema se faz a abordagem da libertação feminina, onde é a mulher quem resolve mostrar a igualdade de poderes; que o virtuosismo em nada está implícito na castidade; e que, depois de uma longa trajetória de sofrimento, em que sempre impera a traição, a deslealdade, todo tipo de violência psicológica e humilhação por parte de seus próprios companheiros de jornada; o que temos (claro que não em termos gerais), é julgamento, preconceito e discriminação por parte de um tribunal trans-vestido em hipocrisia, dos setores desta sociedade que se diz moderna (no sentido coloquial da palavra) e libertária, mas que no fundo está imersa num conservadorismo provinciano, há dezenas de gerações.
Será que a mulher está despreparada para a felicidade?
Digo tudo isso para introduzir opinião ao livro que acabo de ler.
A autora, minha amiga, se desnuda diante do leitor sem pudores, ao descrever os casos que teve, durante um período de dois anos e meio… com cada um dos 32 homens que conheceu através de um site de relacionamentos, depois de um trágico e complicado processo de divórcio, impulsionada pela raiva e pelo desejo de dar o troco à traição do marido, ao descobrir que ele tinha quatro amantes.
“32 – um homem para cada ano que passei com você” é um livro que lava a alma de todas nós mulheres, que experimentamos a dor de sermos traídas, humilhadas e psicologicamente violentadas por esses homens com quem nos dispusemos a compartilhar a vida, onde acreditávamos viver nossa grande história de amor, com quem nos sentíamos seguras e acalentadas. Com quem tivemos nossos filhos, a quem tivemos dedicados nossos melhores anos, nossa lealdade, nossa beleza vigorosa e nossa juventude.
Isabel Regina Dias é uma mulher de coragem, que não demonstrou ter pudor algum ao denunciar publicamente sua decepção em relação ao homem com quem imaginava envelhecer; a depressão que quase a matou e as descobertas que fez acerca de si mesma; ao se propor, com a aceitação e apoio dos filhos, a essa busca implacável pela mulher que nem sequer sabia haver dentro de si.
Parabéns, Regina, minha amiga… estou aqui pra dizer que você me representa! …
*
Com prefácio de Xico Sá … 215 páginas de muita diversão e reflexão.

Interrompendo as Buscas

Martha Medeiros

– “Assistindo ao ótimo ‘Closer – Perto demais’, me veio à lembrança um poema chamado ‘Salvação’, de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: “Nenhuma pessoa é lugar de repouso”.

Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída – o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade – nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas ¿ sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o ‘rodízio’ e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo “leve dois, pague um”, também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

E se Obama fosse africano?

Mia Couto

… “na realidade, só existe um modo de nos valorizarmos: é pelo trabalho, pela obra que formos capazes de fazer. (…) somos pobres. Ou melhor, fomos empobrecidos pela História, fomos também empobrecidos por nós próprios. A razão dos nossos actuais e futuros fracassos mora também dentro de nós. (…) somos produtores do nosso destino. (…) construtores de um tempo e de um lugar onde nascemos todos os dias. (…) antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.”

* Mia Couto é poeta e biólogo moçambicano e publica no Brasil pela Companhia das Letras, São Paulo.

Putas

BLOG DO FREITAS

” estamos eu, a Scheila e mais três bilhões de putas ralando diariamente na boquinha da garrafa.”

Por Talita Corrêa

Não sou a primeira. Não sou a última puta da história. Portanto, com a sua licença, um mergulho no submundo:

Nesta semana, UMA MOÇA DIREITA E DE FAMÍLIA resolveu divulgar (com fotos, baixarias e menções ao filho morto do casal) que (pausa para a hashtag) #estápegandoomaridodaScheilaCarvalho.
Uma internauta intelectual, virtuosa e virgem analisou o caso: “Pau que nasce torto nunca se endireita (Menina que requebra, mãe, pega na cabeça). Quem mandou ter um passado sujo como morena do ‘Tchan’? Nunca vai ter respeito. Sou dona de casa e meu marido não faria isso. Agora, que botou botox e virou uma puta velha, vai chorar!’’.

