Sandra Barbosa de Oliveira 2

As mulheres da banda

Nem sei mesmo como dizer, por um instante fiquei sem saber o que fazer com as palavras. Sinto a voz do expressar embargada na garganta, mas ainda assim me arrisco a cometer um erro, e com total atrevimento sugiro um “oceanar” como momento único, de um transbordar absoluto.

Quem entende de amar, entende o que eu digo.

Nesta história, minha vida se mistura a “Oceano”, e minha emoção transborda junto de minhas lembranças. Foi mesmo um momento único, restrito.  Eu preparava uma vida e a vida me preparou uma história.

Carol Welsman e o Dja

Foi quando tocou o interfone. E pelo chamado aos poucos fui entendendo meu lugar de mulher, de companheira. A música sempre falava mais alto lá em casa e neste instante compreendi o meu papel. Minha família estava crescendo junto com minha barriga e a música me desafiava a encarar uma nova vida. Pelas mãos do pianista ela levava meu companheiro para o mundo, me deixando responsável por todo um aconchego à espera de sua volta. E foi assim que se fez…E é assim a vida das “mulheres da banda”.

À beira do palco, nossa vida vai passando como se fosse um filme. Ele, o palco, sempre o protagonista. Nos bastidores somos espectadoras do assédio e da falta de rotina, vemos nossos filhos crescer, no vai e vem de um pai sem datas. Mas a música nos alimenta, nosso amor nos complementa e nos traz a serenidade necessária para cada reemcontro, e a força  necessária para a próxima partida. E isso faz da nossa vida mais que desejada . A “glamourosa” vida do palco, onde na realidade a fantasia não se mistura, porque as luzes se apagam e  voltamos para casa.

Com os laços se estreitando  desde o estúdio de gravação, estendo aqui uma calorosa menção às “mulheres da banda”, começando pela Claudia Maia com quem eu sempre falava em escrever essas histórias, mas com muita saudade, da Simone Martins, da Mônica Mariano, da Irene Gil, da Cida Campello, da Ticiana Oliveira, da Evelyne, das duas Andreias, a Vasconcellos e a Mariano, Zânia Castilho, da Ana Stela Bala Gomes. Todas passamos pelos mesmos caminhos. Umas ficaram, outras partiram….mas nossas vidas se cruzaram em Oceano.

Deixo aqui um super beijo aos meus amigos músicos que um dia formaram uma super banda – considerada uma entre as melhores já vistas na história da música brasileira.

Carlos Bala Gomes, Marcelo Martins, Torquato Mariano, Glauton Capello, Arthur Maia, Armando Marçal, Walmir Gil, François Lima, Sidinho Moreira, Pirulito, Marcelo Mariano, João Castilho e André Vasconcellos e o meu maestro Paulo Calasans.

Obrigada amigo Dja, essa emoção não teria sido possível sem a tua música !!! Todo amor do mundo …

Sandra Calasans

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Sandra Barbosa de Oliveira 2

A elegância de uma década

Do momento em que conceitos tradicionais entram em desuso e a arte toma o curso dos valores descartáveis,  me senti livre para mostrar aqui uma escolha que fiz ainda criança, de guardar imagens, cenas, pessoas, músicas e palavras dentro de uma caixinha que criei num cantinho de mim, dentro de uma caixa maior, onde guardo tantos outros conceitos e valores.

Contidas, desde a década em que passei a minha mais tenra infância, trago clássicas lembranças, onde a estética, a beleza, a sensibilidade  plástica do que era concebido pela arte atingiam o inconsciente e talhavam a formação intelectual de nossas mentes desavisadas.

De ainda muito pequena,  guardo cenas como as da morte de John Kennedy,  da nova Capital,  dos soldados e tanques pelas ruas do Rio de Janeiro, do homem na Lua.

A de Sérgio Ricardo quebrando o violão ao ser vaiado no festival da canção, a ira de Caetano no “É proibido proibir”… Todas as cenas dos festivais  estão guardadas, claras e intactas, dentro da minha caixinha.

Cinema, Dorothy,  a janela batendo em sua cabeça e a fantasia surgindo como  mágica em tecnicolor… Branca de Neve, …Tony Curtis e a Corrida do Século. Tudo na caixinha.

Guardo também Agostinho dos Santos, Elizete Cardoso, Nat King Cole.

Show do dia 7.

O lançamento do Ford  Galaxie  nos palcos da TV Record.  No mesmo palco, Hebe Camargo, Cidinha Campos, Clodovil Hernandez e Denner.

A Jovem Guarda,  que tive o privilégio de assistir no teatro da Rua da Consolação, a grande festa no teatro Universal.  Roberto, Erasmo e Wanderléia.

Disparada e A Banda  empatadas. Vandré  “pra não dizer que não falei das flores”.

Dois na Bossa.  Elis e Jair.

Alaíde Costa,  Wilson Simonal.

Nas ruas o Simca Chambord e no armário os sapatos da minha mãe, suas roupas, as luvas, as perucas. Os anos 60 foram um marco de elegância e glamour. Eu adorava brincar com os sapatos da minha mãe.

Me lembro bem das tardes na Galeria Metrópole, das Lojas de departamentos, da escada rolante. E das férias pelas ruas de Copacabana.

Mas eu era bem pequena e fui acolhida pela emoção daquele tempo.

Da elegância, escolhi estas imagens pra selar.



Un homme et une femme – Claudine Longet (1966)