A primeira viagem

Foi apenas quando o trem de pouso bateu com as rodas no chão que eu me dei conta de que ali estava eu, sozinha e que estava por começar uma grande aventura.

O destino entre os tantos que algozmente antecederam a escolha, desde os primeiros momentos, não surgiu ao acaso e seria o tiro da grande jornada de autoconhecimento e motivação, que estava há muito a minha espera.

Seria eu ali a vislumbrar um mundo de aromas e paisagens, arte, sensações e solidão.

Meu medo me obstruía a passagem mas nunca haveria de chegar a minha hora se eu não criasse o momento… e parti.

Ao desembarcar em Barcelona, naquele que seria o meu primeiro chão de mundo livre, o aeroporto me recepcionou com maestria e me encaminhou para as ruas da cidade.

Ônibus, buzinas, o peso da mochila nas costas, tudo meio adormecido ainda diante do desembarque, no momento da chegada.

A tarde estava morna, o tempo sem cor, nem frio nem calor.

Eu ainda embriagada pelas horas do voo, desci na praça principal, rodeei-a a 360 graus e percebi-me perdida em meu giro, em meu relógio, em meus sentidos, em minhas pernas, tantas eram as ruas que a cercavam que eu não conseguia sair do lugar.

Até que por um momento eu parei, oxigenei, e percebi que já havia chegado ao meu destino e que o caminho me levaria de encontro aos meus anseios de marinheiro atracado no primeiro porto.

E foi assim que eu encontrei o hostel, logo ali perto, no mesmíssimo lugar em que o mapa o havia apontado.

E foi que eu sorri diante da majestosa porta centenária que ao abrí-la pensei comigo…

eu venci!
*

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Rompendo tabus … com Isabel Dias

Quando o assunto é erotismo, muita gente aplaude a literatura apresentada em livros como “Cinquenta tons de cinza”, transformando esse instrumento de opressão em best-seller internacional.
Hollywood também aposta nessa opressão porque sabe que é o idealismo machista que patrocina a exploração de conteúdos onde a mulher é alvo de violência e desrespeito, trazendo milhões de dólares aos cofres da indústria de produções.
Mas quando do tema se faz a abordagem da libertação feminina, onde é a mulher quem resolve mostrar a igualdade de poderes; que o virtuosismo em nada está implícito na castidade; e que, depois de uma longa trajetória de sofrimento, em que sempre impera a traição, a deslealdade, todo tipo de violência psicológica e humilhação por parte de seus próprios companheiros de jornada; o que temos (claro que não em termos gerais), é julgamento, preconceito e discriminação por parte de um tribunal trans-vestido em hipocrisia, dos setores desta sociedade que se diz moderna (no sentido coloquial da palavra) e libertária, mas que no fundo está imersa num conservadorismo provinciano, há dezenas de gerações.
Será que a mulher está despreparada para a felicidade?
Digo tudo isso para introduzir opinião ao livro que acabo de ler.
A autora, minha amiga, se desnuda diante do leitor sem pudores, ao descrever os casos que teve, durante um período de dois anos e meio… com cada um dos 32 homens que conheceu através de um site de relacionamentos, depois de um trágico e complicado processo de divórcio, impulsionada pela raiva e pelo desejo de dar o troco à traição do marido, ao descobrir que ele tinha quatro amantes.
“32 – um homem para cada ano que passei com você” é um livro que lava a alma de todas nós mulheres, que experimentamos a dor de sermos traídas, humilhadas e psicologicamente violentadas por esses homens com quem nos dispusemos a compartilhar a vida, onde acreditávamos viver nossa grande história de amor, com quem nos sentíamos seguras e acalentadas. Com quem tivemos nossos filhos, a quem tivemos dedicados nossos melhores anos, nossa lealdade, nossa beleza vigorosa e nossa juventude.
Isabel Regina Dias é uma mulher de coragem, que não demonstrou ter pudor algum ao denunciar publicamente sua decepção em relação ao homem com quem imaginava envelhecer; a depressão que quase a matou e as descobertas que fez acerca de si mesma; ao se propor, com a aceitação e apoio dos filhos, a essa busca implacável pela mulher que nem sequer sabia haver dentro de si.
Parabéns, Regina, minha amiga… estou aqui pra dizer que você me representa! …
*
Com prefácio de Xico Sá … 215 páginas de muita diversão e reflexão.

E se Obama fosse africano?