Li. Ri. E pensei: estamos eu, a Scheila e mais três bilhões de putas ralando diariamente na boquinha da garrafa.
Somos putas velhas, sim. Há mais…

Ver o post original 991 mais palavras

Nova ilha

Um dia desses eu vi na tv que no Japão um vulcão entrou em erupção no mar fazendo nascer uma ilha. Achei explêndido. Pensar que aquela lava vai esfriar e que sua “Mãe” vai se encarregar de cobrí-la de vida, verde e marinha. Fiquei a imaginando coberta de vegetação, musgo, abraçada por algas e corais. Tive uma sensação de que tudo se renova. De que a Terra se revolta, expele fogo para formar novos territórios.  Para criar o futuro. Me emocionei. Pensei em mim. Na minha vida e na minha neta que vai nascer. A natureza se incumbindo da continuidade. E assim segue … para aquilo que é eterno. Obrigada “Mãe” !!! …

Um dos poemas mais lindos que li nos últimos dias

Desencontro

Jorge de Sena, 1919 // 1978. Portugal

Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.

E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,

de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum
que mesmo o que se encontra não se encontra.

A ganância é “Lilás”! …

O que eles querem mesmo é dinheiro, sim !!!!!

Foi-se o tempo em que os artistas primavam por sua arte, se engajavam em lutas ideológicas e sociais, eles mudaram de lado, ficaram ricos.

Junto a essa briga escandalosa para censurar de antemão suas “pretensas biografias”, existem máscaras a serem derrubadas. A vida do músico (o empregado do “canário”) no Brasil não é um mar de rosas, não. Passa muito longe do glamour idealizado por tiétes. A maioria recebe salário de fome, os artistas não têm critérios para cumprir suas agendas, desmarcam tournés inteiras sem o menor pudor e respeito às famílias dos músicos que dependem dessa agenda para educar seus filhos.

A maioria dos músicos trabalha sem contrato de trabalho, sem um plano de saúde, sem aposentadoria. Vivem uma vida clandestina de trabalho informal. Alguns “patrões sanguessugas” passam a vida “chupinhando” produtores e arranjadores sem sequer creditar seus nomes ao trabalho, quanto mais pagamento justo dos percentuais em royalties.

Se apropriam, assim, da “arte do outro” para meter o dinheiro no bolso. Não entendo essa agora de acusar biógrafos por ações as quais eles mesmos passam a vida praticando contra seus “prestadores de serviço”. Estamos falando de arte. Estamos falando de música, de criação. A grande maioria dos músicos brasileiros acaba a vida na miséria.

Precisando de apoio financeiro de amigos; sem a menor dignidade. Às vezes, precisam se manter calados anos a fio para não sofrer represálias, porque músico que abre a boca não trabalha. Músico que processa artista por questões trabalhistas não consegue tocar com mais ninguém.

Nana Caymmi disse tudo: “Vida de artista é vida pública. Devem dar graças a Deus se alguém tiver interesse em biografá-las.” Afinal de contas foi essa a escolha. Esse é o preço e o que todos almejam é o sucesso.

Se querem privacidade devem fechar suas portas pra revista Caras. O mercado editorial brasileiro tem que reagir ao egocentrismo.

Lógico que falo apenas de alguns.

É uma “cúpula abastada e gananciosa” que não pensa que seus trabalhos dependem de uma equipe. O mínimo que eu sempre esperei foi que tratassem os profissionais da equipe com um pouco de respeito.

O ministério do trabalho deveria abrir uma sindicância pra averiguar as condições em que trabalham esses músicos no Brasil.

E a receita federal deveria prestar um pouco mais de atenção aos “borderôs” das bilheterias dos shows.

