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Uma saga II

1939 – parte 2

O menino teve uma infância feliz, apesar da caristia, declara ele hoje, aos 82 anos. A mãe recebia alguma ajuda dos mais próximos, mas era pouco. Ela era especial. Uma mulher abnegada às forças do destino, entregue a um futuro solitário, fiel ao companheiro morto. Vestia preto, viveu seu luto por toda a vida. Mas o menino era brilhante. Fez valer o nome ilustre lhe confiado pelo pai ao nascer. Com menos de nove já ajudava a professora a ensinar os colegas da turma, num interior longíncuo onde as crianças viviam com grandes dificuldades para aprender, mas as professoras eram dedicadas e muito preparadas. Aos nove anos veio se juntar aos outros, com a mãe e as irmãs, em Jundiaí. Aceito pelo prof. Paulo Mendes Silva em pessoa para ingressar no grupo escolar, vendia balas no bar de propriedade do avô, dentro do Cine República. Com o auxílio inicial do tio caçula, foi o melhor aluno durante todo o tempo em que estudou e aos 14 anos, passou a bancar seu curso ginasial na Escola Padre Anchieta onde aos poucos mais de vinte anos fora convidado pelo prof. Fornari, dono da escola, para ensinar no curso de contabilidade. Menino pobre criado entre a Vila Arens e a Vila Progresso, trabalhou em São Paulo, morando em pensão por 3 anos e casou-se aos 23 com a nona filha de minha avó nascida em Cremona, na Itália.

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1931 – parte 1

Minha família é quase toda de imigrantes.
As avós são filhas de italianos, uma nascida em Cremona, na Itália e a outra em New York. Vieram crianças para o Brasil. Se casaram com brasileiros descendentes de portugueses, as duas. “Portugueses” no Brasil já significa uma mistura racial efetiva. Minha bisavó paterna era índia, foi laçada pelo marido pra casar.
Minha avó novaiorquina se casou com o caboclo, muito jovenzinha ainda. Ele, um cara a frente do seu tempo. Tiveram 3 filhas e meu pai o caçula, a quem, não à toa, foi chamado “Ruy Barbosa”. Haveria de ser médico para seguir os passos do pai. Mas meu avô, prático de farmácia e parteiro, acabou se metendo em política e nomeado por Júlio Prestes, na época “presidente da província”, dono do cartório do lugarejo onde viviam na região de São José do Rio Preto: o “velho-oeste” paulista! …
Mas foram estas questões políticas e/ou passionais – mal se sabe – que vieram a interromper o ciclo. Numa manhã de domingo, ao buscar os jornais que chegavam na estação, com meu pai menino de 1 ano e meio no colo, meu avô, com apenas 33 anos, fora baleado e morto por um pistoleiro que seguiu viagem no trem. O cartório foi incendiado, a farmácia perdida para o sócio. Como sobra, minha vó sozinha numa cidadezinha minúscula do interior de São Paulo, aos 26 anos e seus 4 filhos, dois anos após a depressão de 1929 ter levado, em decorrência da ruína dos negócios, a família para Jundiaí.

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