Mia Couto

… “na realidade, só existe um modo de nos valorizarmos: é pelo trabalho, pela obra que formos capazes de fazer. (…) somos pobres. Ou melhor, fomos empobrecidos pela História, fomos também empobrecidos por nós próprios. A razão dos nossos actuais e futuros fracassos mora também dentro de nós. (…) somos produtores do nosso destino. (…) construtores de um tempo e de um lugar onde nascemos todos os dias. (…) antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.”

* Mia Couto é poeta e biólogo moçambicano e publica no Brasil pela Companhia das Letras, São Paulo.

A ganância é “Lilás”! …

O que eles querem mesmo é dinheiro, sim !!!!!

Foi-se o tempo em que os artistas primavam por sua arte, se engajavam em lutas ideológicas e sociais, eles mudaram de lado, ficaram ricos.

Junto a essa briga escandalosa para censurar de antemão suas “pretensas biografias”, existem máscaras a serem derrubadas. A vida do músico (o empregado do “canário”) no Brasil não é um mar de rosas, não. Passa muito longe do glamour idealizado por tiétes. A maioria recebe salário de fome, os artistas não têm critérios para cumprir suas agendas, desmarcam tournés inteiras sem o menor pudor e respeito às famílias dos músicos que dependem dessa agenda para educar seus filhos.

A maioria dos músicos trabalha sem contrato de trabalho, sem um plano de saúde, sem aposentadoria. Vivem uma vida clandestina de trabalho informal. Alguns “patrões sanguessugas” passam a vida “chupinhando” produtores e arranjadores sem sequer creditar seus nomes ao trabalho, quanto mais pagamento justo dos percentuais em royalties.

Se apropriam, assim, da “arte do outro” para meter o dinheiro no bolso. Não entendo essa agora de acusar biógrafos por ações as quais eles mesmos passam a vida praticando contra seus “prestadores de serviço”. Estamos falando de arte. Estamos falando de música, de criação. A grande maioria dos músicos brasileiros acaba a vida na miséria.

Precisando de apoio financeiro de amigos; sem a menor dignidade. Às vezes, precisam se manter calados anos a fio para não sofrer represálias, porque músico que abre a boca não trabalha. Músico que processa artista por questões trabalhistas não consegue tocar com mais ninguém.

Nana Caymmi disse tudo: “Vida de artista é vida pública. Devem dar graças a Deus se alguém tiver interesse em biografá-las.” Afinal de contas foi essa a escolha. Esse é o preço e o que todos almejam é o sucesso.

Se querem privacidade devem fechar suas portas pra revista Caras. O mercado editorial brasileiro tem que reagir ao egocentrismo.

Lógico que falo apenas de alguns.

É uma “cúpula abastada e gananciosa” que não pensa que seus trabalhos dependem de uma equipe. O mínimo que eu sempre esperei foi que tratassem os profissionais da equipe com um pouco de respeito.

O ministério do trabalho deveria abrir uma sindicância pra averiguar as condições em que trabalham esses músicos no Brasil.

E a receita federal deveria prestar um pouco mais de atenção aos “borderôs” das bilheterias dos shows.

Opinião

– Pior do que a ação radical de direita e de esquerda, as quais nem merecem a inclusão no mérito, por deverem estar fora de qualquer classificação numa sociedade civilizada, é a legitimação da ignorância.
A China tem uma das ditaduras mais austeras do mundo, onde o cidadão é qualificado quase como um animal, para prover o sonho de consumo no resto do mundo.
A dicotomia vertical entre a miséria e a riqueza material é absolutamente inaceitável. Mas no Brasil, isso não é diferente. Por isso o meu levantamento de questões que invalidam o uso de termos ideológicos como “comunismo” e “capitalismo”.
No Brasil, o poder é ditado pela extrema direita parlamenrar há décadas. Num rodízio estúpido que sempre cai no mesmo lugar. Esse governo sindicalista corrompido só conseguiu o poder através de conchavos com a direita dos clãs coronealistas, latifundiários e centenários que exercem um poder sujo às custas da pobreza e da falta de interesse pelas questões sociais, forçando assim a má distribuição de renda e o possível crescimento de uma classe média, sobrecarregada de encargos e tributos, avaliados entres os maiores do mundo.
Portanto, essa dita esquerda que nos governa nada mais é do que a direita disfarçada. O Brasil está muito longe de ter um governo socialista moderado, voltado para o bem estar social. Somos um pais de ricos e pobres. Onde o privilégio institucional do capital concentra o poder na mão de poucos, em detrimento às necessidades básicas do cidadão.
O que precisamos é concentrar esforços para que as melhorias no campo da educação, da saúde, do transporte público e da segurança, obrigações constitucionais do Estado estejam ao alcance de toda a população de forma igualitária e justa e isso está muito longe de estar entre as atribuição das ideologias marxistas ou maoístas ou o que quer que se possa querer anexar ao contexto em voga.
O que se há de prezar aqui é apenas justiça social. E para isso há necessidade de manter-se em foco as reformas políticas, tributárias e eleitorais, para que o Brasil possa realmente dar um passo à frente.