Opinião

– Pior do que a ação radical de direita e de esquerda, as quais nem merecem a inclusão no mérito, por deverem estar fora de qualquer classificação numa sociedade civilizada, é a legitimação da ignorância.
A China tem uma das ditaduras mais austeras do mundo, onde o cidadão é qualificado quase como um animal, para prover o sonho de consumo no resto do mundo.
A dicotomia vertical entre a miséria e a riqueza material é absolutamente inaceitável. Mas no Brasil, isso não é diferente. Por isso o meu levantamento de questões que invalidam o uso de termos ideológicos como “comunismo” e “capitalismo”.
No Brasil, o poder é ditado pela extrema direita parlamenrar há décadas. Num rodízio estúpido que sempre cai no mesmo lugar. Esse governo sindicalista corrompido só conseguiu o poder através de conchavos com a direita dos clãs coronealistas, latifundiários e centenários que exercem um poder sujo às custas da pobreza e da falta de interesse pelas questões sociais, forçando assim a má distribuição de renda e o possível crescimento de uma classe média, sobrecarregada de encargos e tributos, avaliados entres os maiores do mundo.
Portanto, essa dita esquerda que nos governa nada mais é do que a direita disfarçada. O Brasil está muito longe de ter um governo socialista moderado, voltado para o bem estar social. Somos um pais de ricos e pobres. Onde o privilégio institucional do capital concentra o poder na mão de poucos, em detrimento às necessidades básicas do cidadão.
O que precisamos é concentrar esforços para que as melhorias no campo da educação, da saúde, do transporte público e da segurança, obrigações constitucionais do Estado estejam ao alcance de toda a população de forma igualitária e justa e isso está muito longe de estar entre as atribuição das ideologias marxistas ou maoístas ou o que quer que se possa querer anexar ao contexto em voga.
O que se há de prezar aqui é apenas justiça social. E para isso há necessidade de manter-se em foco as reformas políticas, tributárias e eleitorais, para que o Brasil possa realmente dar um passo à frente.

Mundo perdido

Desde a hora em que procuro a chave, não sei como tudo há de acabar.
Visto o casaco e me açoito pela avenida lúdica. Única distância até então, a me separar daquilo que eu já nem sei mais o que é. Vou me entranhando no desconhecido, com o frio na barriga de sempre, como uma garota a procurar seu par numa sala de dança lotada de valsa. Mas nada gira, pelo contrário, é apenas um caminho herege e eu, a atravessar toda a cidade, afivelada ao cinto, para me encontrar com alguém, ou ninguém. A procura do endereço, o telefone no bluetooth, a música no rádio e a cidade a me encantar e a me contorcer a caminhada, como se houvesse galhos a desviar a cavalgada. E assim se dá o encontro. Nada de mais, não fosse o amor pendente. Escondido feito adolescente, a cruzar os pontilhões e rotatórias nesta dança macabra que o destino nos impôs. Vai se tornando mais e mais visível. A distância e o frio da cidade que não nos é novidade e os lugares desbravados no passado nos vão re-contando suas histórias. Derretendo-as por calçadas e sargetas em tantas noites frias que nos envaidece. Pois que não conseguem se calar. Os edifícios e as fachadas nos sorriem. Estacionar, trancar, descer, procurar, procurar, olhar, reconhecer, olhar, olhar… não saber onde chegar. Dois mundos, duas vidas, dois amores que já foram um. Pouca conversa, muitas lágrimas, foi o que nos pôde restar. E esse, talvez o último encontro. Desarmados. Com o apagar das luzes num palco macabro a encerrar espetáculos. O descer das cortinas. Com profunda tristeza, é traçada a retórica dos tempos finais. Porque não sei se meu coração tende a aguentar mais despedidas. Cada vez mais funestas a acalentar nosso silêncio. Seu mundo não é mais meu mundo. A estranheza vira autora do empobrecer do tato. O que sempre foi profundo se perde em profundeza. Há despedida. A distância emerge novamente na minha reta avenida. Meu coração não aguenta mais aparar essas arestas. Ele se cala, gélido, como a cidade embevecida na névoa da madrugada. E o carro segue veloz para o nunca. Com um coração a bordo, a espreitar por um mundo perdido.

Meu verbo é ir

Andar na contra-mão é ir além do senso comum. É levantar com o pé esquerdo sem superstição. Enxergar o lado bom de quem é “mau”. E se dar o direito de ser original.
Andar na contra-mão é se lançar no acostamento pra chegar mais rápido. É se permitir estar fora da lei. Longe do que é convencional. Aflorado de subversão. Submerso na emoção para ser feliz.
Liberdade às vezes dói. Mas voar não é pra qualquer um…
Porque o amor é xadrez.

