Arte, beleza, Contos, Contos e crônicas, crônica, Crônicas, Cultura, Educação, Literatura, Sandra Barbosa de Oliveira

Fotografia de Coimbra

(José Luís Peixoto)

“Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde. Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra. Coimbra são fotografias reveladas de um rolo antigo, esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos, Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater, e esse é um milagre de deus que transcende deus.”

(Fotografia de Coimbra – Gaveta de Papéis)

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Sandra Barbosa de Oliveira 2

Dignidade

Bom dia amigos, o dia está lindo. Hoje não é um dia especial pra mim. Nasci para desfrutar de certos privilégios. Fui uma menina agraciada com cuidado e carinho dos pais, fui mãe adolescente e tenho filhas maravilhosas, convivi com parceiros amorosos, nunca senti discriminação, tive acesso à excelentes escolas, educação de primeira e saúde, nunca vivênciei nenhum tipo de agressão, nem sofri nenhum tipo de violência física, não senti nenhum tipo de preconceito. Sou respeitada, onde quer que vá, por amigos, por pessoas desconhecidas, na rua, por todo canto. As pessoas me acham uma mulher bonita, inteligente, estou tentando me profissionalizar na minha área mesmo já estando na meia idade … acho que realmente fui agraciada por uma vida de privilégios e conforto e agradeço aos céus por isso. Mas isso tudo faz com que eu repense esses votos que recebo no dia de hoje, porque eu não simbolizo essa luta. Parabéns àquelas mulheres que verdadeiramente estão sofrendo o preconceito do mundo, dando o sangue por uma vida melhor, para que esse mundo lhes trate com dignidade. Que o dia de hoje seja especialmente dedicado a elas, por estarem sendo brutalmente oprimidas, discriminadas, abusadas, sacrificadas, violentadas, mutiladas, sob o mais estúpido e repugnante sonho de consumo em torno de uma bolsa da Loui Vuitton. Essas sim, são dignas de todas as homenagens.

Dia Internacional da mulher.

#forever, Sandra Barbosa de Oliveira

Eu tenho um amigo invisível …

Daqueles que, quando criança, a gente cria pra pinicar … pra andar, pra lá e pra cá, trocando olhares pra adivinhar quereres …

Um sentimento lúdico, transparente, sincero … Visão que temos de nós mesmos através da imagem de outra pessoa. De um interlocutor.

Como é bom sentir uma brisa encostando no rosto, sem querer saber de onde vem, nem pra onde vai … Como é bom poder pensar que essa brisa vem do mar.

Chega um tempo em que o mais importante é se sentir percebido, saber que a gente pode estar bem guardado, num pequenino pedaço … de um imenso coração.

Um amigo invisível vale muito mais do que mil brinquedos … por ficar ali ao seu lado … sempre e sempre … te olhando, calado.

E é sempre você quem começa a conversa, ao expor seus segredos entre bossas e beijos …

Da língua afiada nasce um bem-querer sem volta e meu amigo invisível começa a se fazer presença, ao ficar quietinho, espiando … ao mesmo tempo em que lapida palavras que fazem feliz.

Silencie, meu amigo invisível … não preciso de barulho.

Te aprecio nas palavras, mas me contento, apenas, em te sentir respirar.

Sandra Barbosa de Oliveira