O momento: uma maneira de viver! …

“O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem a qual estes mesmos impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo.”

Immanuel Kant (O que é o iluminismo?)

#Movimento-Ação

Tenho tentado fazer esse vídeo girar o mundo.
Quanto mais for compartilhado, maior a possibilidade de fazê-lo chegar aos quatro cantos do planeta.
O mundo precisa ver o descontentamento do povo brasileiro pra parar com a idolatria por nossos governantes corruptos, lá fora.
Temos que tirar as máscaras do Brasil e mostrar pra eles que as mulheres aqui são ativistas, professoras, médicas, cientístas, advogadas, mães, domésticas, e não PUTAS, como querem nos mostrar lá fora.
Temos prostitutas também. Mas é uma classe trabalhadora minoritária, que não representa a classe trabalhadora feminina do nosso pais. A voz feminina prevalece, nesse coro do vídeo.
Pegando carona aqui pra deixar o meu protesto contra o turismo sexual que já está sendo preparado para a Copa do Mundo. Isso tem que acabar! …
Eu quero ser respeitada. Porque nem “nossos maridos” nos respeitam! …
A mulher tem sido violentada, física e psicologicamente dentro da sua própria casa.
E isso vem trazendo seqüelas para as novas gerações de meninas que crescem vendo o descaso, o desrespeito, o autoritarismo, gerado por seus pais sobre suas mães e sobre elas próprias durante anos e anos a fio.
Essa violência psicológica gera, consequentemente, uma nova geração de mulheres submissas, e isso não tem fim.
A violência psicológica deixa mais sequelas do que a violência física. A mulher brasileira tem que dar um basta nisso. Dar-se ao respeito, e exigir respeito dentro de casa desde o início, porque uma vez sob domínio, não conseguirá refazer sua alto-estima nunca mais.
Se estiver se sentindo subestimada dentro de casa, procure ajuda psicológica imediata.
Porque quem ama, não abusa, não maltrata, e não desrespeita.
Reflita sobre isso também. Estamos na hora da grande virada! …

https://www.facebook.com/video/embed?video_id=536149766449645

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=oqbPYG0yDuI

“TOMORROW IT WILL BE BIGGER”…

“Folks! Pay attention!
Our actions were victorious, but the movement has only begun!
We are part of a national struggle, of a global struggle!
And we won’t stop here. And so, it’s important that everyone come at 6pm,
to the Subway steps, to the bus station!
We will continue the movement because our struggle is much greater than this.
We will only stop when we put ONE MILLION, TWO MILLION, THREE MILLION…
TWENTY MILLION, HERE (Congress)…
To tell them, that it’s not right, what they do with our money.
With our health, with our education.
-TOMORROW IT WILL BE BIGGER”
*
Ouçam a voz do Brasil, numa convocação uníssona, representada pelo movimento que invadiu a cobertura do Congresso Nacional, na última segunda-feira. A força desse grito me representa !!!!!!!!! Esta convocação é para Brasília, mas todos estaremos de prontidão em algum lugar. A Luta é NOSSA! …
*
“Galera … Muita atenção!
O nosso Ato foi vitorioso, mas o movimento apenas começou.
Nós fazemos parte de uma Luta Nacional, de uma Luta Mundial!
Não podemos parar por aqui. Por isso, é importante que todo mundo que está aqui, esteja às seis horas de quinta-feira em frente à escadaria do metrô, na rodoviária. Vamos seguir o movimento porque a nossa luta é muito maior que isto !!!!!! Só vamos parar quando a gente colocar um milhão, dois milhões, três milhões, VINTE MILHÕES, AQUI, PRA FALAR PRA ELES, QUE NÃO ESTÁ CERTO, O QUE ELES FAZEM COM O NOSSO DINHEIRO, COM A NOSSA SAÚDE, COM A NOSSA EDUCAÇÃO !!!!!!”
-“AMANHÃ VAI SER MAIOR MAIOR” !!! …
*
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=oqbPYG0yDuI

O depertar do Brasil 4 !!! …

Que o domingo seja traquilo para que a segunda venha com fé e coragem.