Black Bird fly! …

Recrio meus dias e semanas e meses.
Recrio uma vida, uma história inteira. Recrio um novo personagem, a cada dia um novo poeta em mim. Revivo um novo romance, um novo recanto, um novo momento.
Redescubro meus instintos, meus intuitos, meus dilemas.
Incorporo a bailarina girando, o beijo do palhaço navegando pelos ares. Num descuido,
descubro uma nova mulher, altiva e voraz. A derramar seu sangue ainda quente pelas ruas da cidade.
Força bruta a cuspir o fogo de uma viagem aos infernos. Ou simplesmente um sopro… que levita feito nuvem pelos céus de seu novo encantamento. Porque aqui, “jazz” é coragem!

*

*
A bailarina em seu giro, olha pra todos os lados como se conseguisse ver o mundo. Mas é o mundo que a vislumbra, a leveza e a beleza desse quase flutuar.

*

O palhaço, esse sim encaminha o seu beijo com um sopro ao destino traçado, deslizando o carinho a seu alvo secreto. Sem que um mísero vento lhe desvie o trajeto.

*

Mas é o poeta quem morre pra reviver um lugar, outro amar, numa dor, noutra flor. O poeta é quem arde na teimosia de suas escolhas, na maioria das vezes… imprudentes.
E é essa imprudência que o leva novamente à morte, para o renascer do seu original e novo cantar: o poema!

O momento: uma maneira de viver! …

“O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem a qual estes mesmos impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo.”

Immanuel Kant (O que é o iluminismo?)

#Movimento-Ação

Tenho tentado fazer esse vídeo girar o mundo.
Quanto mais for compartilhado, maior a possibilidade de fazê-lo chegar aos quatro cantos do planeta.
O mundo precisa ver o descontentamento do povo brasileiro pra parar com a idolatria por nossos governantes corruptos, lá fora.
Temos que tirar as máscaras do Brasil e mostrar pra eles que as mulheres aqui são ativistas, professoras, médicas, cientístas, advogadas, mães, domésticas, e não PUTAS, como querem nos mostrar lá fora.
Temos prostitutas também. Mas é uma classe trabalhadora minoritária, que não representa a classe trabalhadora feminina do nosso pais. A voz feminina prevalece, nesse coro do vídeo.
Pegando carona aqui pra deixar o meu protesto contra o turismo sexual que já está sendo preparado para a Copa do Mundo. Isso tem que acabar! …
Eu quero ser respeitada. Porque nem “nossos maridos” nos respeitam! …
A mulher tem sido violentada, física e psicologicamente dentro da sua própria casa.
E isso vem trazendo seqüelas para as novas gerações de meninas que crescem vendo o descaso, o desrespeito, o autoritarismo, gerado por seus pais sobre suas mães e sobre elas próprias durante anos e anos a fio.
Essa violência psicológica gera, consequentemente, uma nova geração de mulheres submissas, e isso não tem fim.
A violência psicológica deixa mais sequelas do que a violência física. A mulher brasileira tem que dar um basta nisso. Dar-se ao respeito, e exigir respeito dentro de casa desde o início, porque uma vez sob domínio, não conseguirá refazer sua alto-estima nunca mais.
Se estiver se sentindo subestimada dentro de casa, procure ajuda psicológica imediata.
Porque quem ama, não abusa, não maltrata, e não desrespeita.
Reflita sobre isso também. Estamos na hora da grande virada! …

