O Poeta …

Era um poeta.

Entrou e se sentou sem pedir licença e já foi pedindo um café passado na hora.

E depois das rusgas de mau humor, se desculpou de sei lá o quê e já foi me falando de amor. E sem querer ser redundante, incrédula desatenta, só sendo muito ingênua pra não ver que trazia pobres as intenções. Mas deixei passar porque não estava carente e nada precisada.

Me ganhara pela voz e pela escrita, simplesmente. 

Por isso, com muita calma e atenção fui dando linha, só pra ver até onde chegaria aquela voz aveludada de sotaque enfático e com dicção quase que perfeita, não fosse aquele delicioso sibilar, hora ou outra, a fazer volúpias sonoras em meus ouvidos. 

Mas analisando as pretensões que do olhar desatinava apenas pelo descaramento de me despir com seus olhos sem pudores, eu lhe servia o café ainda fresco.

Ai … não fosse pela voz ou pela escrita …
Mas não dá pra resistir aos encantos de um poeta, e nem por um instante às infâmias sedutoras de um canalha.
 
Que depois de me contar muitas histórias e me falar de amor, de me comer com o olhar e lamber os lábios do café …

Levantou-se, o poeta, e foi embora …

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