Saiamos às ruas para proteger esses meninos. Para mostrar ao mundo que somos pacíficos e civilizados. Que estamos no limite. Que quem instiga a desordem é o comando geral despreparado do Dr. Alkmin.

Que o Sr. Haddad só cumpre ordens do Sr. José Dirceu, o chefe da quadrilha, que está condenado em última instância por um Tribunal que não consegue fazer cumprir as leis.

Saiam às ruas, nem que seja em frente de casa, com as mãos dadas aos vizinhos, e que essa corrente de manifestação chegue até o largo da Batata.

Onde a repressão estará à espera das lideranças do movimento. Manifeste-se. Cada um a seu modo. Porque somos milhões e ninguém poderá nos segurar, nem prender, nem calar! …

Não espere que alguém grite por vc. Faça a sua parte! …

O despertar do Brasil 3 !!! …

São Paulo, a maior cidade da América Latina, está borbulhando.

Quanto maior a pressão, maior o risco da panela explodir. Somos quase 12 milhões de habitantes.

Trabalhadores que seguram o “Brasilzão” nos ombros, como as formigas, na fábula da cigarra. Uma pequena minoria, de garotos ainda, deu início à rebelião.
E estão pondo as nossas caras pra bater, mas é a deles que sangra, enquanto ficamos sentados no sofá, esperando os jogos da Copa das Confederações.

E é assim, vendo a violência dos cassetetes pela tv, é que esperamos que alguém faça baixar o preço das passagens do “pau-de-arara” que nos carrega ao ofício onde todos os dias, cada vez mais arraigados aos carnês de prestações, nos esprememos pra manter o ganha pão.

E assim vai o Brasil.

O preço da passagem subiu menos que a inflação, desculpa-se o “governador”.

Mas é a inflação que está saindo do controle, não a população. É o descontrole da política, o nepotismo, a corrupção, o descaso com as reformas, com a educação e a saúde é que está na mira desta explosão.

O povo ainda não se manifestou.

Mas a verdadeira explosão se fará quando fecharmos as nossas portas e apagarmos as nossas luzes, parar, em vez de marchar. Essa será a grande virada.

A cidade tem que parar. Vamos dormir tranquilos, ninguém nas ruas, num toque surdo de silêncio.
Nenhum centavo na corrente sanguínea da cidade.

E o povo então se fará presente. São Paulo tem que parar. E o Brasil ouvirá as suas súplicas.

É isso! …

O despertar do Brasil !!! …

O Brasil está acordando.

Infelizmente, há de haver violência. A briga é política. Quem paga?…

Estudantes, jornalistas, ativistas, trabalhadores… mas temos sangue latino correndo nas veias.

A cada confronto está embutido o “fora Renan”, o “fora Feliciano”, o “queremos Dirceu e sua quadrilha na cadeia”, o “queremos de volta nossa democracia”, o “queremos a autonomia dos poderes”, a “justiça”, o “não à impunidade”.
Nós queremos nosso Brasil de volta.

Chega de tapar os olhos com Copa do Mundo, essa foi a estratégia usada em 1970, por um regime assassino, do qual não temos saudade. Eu quero poder seguir a minha vida, com meus filhos e netos, “caminhando e cantando e seguindo a canção!” …

O Brasil precisa de diálogo. De voz, e se preciso for… de GRITO! ….

Ninguém está brigando pelo aumento das passagens, o buraco está bem mais embaixo.
Queremos viver com dignidade, pois nós somos os brasileiros.

A Pátria é nossa!

Somos o país da vergonha! …

EU TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO!

Vergonha de não conseguir fazer nada para conter essa pouca vergonha institucionalizada que é este país.
Vergonha de fazer parte desse povinho chulo, de quem se vende na hora de votar, povinho corruptível, povinho que não tem memória, povinho desatento, alienado.
Nós merecemos as instituições que temos.
Somos responsáveis por esse bando de cafejestes, salafrários e ladrões que estão se deleitando no próprio sêmen de tanto gozar na cara de quem paga impostos neste país. Ordinários e vagabundos somos nós, que nos permitimos a isto. Aonde chegamos!
O que foi feito da minha Pátria Amada? …

Sandra Barbosa de Oliveira – jornalista.

Thrive … the world is waking up!