https://www.facebook.com/video/embed?video_id=536149766449645

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=oqbPYG0yDuI

“TOMORROW IT WILL BE BIGGER”…

“Folks! Pay attention!
Our actions were victorious, but the movement has only begun!
We are part of a national struggle, of a global struggle!
And we won’t stop here. And so, it’s important that everyone come at 6pm,
to the Subway steps, to the bus station!
We will continue the movement because our struggle is much greater than this.
We will only stop when we put ONE MILLION, TWO MILLION, THREE MILLION…
TWENTY MILLION, HERE (Congress)…
To tell them, that it’s not right, what they do with our money.
With our health, with our education.
-TOMORROW IT WILL BE BIGGER”
*
Ouçam a voz do Brasil, numa convocação uníssona, representada pelo movimento que invadiu a cobertura do Congresso Nacional, na última segunda-feira. A força desse grito me representa !!!!!!!!! Esta convocação é para Brasília, mas todos estaremos de prontidão em algum lugar. A Luta é NOSSA! …
*
“Galera … Muita atenção!
O nosso Ato foi vitorioso, mas o movimento apenas começou.
Nós fazemos parte de uma Luta Nacional, de uma Luta Mundial!
Não podemos parar por aqui. Por isso, é importante que todo mundo que está aqui, esteja às seis horas de quinta-feira em frente à escadaria do metrô, na rodoviária. Vamos seguir o movimento porque a nossa luta é muito maior que isto !!!!!! Só vamos parar quando a gente colocar um milhão, dois milhões, três milhões, VINTE MILHÕES, AQUI, PRA FALAR PRA ELES, QUE NÃO ESTÁ CERTO, O QUE ELES FAZEM COM O NOSSO DINHEIRO, COM A NOSSA SAÚDE, COM A NOSSA EDUCAÇÃO !!!!!!”
-“AMANHÃ VAI SER MAIOR MAIOR” !!! …
*
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=oqbPYG0yDuI

Ato nº5 (parte 2)

Um Ato nº5 muito diferente.

O Famoso “AI5 (Ato Institucional nº5)” de 13 de dezembro de 1968, tolheu a liberdade de expressão e reprimiu qualquer tipo de manifestação pública. Em tempos de ditadura, no regime Militar. 45 anos depois, vem um novo Ato nº5, pra mostrar que a rua é do povo, e que as palavras também.

Uma simbologia difícil de passar em branco! …

Eu e o Posto

Não sei porque eu tenho em minha vida histórico curioso com posto de gasolina.

Uma vez eu conheci um cara, num posto de estrada e casei com ele. Ah, o amor. Jovens são tão esquisitos!

Anos depois, passados carnavais e vendavais, revoluções e resoluções, resolvi dar uma de broto e parti numa viagem autoral, de “canudo e canequinha” por Minas Gerais, o que me acarretou longas quatro horas de espera, num posto de gasolina, por uma condução que me valesse o peso, da espera e da “muamba” que toda mulher gosta de carregar quando volta pra casa.

Haja quinquilharia!

Pois hoje, depois de truculenta noite de descaso, ao acaso me deparei com um posto de gasolina do tipo “salvador da Pátria”.

Literalmente.

Eu ali, no meio de uma multidão de meninos gritando palavras de ordem com muita energia, pulei a corrente de um posto e me deparei com dois policiais recostados em sentinela, dos quais me tornei um grupo, pra levar pedrada, se o caso fosse, pois o “alto-comando” deliberou à folga, o Choque.

-Pois que bem, seu guarda: hoje vai ter calma? Perguntei ao soldado de prontidão.

-A “ordem de cima” diz que sim, respondeu o “polícia”.

E assim se fez, que levei vinte minutos a catequisar os guardas – o senhor tem filhos? -Tenho sim, minha senhora.
Pois que sim, outra vez.

-Se alguma coisa acontecer, antes de bater nos meninos, pense nos seus filhos, porque eu tenho duas, que estão aí.
E partiu a passeata sem uma única ocorrência de violência até a Ponte Estaiada, Zona Oeste de São Paulo.

Ao chegar em casa eu pensei: o “Alto-Comando Lá de Cima” protegeu os meninos.

Pôxa vida, esqueci do caso que casei lá no começo. Mas me lembrei que o posto era “Ipiranga”, olha a foto aí…

Ô pátria amada, salve salve!…

Ipiranga

Ato nº5

A verdade é que o brasileiro está descobrindo que manifestar-se é melhor que carnaval.
Eu fiquei muito emocionada com a rapaziada e orgulhosa de minhas filhas. Uma delas estava atrasada, porque saiu tarde da faculdade.
Chegou a chorar por ter perdido a carona. Então eu entrei em ação.
Entrei no carro e falei pra ela tocar em frente. Fomos muito tranquilas até o Largo da Batata.
Chegando lá, ela se agrupou e eu fiquei um tempo alí, marcando presença na concentração.
Depois parti pra casa, mas quando estava chegando, vi a Hélio Pellegrino totalmente deserta, não resisti. Peguei o sentido Pinheiros e voltei.
Estacionei e fiquei esperando na Cidade Jardim. Quando chegaram, que eu pude ver a dimensão que o Ato tinha tomado.
O Brasil estava ali, diante dos meus olhos.