Pra prestar muita atenção. Rever os valores. Conceitos. Rever atitudes. Pensar. Agir! … Mudar

Esse é o verdadeiro BASTA! …

Olha aqui meu povo, temos que dar um basta nisso.
O Brasil tá virando um chiqueiro … o mundo árabe conseguiu aniquilar seus porcos … temos que sair às ruas para aniquilar os nossos também.
Não importa quais sejam as vestimentas deles, chega dessa roubalheira! … A imprensa internacional está anunciando que o Brasil é o 6º maior PIB do mundo, ultrapassando o Reino Unido.
Não podemos deixar nosso dinheiro ir parar no bolso desses mentecáptos! … São políticos, empresários, juízes, delegados …
O Poder apodreceu. Todos os três estão contaminados. Que em 2012, nós criemos vergonha na nossa cara para exigir o fim de tudo isso !!! TUDO PELA EDUCAÇÃO …

Seu aniversário

Ricardo Lombardi em

Colcha de Retalho

Hoje quando você acordou sentiu mais uma vez aquela falta. Mas hoje é diferente, hoje é o seu aniversário.

Aquela falta, o vazio de todos os dias, hoje, parece passar por cima de sua cabeça e te derrubar no chão.

As horas passam, os dias passam, os meses, os anos virão, mas a falta sempre será esta lacuna em você, em mim, em nós. E hoje é o seu aniversário.

Justo hoje, você sentiu a casa ainda mais vazia. Tão vazia quanto nunca. Hoje você sabe qual é o som do silêncio. Sim, o silêncio. Este silêncio que insiste em gritar todos os dias para você, pra mim, pra nós. O silêncio grita todos os dias: acabou, se virem, vivam as suas vidas. Mas hoje é o seu aniversário.

Não há vontade de comemorar nada, nem de falar com ninguém, muito menos ficar atendendo aos telefonemas para ouvir sempre o mesmo discurso: parabéns, muitas felicidades, saúde, dinheiro e bla, bla, bla.

Parabéns por que, você se pergunta. Você não entende por que deve celebrar a vida se a vida tem sido tão dura ultimamente. E hoje é o seu aniversário.

Logo hoje. Por que não no final do ano? Pra esse tempo passar, esse tempo que todos insistem em nos confortar como a cura de todos os problemas. A cura para a falta, da diminuição do volume do silêncio. A cura que vai preencher o vazio da ausência. O tempo, ah, o tempo. Esse subir e descer do Sol todos os santos dias. E justo hoje, que é o seu aniversário.

E essa dor. Uma experiência que enriquece. Não é possível fugir da dor. Fugir da dor seria fugir da própria cura. A cura que liberta, fazer crescer, faz aprender e faz, enriquecer. E hoje. Ah, hoje é o seu aniversário.

Posso apenas te oferecer como presente o meu amor.

Meu amor na forma mais elevada de energia para preencher sua alma. Meu amor como forma de liberdade. O amor que não discrimina, mas inclui, sempre. Hoje e sempre.

O amor que não é egoísta. Que possui o extraordinário poder curativo capaz de mudar completamente a sua vida.

Meu amor em estado verdadeiro e original da alma porque a necessidade do momento é relembrar esse estado amoroso de ser.

Tudo porque hoje é o seu aniversário.

Nove meses de mim

Era só pra passar o Ano Novo.

A casa, fechada havia mais de um ano, vazia e em profunda solidão, já apresentava a cor do abandono. Abandono que se instalara nos corações desde a hora da partida pra São Paulo.

Para cumprir o calendário da festança, foram providenciados colchões de ar, microondas, cafeteira e panelas elétricas. Não havia fogão.

Allan, o jardineiro, nos providenciou uma geladeira de terceira mão, surradinha mas perfeita para a ocasião. Afinal, sem gelar a cerveja e o vinho não haveria como ficar ali um dia sequer.

A casa era muito bonita. Rabisquei o projeto, pensei cada detalhe, escolhi a posição dos janelões de acordo com a posição do sol e dos ventos, terral e sudoeste, em relação aos quartos e à grande sala envidraçada.

Que lugar …

Diante da deslumbrante montanha, ao lado do mar. Com céu de brigadeiro e noites estelares em profusão, num silêncio profundo apenas quebrado ao alvorecer pelo canto dos bem-te-vis, de um ou outro revoar de Araras , uma conversinha arredia de mico-estrela e toda espécie da selvageria que fazia um entardecer bucólico, naquele paraíso perdido na praia da Macumba.

Na sala, cadeiras de praia e o piano acústico emprestado do afinador, que quando tocado parecia fazer o céu reluzir dentro da sala vazia pela acústica perfeita. No quarto os colchões de ar e uma minúscula tv tendo a Globo como única a conseguir penetrar tamanha imensidão dentro do nada.

Cachorros soltos, minha vida solta. Havaianas nos pés, ar, poesia e céu azul. Música, muita música… nada mais.

Sem telefone, nem internet … celular sem sinal!

As torneiras estavam felizes com a água passando. As luzes acesas. O jardim florido, meu Jasmim perfumando, os Ipês que plantei e cuidei desde recém-nascidos já estavam imponentes em seus quase 10 metros de altura; eles dariam ínicio a minha tão sonhada “coleção de árvores”.

O aconchego dominava o ambiente, apesar de a casa estar vazia, com a carinha um pouco triste, um pouco castigada pelas chuvas, sentindo falta das gentes, dos barulhos do dia a dia, de crianças entrando e saindo, dos cachorros latindo. De minha Sula com sua gentileza ímpar … Das bombas da piscina batendo a água até o verde morrer para nascer um azul indescritível.

E foi neste clima que rompeu 2009.

As meninas foram logo pegando cada uma seu rumo e desaparecendo, até retornarem pra cidade em busca de confusão, trânsito e vai e vem desgovernado de gente desgovernada, o que alucina toda menina …

E eu resolvi ficar para uma pintura na casa, que acabou se estendendo para uma pequena reforma, que acabou por preceder uma grande reforma e eu fui ficando …

Com os colchões de ar, o microondas, panelas elétricas, a cafeteira, a micro tv, as roupas nas mochilas sendo lavadas no tanque e perfumadas ao sol pela brisa do mar, a balançar nos varais … e eu fui ficando.

De manhãzinha era café com prossecco na piscina acompanhado da festa dos cachorros, o entra e sai dos meninos do Allan que vinham limpar o jardim e os passos delicados do Julinho, o pintor, no telhado, por entre as telhas de barro (o Júlio além de excelente pintor que trabalhou em casa por dez anos, tocava sax e prestava vestibular para arquitetura).

À noite o Big Brother … opção singular.

Éramos eu, os cachorros, a reforma e uma imensa alegria por decobrir o pouco que precisava pra ser feliz.

Cheguei de volta a São Paulo em sete de setembro por ocasião dos oitenta anos de minha mãe.

Sai de casa para passar quinze dias na praia depois de ver romper o novo ano e voltei nove meses depois, com uma carga absoluta de mim, pois descobri que pode ser bom estar sozinha, o que preciso e o que não preciso para atingir a serenidade.

E que posso ser feliz com muito pouco !!!

E foi assim, foi ali …

A TV era em preto e branco.
A rádio era a Excelsior de São Paulo, que tocava “música importada”. O sabor era o de Gintan. Raito de Sol era o bronzeador. O incenso de Lótus e o perfume, não me lembro, mas tinha que ser da Argentina. Sonhávamos.
A novela era Beto Rockfeller, que dava as dicas do que acontecia na noite paulistana, no Clube Pinheiros, na boate Tom Tom Macoute. Carro… acho que era o Gordini. De preferência amarelo, uma referência a um piloto de Interlagos.
O esporte favorito da molecada era o autorama. A vitrola mais popular era a Sonata, fabricada em Campinas.
Ser “chic” em Jundiaí era ter uma vitrola portátil da Philips, lógico, comprada nas lojas Magalhães, ao lado do Cine Ipiranga, palco das primeiras pegadas na mão da namorada, do primeiro beijo, tendo como testemunha um filme do Mazaropi na tela.
Na esquina da frente era o Credi City, loja da família Farina e que também dava nome ao prédio onde moravam os irmãos Avalone. Na próxima quadra, a Paulicéia, ponto de encontro dos jovens da cidade.
Do lado oposto tinha a Praça Governador Pedro de Toledo, o Largo da Matriz.
No número 66 da praça tinha a “Agência Geral” de Eduardo Sacchi, fornecedor dos discos que tocavam nas vitrolas compradas na Magalhães e na própria “Agência Geral”. A loja ficava ao lado do Bar do Lula e da estação da Viação Cometa. No prédio acima, vivia a Eliana de Luca.