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O depertar do Brasil 4 !!! …

Que o domingo seja traquilo para que a segunda venha com fé e coragem.

Saiamos às ruas para proteger esses meninos. Para mostrar ao mundo que somos pacíficos e civilizados. Que estamos no limite. Que quem instiga a desordem é o comando geral despreparado do Dr. Alkmin.

Que o Sr. Haddad só cumpre ordens do Sr. José Dirceu, o chefe da quadrilha, que está condenado em última instância por um Tribunal que não consegue fazer cumprir as leis.

Saiam às ruas, nem que seja em frente de casa, com as mãos dadas aos vizinhos, e que essa corrente de manifestação chegue até o largo da Batata.

Onde a repressão estará à espera das lideranças do movimento. Manifeste-se. Cada um a seu modo. Porque somos milhões e ninguém poderá nos segurar, nem prender, nem calar! …

Não espere que alguém grite por vc. Faça a sua parte! …

Manuel Castells analisa as manifestações em São Paulo

por Equipe Fronteiras … (via Jose Luiz Goldfarb)

Sociólogo espanhol, Manuel Castells esteve no Fronteiras do Pensamento 2013 para a conferência Redes de indignação e esperança, homônima à sua mais recente obra, a ser lançada no Brasil em setembro (editora Zahar). Em São Paulo, no preciso momento de sua fala no Teatro Geo (11/06), a Avenida Paulista era espaço de tensão entre a polícia militar e os manifestantes contra o aumento das passagens de ônibus. Questionado pelo público sobre o que estava acontecendo na cidade, Manuel Castells respondeu:

“Todos estes movimentos, como todos os movimentos sociais na história, são principalmente emocionais, não são pontualmente indicativos. Em São Paulo, não é sobre o transporte. Em algum momento, há um fato que traz à tona uma indignação maior. Por isso, meu livro se chama REDES de indignação e de esperança. O fato provoca a indignação e, então, ao sentirem a possibilidade de estarem juntos, ao sentirem que muitos que pensam o mesmo fora do quadro institucional, surge a esperança de fazer algo diferente. O quê? Não se sabe, mas seguramente não é o que está aí. Porque, fundamentalmente, os cidadãos do mundo não se sentem representados pelas instituições democráticas. Não é a velha história da democracia real, não. Eles são contra esta precisa prática democrática em que a classe política se apropria da representação, não presta contas em nenhum momento e justifica qualquer coisa em função dos interesses que servem ao Estado e à classe política, ou seja, os interesses econômicos, tecnológicos e culturais. Eles não respeitam os cidadãos. É esta a manifestação. É isso que os cidadãos sentem e pensam: que eles não são respeitados.

Então, quando há qualquer pretexto que possa unir uma reação coletiva, concentram-se todos os demais. É daí que surge a indicação de todos os motivos – o que cada pessoa sente a respeito da forma com que a sociedade em geral, sobretudo representada pelas instituições políticas, trata os cidadãos. Junto a isso, há algo a mais. Quando falo do espaço público, é o espaço em que se reúne o público, claro. Mas, atualmente, esse espaço é o físico, o urbano, e também o da internet, o ciberespaço. É a conjunção de ambos que cria o espaço autônomo. Porém, o espaço físico é extremamente importante, porque a capacidade do contato pessoal na grande metrópole está sendo negada constantemente. Há uma destituição sistemática do espaço público da cidade, que está sendo convertido em espaço comercial. Shopping centers não são espaços públicos, são espaços privados organizando a interação das pessoas em direção a funções comerciais e de consumo. Os cidadãos resistem a isso.

Veja que interessante é o caso da Praça Taksim e do Parque Gezi, em Istambul. Há meses, eles estão protestando contra a destruição do último parque no centro histórico da cidade, onde seria construído um shopping center, um complexo dedicado aos turistas, que nega aos jovens o espaço que poderiam ter para se relacionar com a natureza, para se reunir, para existir como cidadãos. Portanto, é a negação do direito básico à cidade. O direito, como disse Henri Lefebvre, de se reunir e ocupar um espaço sem ter que pagar, sem ter que consumir ou pedir permissão a autoridades. Por isso, tenta-se ultrapassar a lógica da liberdade na internet à liberdade no espaço urbano.