E foi assim nesse cenário que cresci. Vendo o entardecer, na frente da Catedral, com seus jardins maravilhosos e a fonte que, um dia, um prefeito mandou derrubar.
Ouvia o som barulhento das andorinhas, acompanhava o movimento das moças que saiam das escolas e passavam pela praça.
Conferia, como um chefe de estação, o horário de chegada e saída dos ônibus da Cometa e via quem chegava ou saia. Lembro-me de ter visto Roberto Carlos (o Rei) chegar ali para tocar no Cine Polytheama. No tempo do “Calhambeque”!
Foi ali que ganhei o maior presente que poderiam ter me dado. Aprendi a gostar de música com o melhor professor, meu pai.
Eu ouvia de tudo, Nelson Gonçalves que, aliás, foi quem inaugurou a “Agência Geral”, Trio Los Panchos, Elvis Presley, Bossa Nova, Os Beatles e toda a invasão do rock inglês, toda a Jovem Guarda, tangos, boleros, chá chá chás, música clássica, a invasão da música italiana, Pata Pata.
E foi ali também que criei, sem querer, minha web de relacionamento social. Conhecia todos e todos me conheciam. Do anãozinho elegante que fazia ponto diariamente no Cometa a prostitutas, ladrões, sambistas, cantores, músicos, galera das rádios Difusora e Santos Dumont, estudantes de outras escolas, todas as meninas, engraxates e motoristas de taxi.
Meu pai também era conhecido pelas bancas de artigos carnavalescos que tinha na loja, no Grêmio e, anos após, no Clube Jundiaiense. O depósito do material era na sala da frente de nossa casa da Engenheiro Monlevade. Era a Festa!
Caixas de serpentina, sacos e sacos de confeti e umas caixas grandes de madeira que traziam a marca RODOURO OURO que, para quem não sabe era o, na época popular, “Lança Perfume”. Ainda sinto o aroma de tais caixas e o barulho da farra que fazíamos, eu e meus irmãos, naquele cenário carnavalesco e inocente.
No tempo do Grêmio, eu ainda era muito pequeno, mas descolado. Descolado a ponto de receber, em minha casa, a dupla de palhaços Fuzarca e Torresmo para um café antes do show deles. A Rua Engenheiro Monlevade parou. E eu, naquele dia, era o cara mais importante da vizinhança.
No Grêmio também aprendi a gostar de carnaval e cheguei até a arrumar uma namorada, que morava no Cine Ideal, ao lado do Clube. Era a glória. O nome dela era Amélia, ou Maria Amélia, não me lembro. Mas linda o suficiente para entender que algo estava mudando em mim. Eu descobri que era romântico!
Outras músicas e namoradas apareceriam em minha vida. Além de muitos carnavais…

Marcos Sacchi
(Jornalista, DJ, radialista. Um eterno estudioso e profundo conhecedor da boa música)

Trinta dias é a conta

Em apenas trinta dias
tudo pode acontecer
Você pode nascer,
você pode morrer …

Em apenas trinta dias
Você pode deixar a seriedade de lado
e só falar asneiras,
fazer bandalheira

Você pode deixar de ser severo consigo mesmo
e simplesmente se aceitar,
se permitir

Pode ser percebido … ou deletado …

Em apenas trinta dias
você pode trocar
o não pelo sim …

Uma lagoa de lágrimas
pelo riso (des)compromissado
da sacanagem

Trinta dias é a conta
pra você sair da casinha
e experimentar ser livre

Mas vai ter que se acertar
com a ansiedade
e muito, muito mesmo …
é com a saudade !!!

Em apenas trinta dias
tudo pode acontecer …

você pode adoecer
você pode socorrer
você pode desistir ou sobreviver

Em apenas trinta dias
você pode se envolver
mas pode se devolver

Pode ir, pode voltar
E de novo rir
E de novo chorar …

Trinta dias é a conta
para se reconhecer,
se decifrar, se reinventar

Mas o mais importante é que,
em apenas trinta dias
você pode persistir, resistir
e ficar pronto pra viver uma nova história

Porque a vida é movimento.

O adormecer dos anjos …

Meus leitores já sabem sobre os meus amores.

Sobre a tal caixinha onde os guardo junto aos sonhos e que mantenho a sete chaves, não para escondê-los … mas para que jamais fujam de minha lembrança.

Pois sim … vou falar aqui, agora, de uma das maiores paixões que eu tenho na vida. Vou deixar que a pele fale por mim, porque esse é um amor químico … que envolve aroma, paisagem, luz, descoberta … o encontro às claras com minha serenidade.

Estou falando do meu lugar ao sol … as livrarias.

Livrarias são cheias de respostas. Solução para os conflitos. Já me descobri e redescobri … já me desconstruí e me reinventei dentro de livrarias. São como templos. Abrigam minha religião e minha fé nas palavras.

É ali que moram os anjos.

Mas como tudo tem suas falhas, como tudo tem seus defeitos … neste dia, os anjos falharam.

Foi numa segunda-feira, 21 de dezembro de 2009, vésperas de Natal, há portanto dez meses … na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo , um reduto cultural dos mais assediados da Metrópole, ” se pá ” … do Brasil, que uma alma louca e obscura acertou, com um taco de beisebol, um anômimo estudante, designer, em sua busca por conhecimento e por, quem sabe … suas respostas.

Há exatos dez meses, um garoto comum que poderia ser o meu filho … ou seu filho … que na verdade era filho de alguém que vai estar num profundo vazio para sempre.

Não consegui entender como isso foi possível. Driblar os seguranças … tudo bem … mas os anjos ???

Onde estariam os anjos nesta hora. Por quê não olharam para esse menino ??? Por quê não olharam para sua mãe, que deveria estar orando para o deus da proteção assegurar-lhe a volta do filho, assim como eu e vc, a cada passo de nossos filhos pelas calçadas?

Ontem, Henrique de Carvalho Pereira, 22 anos, deixou este mundo e o mundo das livrarias, o dos anjos, o de sua pobre e impotente mãe.

Paro para refletir … para me solidarizar.

O fechamento de um ciclo …

Quase noite … momento crepuscular, beirando à tristeza.

Parto em sentido ao que fora em outros tempos: a casa. O sol já se pôs. Junto com sonhos, esperanças, lembranças simples do cotidiano…

Chego ainda assim com um querer profundo de encontrar-me ali. Mas não me encontro, o que encontro são escombros de casa e escombros de mim.

Vago pelas ruas a procurar flores, perfumes, o cheiro do mato misturado ao cheiro do mar, a vida selvagem, as pedras nas calçadas, as pedras na minha vida, minhas dores.

O céu vai betumizando, minha alma se perdendo em coisas que perdi, nas que achei, em tudo que aprendi ali, olhando para as sombras e para as luzes da montanha em movimento, embora estática … um quadro vivo avistado de minha cama.

Paro pra pensar na sordidez do destino. Mas que, no final das contas, acaba sempre tornando, em meio a lama e degradação, a nova semente num belíssimo Jasmim.

Um desabafo … por Eliza!

Quando eu era menina, aprendíamos a querer ser médicas, engenheiras ou advogadas. Porque naquela época, o que dava status e dinheiro eram profissões que traziam estabilidade e bem-estar social. Na década de 1960, eu ainda era muito pequena pra compreender o que o dito “Imperialismo” queria de mim. Demorei muitos anos pra descobrir.

Lembro-me ainda da primeira coca-cola, da primeira calça Lee.

Legal era ter uma casa carregada de eletro-domésticos. Mas queríamos ser médicas ou dentistas, professoras de literatura … independentes e de preferência sem sutiãs …

Conforme fui crescendo percebi que o sonho de minha mãe era que eu tivesse “um marido à minha altura”, que pudesse me proporcionar o tal bem-estar social para que eu pudesse ficar em casa, cuidar dos filhos e ir ao cabelereiro.

Mesmo assim continuei com meu sonho de ser jornalista embora, na época, os “ditadores” não gostassem muito dessas coisas.

Com o passar dos anos, subliminarmente, o tal “grande imperador” foi possuindo as mentes inocentes das meninas. Que de uma hora para outra, sem perceber, foram se sentindo obssecadas por uma outra forma de bem-estar social. De bicicletas e carrinhos de bonecas para carros importados, roupas de marca, restaurantes e viagens. É viver no “jet-set” que agora rouba os sonhos infantis da maioria das meninas.

Parece controverso aos tempos.

Mas a explosão dos desejos de consumo estão dividindo com os hormônios púberes uma inquietação que faz com que nossas menininhas queiram estar sexualmente preparadas para enfrentar holofotes e câmeras, cada vez mais cedo, num vale-tudo pelos “cinco minutos de fama”. E nada mais.

E foi assim com Eliza. Nada diferente do que a grande maioria das meninas, queria ser celebridade. Fazer sucesso, ter fotos na revista “Caras”, apresentar um programa da Globo. Ter paparazzis à sua captura… Nada mais que isso.

Mas foi, junto com seu belo corpo, literalmente devorada por uma sociedade insana, geradora de conceitos e valores constituídos por instituições insanas, geridas por milicianos que representam um povo ignorante que deposita o seu insano voto para eleger governantes irresponsáveis que dizem organizar essa terra de loucos!

Assim… sem mais nada a declarar … silêncio! …