Eu não posso opinar diretamente sobre os movimentos que estão acontecendo neste momento aqui em São Paulo, mas há algumas características de tentar manifestar que a cidade é dos cidadãos. E este é o elemento fundamental em todas as manifestações que eu observei no mundo.

O que muda atualmente é que os cidadãos têm um instrumento próprio de informação, auto-organização e automobilização que não existia. Antes, se estavam descontentes, a única coisa que podiam fazer era ir diretamente para uma manifestação de massa organizada por partidos e sindicatos, que logo negociavam em nome das pessoas. Mas, agora, a capacidade de auto-organização é espontânea. Isso é novo e isso são as redes sociais. E o virtual sempre acaba no espaço público. Essa é a novidade. Sem depender das organizações, a sociedade tem a capacidade de se organizar, debater e intervir no espaço público.”

O despertar do Brasil 3 !!! …

São Paulo, a maior cidade da América Latina, está borbulhando.

Quanto maior a pressão, maior o risco da panela explodir. Somos quase 12 milhões de habitantes.

Trabalhadores que seguram o “Brasilzão” nos ombros, como as formigas, na fábula da cigarra. Uma pequena minoria, de garotos ainda, deu início à rebelião.
E estão pondo as nossas caras pra bater, mas é a deles que sangra, enquanto ficamos sentados no sofá, esperando os jogos da Copa das Confederações.

E é assim, vendo a violência dos cassetetes pela tv, é que esperamos que alguém faça baixar o preço das passagens do “pau-de-arara” que nos carrega ao ofício onde todos os dias, cada vez mais arraigados aos carnês de prestações, nos esprememos pra manter o ganha pão.

E assim vai o Brasil.

O preço da passagem subiu menos que a inflação, desculpa-se o “governador”.

Mas é a inflação que está saindo do controle, não a população. É o descontrole da política, o nepotismo, a corrupção, o descaso com as reformas, com a educação e a saúde é que está na mira desta explosão.

O povo ainda não se manifestou.

Mas a verdadeira explosão se fará quando fecharmos as nossas portas e apagarmos as nossas luzes, parar, em vez de marchar. Essa será a grande virada.

A cidade tem que parar. Vamos dormir tranquilos, ninguém nas ruas, num toque surdo de silêncio.
Nenhum centavo na corrente sanguínea da cidade.

E o povo então se fará presente. São Paulo tem que parar. E o Brasil ouvirá as suas súplicas.

É isso! …

O despertar do Brasil !!! …

O Brasil está acordando.

Infelizmente, há de haver violência. A briga é política. Quem paga?…

Estudantes, jornalistas, ativistas, trabalhadores… mas temos sangue latino correndo nas veias.

A cada confronto está embutido o “fora Renan”, o “fora Feliciano”, o “queremos Dirceu e sua quadrilha na cadeia”, o “queremos de volta nossa democracia”, o “queremos a autonomia dos poderes”, a “justiça”, o “não à impunidade”.
Nós queremos nosso Brasil de volta.

Chega de tapar os olhos com Copa do Mundo, essa foi a estratégia usada em 1970, por um regime assassino, do qual não temos saudade. Eu quero poder seguir a minha vida, com meus filhos e netos, “caminhando e cantando e seguindo a canção!” …

O Brasil precisa de diálogo. De voz, e se preciso for… de GRITO! ….

Ninguém está brigando pelo aumento das passagens, o buraco está bem mais embaixo.
Queremos viver com dignidade, pois nós somos os brasileiros.

A Pátria é nossa!

Poema indelével

Se quiseres me alcançar começa a correr.
A escada é íngrime, e eu estou há anos luz de tuas perspectivas.
Ficar não significa estar. Estar não significa ser.
E tu não estás nos projetos desta minha relação atemporal .
O universo é grande demais. Cabem nele todos os mundos.
Mas dois corpos jamais ocuparão o mesmo espaço.
Esta é a lei da Física.
Cresce, vê se cresce muito … porque para te sobrepores à minha imagem…
Terás que ser grande.
Pois que tenho o universo aos meus pés!